Comércio de Minas recua 0,4% em maio, mas mantém saldo positivo no ano
O mês de maio foi de queda para o comércio de Minas Gerais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração foi de 0,4%, resultado melhor do que o de abril (queda de 3,5%), mas ainda negativa. Minas se comportou pior do que o Brasil, que apresentou crescimento de 0,1%, o que pode ser entendido como estabilidade.
Nesta comparação com o mês imediatamente anterior, 16 das 27 unidades da federação apresentaram recuos, sendo as quedas mais intensas em Rondônia (-3,4%), Roraima (-3,4%), Amazonas (-2,8%) e Goiás (-2,8%). Por outro lado, os maiores avanços ocorreram em Distrito Federal (1,6%), Paraíba (1,5%), Alagoas (1,5%), Acre (1,5%) e Piauí (1,3%).
Em Minas Gerais, nos últimos 12 meses, foram registradas 7 taxas negativas e 5 positivas. No acumulado do ano (em relação ao mesmo período do ano anterior), o Estado registrou resultado positivo de 0,7% no volume de vendas do comércio varejista, frente ao crescimento de 1,7% no Brasil.
Esse contexto pode indicar, segundo a chefe da seção de pesquisas econômicas do IBGE em Minas Gerais, Alessandra Coelho de Oliveira, que o comércio, no geral, vive um momento estável, sem sobressaltos.
“Não podemos falar em tendência de redução do volume de vendas do comércio por causa dessa queda agora. É uma variação, já que o setor tem oscilado desde o início do ano, então já tem esse fator de oscilação característico. E, segundo, porque em março estávamos no topo da série. Então, quando você está no topo, às vezes dá uma pequena diminuição, acontece. Não tem uma tendência negativa”, explica.
A economista do IBGE traz outro ponto de destaque do levantamento, que é o “lastro positivo” gerado pelo acumulado de crescimento do ano no Estado e no País, o qual cria uma “poupança” do varejo graças ao ápice de crescimento em fevereiro e março, quando se teve o recorde de 3% de alta somando os dois meses.
Ela observa que as quedas seguintes são naturais, em razão da taxa de comparação alta. “Exatamente porque extrapolou, chegou a um teto, a queda é quase uma coisa natural. Quando você chega em um auge, dificilmente consegue manter aquele patamar por muito tempo, então vai tendo quedas graduais”, destaca.
Compras essenciais
Já a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Fernanda Gonçalves, entende que a queda no comércio foi influenciada por fatores macroeconômicos fortes.
Outro detalhe destacado pela economista é que o consumidor está direcionando suas compras para artigos mais básicos, abandonando, no momento, bens mais duráveis.
“Conseguimos observar essa queda, essa contração no curto prazo, uma contração mais intensa do que a do Brasil, e conseguimos ver o consumo indo para bens essenciais. A gente vê um crescimento na atividade de farmacêuticos nesse mês em relação ao mês anterior em Minas Gerais, com um viés até mesmo devido à taxa de juros alta, que acaba dificultando o poder de acesso ao consumo. Então ela produz um ajustamento estrutural nesse padrão de consumo das famílias, que passa a assumir uma postura mais cautelosa, buscando principalmente preservar a saúde financeira, priorizando o consumo de bens essenciais”, comenta.
Fernanda Gonçalves reforça que a alta da inflação e a taxa de juros, que teve queda tímida recentemente, seguem influenciando negativamente o poder de compra, impactando o varejista.
“A alta taxa de juros e a inflação levam a um redirecionamento do consumo: passa-se a consumir mais bens necessários para o dia a dia e deixa-se para depois, pensando duas vezes, o consumo de produtos duráveis e semiduráveis”, completa.
Tarifaço
Apesar do acumulado positivo no ano e uma projeção de confiança do varejista, segundo pesquisa da própria Fecomércio, que indica que 70% dos empresários acham que vão vender mais no segundo semestre, um conhecido fato pode atrapalhar: o tarifaço dos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros e de outros países. Isso pode fazer com que as vendas cheguem mais caras ao consumidor final, impactando as vendas.
“Esse é um momento de preocupação, porque vem uma nova taxação, um tarifaço, e se alguém tiver estoque em dólar e não correr, provavelmente vai pagar muito mais caro, o que pode até afetar o rendimento do faturamento no segundo semestre”, comenta Fernanda Gonçalves, da Fecomércio.
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