Minas tem 1,85 milhão de MEIs, segundo maior total do País, mas ocupa 9º lugar por habitante
Minas Gerais conta com 1.852.470 Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos no Brasil, o que deixa o Estado em posição de destaque no número absoluto nacional, atrás apenas de São Paulo. Os dados são do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com base em informações do Portal do Empreendedor, Receita Federal e pesquisas sobre o tema, divulgados nesta segunda-feira (13). Veja abaixo a posição de cada estado brasileiro:
| Posição | Unidade da Federação | MEI por mil habitantes | Proporção MEI |
| 1 | Santa Catarina | 106,1 | 10,61% |
| 2 | Rio de Janeiro | 104,8 | 10,48% |
| 3 | São Paulo | 103,5 | 10,35% |
| 4 | Espírito Santo | 100,3 | 10,03% |
| 5 | Paraná | 94,4 | 9,44% |
| 6 | Rio Grande do Sul | 92,8 | 9,28% |
| 7 | Distrito Federal | 91,8 | 9,18% |
| 8 | Goiás | 87,4 | 8,74% |
| 9 | Minas Gerais | 86,6 | 8,66% |
| 10 | Mato Grosso | 83,8 | 8,38% |
| 11 | Mato Grosso do Sul | 80,9 | 8,09% |
| 12 | Tocantins | 68,2 | 6,82% |
| 13 | Rondônia | 60,2 | 6,02% |
| 14 | Rio Grande do Norte | 57,6 | 5,76% |
| 15 | Bahia | 57,5 | 5,75% |
| 16 | Pernambuco | 54,5 | 5,45% |
| 17 | Paraíba | 53,5 | 5,35% |
| 18 | Ceará | 52,0 | 5,20% |
| 19 | Alagoas | 49,4 | 4,94% |
| 20 | Sergipe | 49,4 | 4,94% |
| 21 | Roraima | 43,0 | 4,30% |
| 22 | Amazonas | 42,9 | 4,29% |
| 23 | Pará | 39,6 | 3,96% |
| 24 | Piauí | 38,1 | 3,81% |
| 25 | Amapá | 36,2 | 3,62% |
| 26 | Acre | 34,8 | 3,48% |
| 27 | Maranhão | 28,2 | 2,82% |
Na análise por habitante, Minas fica em nono lugar
Quando analisada a quantidade de Microempreendedores Individuais em relação ao tamanho da população, Minas ocupa a nona posição nacional, segundo a entidade, com 86,6 MEIs para cada mil habitantes (8,66%), demonstrando a ampla presença desse modelo de negócio em praticamente todo o território mineiro.
O ranking é liderado por Santa Catarina, que registra 106,1 MEIs por mil habitantes (10,61%), seguida por Rio de Janeiro (104,8), São Paulo (103,5), Espírito Santo (100,3), Paraná (94,4), Rio Grande do Sul (92,8), Distrito Federal (91,8) e Goiás (87,4). O indicador demonstra que essas unidades da federação apresentam maior densidade de empreendedores formalizados, reflexo de economias diversificadas, forte presença dos setores de comércio e serviços e elevada cultura empreendedora.
Capilaridade do programa
Segundo a Fecomércio MG, a capilaridade do programa é expressiva: os 853 municípios mineiros possuem registros ativos de MEIs, o que reforça o alcance da política de formalização em diferentes regiões do Estado. Belo Horizonte lidera o ranking estadual com 296.169 microempreendedores formalizados, seguida por Uberlândia (88.200), Contagem (77.398), Juiz de Fora (59.136), Betim (46.678) e Montes Claros (37.995).
| Posição | Município | Total Optantes |
| 1 | Belo Horizonte | 296.169 |
| 2 | Uberlândia | 88.200 |
| 3 | Contagem | 77.398 |
| 4 | Juiz de Fora | 59.136 |
| 5 | Betim | 46.678 |
| 6 | Montes Claros | 37.995 |
| 7 | Ribeirão das Neves | 35.254 |
| 8 | Divinópolis | 30.902 |
| 9 | Uberaba | 29.967 |
| 10 | Governador Valadares | 29.523 |
| 11 | Ipatinga | 25.361 |
| 12 | Santa Luzia | 24.206 |
| 13 | Sete Lagoas | 23.271 |
| 14 | Nova Serrana | 19.994 |
| 15 | Ibirité | 18.961 |
| 16 | Poços de Caldas | 18.147 |
| 17 | Patos de Minas | 16.238 |
| 18 | Pouso Alegre | 15.019 |
| 19 | Varginha | 13.903 |
| 20 | Vespasiano | 13.826 |
Por setores
O levantamento mostra que o empreendedorismo formal permanece fortemente ligado ao setor terciário. Em Minas, 54,4% dos MEIs atuam no segmento de serviços e outros 23,7% desenvolvem atividades ligadas ao comércio, evidenciando a importância desses setores para a geração de emprego, renda e dinamização da economia local. Indústria (10,8%), construção civil (10,3%) e agropecuária (0,8%) completam a distribuição.
