Economia

13º salário e Black Friday impulsionam expectativa do varejo mineiro para o segundo semestre

Levantamento da Fecomércio MG revela otimismo de empresários com a entrada de recursos e datas comemorativas no segundo semestre
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13º salário e Black Friday impulsionam expectativa do varejo mineiro para o segundo semestre
Fecomércio MG foi a campo e ouviu 416 empresas de portes diferentes em várias regiões do Estado; otimismo está relacionado a datas mais tradicionais de boas vendas para o setor no segundo semestre | Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

Empresários mineiros do varejo entram no segundo semestre de 2026 otimistas. É o que revela um levantamento do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

A entidade foi a campo e fez um levantamento com 416 empresas em diferentes regiões do Estado. O resultado mostrou que a segunda parte de 2026 traz esperanças de dias melhores para o varejo. Cerca de 70,2% dos empresários do setor esperam vender mais entre julho e dezembro do que venderam no primeiro semestre.

A entrada de “dinheiro novo” em circulação, como restituições de imposto de renda, 13º salário e menos despesas obrigatórias (impostos, matrículas e materiais escolares) devem aliviar o bolso do mineiro, o que pode incentivar o consumo em geral. As datas comemorativas que tradicionalmente aquecem as vendas no varejo, no segundo semestre, como black friday, dia das crianças, natal e ano novo também devem contribuir para o incremento das vendas.

Esse pensamento é corroborado pela economista da Fecomércio-MG, Gabriela Martins, que entende ser um período do ano historicamente favorável ao varejo como um todo.

“Historicamente, o segundo semestre concentra fatores que ampliam a circulação de recursos na economia, como o pagamento do 13º salário, a restituição do imposto de renda e também a redução de despesas típicas do início do ano, como IPVA, IPTU e também gastos com materiais escolares. Isso aumenta a capacidade de consumo das famílias no segundo semestre e favorece de maneira direta o comércio varejista. Entre as justificativas para esse otimismo, destaca a percepção de que o segundo semestre tradicionalmente apresenta melhor desempenho, a influência das datas comemorativas e também a expectativa de aumento do poder de compra dos consumidores”, explica Gabriela.

Contas em dia e desafios

Mesmo com um primeiro semestre mais tímido, com crescimento moderado, a constância de consumo do público mineiro ajudou a manter as contas em dia do varejo, o que pode ter garantido fôlego para o segundo semestre, sem ônus financeiro elevado.

“O cenário do primeiro semestre foi de estabilidade, porém com resultados mistos. A maioria das empresas, 60,6%, informou que alcançou as expectativas de vendas no primeiro semestre de 2026, indicando que boa parte dos estabelecimentos varejistas de Minas Gerais conseguiram manter suas operações dentro do planejado. Por outro lado, 38,9% afirmaram que os resultados ficaram mais do esperado, o que demonstra que uma parcela relevante do varejo ainda enfrentou desafios para atingir suas margens e metas de faturamento. Além disso, quando comparamos ao mesmo período de 2025, apenas 24,8% dos empresários registraram aumento das vendas, enquanto 33,7% observaram queda, o que pode sugerir que a recuperação ocorreu de maneira diferente entre os segmentos e também entre empresas”, comenta Gabriela Martins.

A economista também destaca a resiliência e força do varejista mineiro, que lidou com dificuldades, algo normal para uma economia cheia de nuances e oscilações como a brasileira.

“As principais dificuldades relatadas pelos empresários no primeiro semestre estiveram relacionadas ao comportamento de consumo das famílias e também às condições financeiras do mercado. A cautela do consumidor foi apontada por 31,7% dos entrevistados como o principal fator que limitou as vendas, seguido pelo endividamento dos consumidores e também pela inflação” disse Gabriela, que aponta quais serão as preocupações para a metade final do ano de 2026.

“Para o segundo semestre, permanecem preocupações relacionadas ao preço elevado dos produtos, ao momento econômico do país, à inadimplência e ao endividamento dos consumidores, além da postura mais cautelosa do público nas decisões de compra”, completa.

Confiança

Em termos de confiança do varejista no cenário econômico, o levantamento da Fecomércio indica um resultado praticamente estável em relação ao ano passado. Em 2025, 74,7% dos empresários esperavam ainda melhores resultados no segundo semestre, enquanto que em 2026, como já citado acima, esse percentual ficou em 70,2%, uma redução de 4,5 pontos percentuais.

“Portanto, embora o otimismo permaneça elevado, ele está ligeiramente mais moderado do que observado no mesmo levantamento do ano anterior”, conclui a economista Gabriela Martins.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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