“O crescimento do número de MEIs demonstra que o empreendedorismo continua sendo uma importante alternativa de geração de renda e inclusão econômica. O programa permitiu que milhões de trabalhadores saíssem da informalidade, passassem a ter acesso à proteção previdenciária e conquistassem melhores condições para desenvolver seus negócios”, destaca o economista da Fecomércio MG, Henrique Braga.
Perfil dos microempreendedores
O perfil dos microempreendedores também revela tendências importantes. Em Minas Gerais, os homens representam 56% dos registros e as mulheres, 44%. Entre elas, predominam atividades ligadas aos segmentos de beleza, comércio de vestuário, alimentação e promoção de vendas. Já entre os homens destacam-se serviços de construção civil, transporte de cargas, transporte de passageiros e promoção de vendas.
A maior concentração de empreendedores está na faixa entre 31 e 40 anos (27,8%), seguida pelas idades de 41 a 50 anos (24,4%) e de 21 a 30 anos (20,1%). O estudo indica que o programa se consolidou, principalmente, entre pessoas em plena idade produtiva, que buscam empreender, complementar renda ou desenvolver atividades autônomas de forma regularizada.
Outra característica observada é a predominância dos estabelecimentos físicos. Cerca de 36,9% dos MEIs mineiros atuam em endereço fixo, enquanto 22,9% trabalham de forma itinerante, porta a porta ou em postos móveis. A internet aparece como o terceiro principal canal de atuação, utilizada por 18,5% dos empreendedores, confirmando a crescente digitalização dos pequenos negócios. Para Braga, a expansão do programa também reflete mudanças no mercado de trabalho e na forma como os brasileiros constroem sua renda.
| Forma Atuação | % em relação à UF |
| Estabelecimento fixo | 36,94% |
| Porta a Porta, postos móveis ou por ambulantes | 22,93% |
| Internet | 18,54% |
| Em local fixo, fora da loja | 11,34% |
| Televendas | 6,04% |
| Correios | 3,06% |
| Máquinas automáticas | 1,16% |
Empreendedores de outras nações
O levantamento também evidencia a diversidade do empreendedorismo em Minas Gerais. Embora 99,75% dos microempreendedores individuais sejam brasileiros, o Estado reúne empreendedores de diversas nacionalidades. Entre os estrangeiros, destacam-se os colombianos, que representam 22,43% desse grupo, seguidos pelos venezuelanos (19,45%), portugueses (5,91%), bolivianos (5,46%) e haitianos (5,37%).
| Nacionalidade | Nº. MEI | N° MEI (%) |
| Colombiana | 1.048 | 22,43% |
| Venezuelana | 909 | 19,45% |
| Portuguesa | 276 | 5,91% |
| Boliviana | 255 | 5,46% |
| Haitiana | 251 | 5,37% |
| Argentina | 222 | 4,75% |
| Cubana | 140 | 3,00% |
| Peruana | 125 | 2,67% |
| Chilena | 120 | 2,57% |
| Norte-americana | 115 | 2,46% |
A presença desses empreendedores demonstra que o programa também tem contribuído para a inclusão produtiva de imigrantes, ampliando sua participação na economia mineira e fortalecendo a diversidade do ambiente de negócios.
Microempreendedor Individual (MEI) foi criado em 2009
Criado em 2008 para incentivar a formalização de trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, o programa do Microempreendedor Individual (MEI) é uma das mais importantes políticas públicas voltadas ao empreendedorismo no Brasil. Em pouco mais de 17 anos, o número de registros saltou de 43,6 mil, em 2009, para mais de 17 milhões de microempreendedores ativos em 2026, o que evidencia o papel do programa na geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento dos pequenos negócios.
“O MEI estimula o empreendedorismo, amplia a arrecadação, fortalece o comércio e os serviços e cria oportunidades em praticamente todos os municípios do Estado. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de políticas permanentes de capacitação, acesso ao crédito e incentivo à inovação”, destaca o economista.
Embora os resultados sejam positivos, o levantamento chama atenção para desafios importantes. Um deles é a sustentabilidade do programa. Estudos apontam que apenas cerca de 38% dos microempreendedores mantêm suas contribuições previdenciárias em dia, cenário que exige maior conscientização sobre a importância da regularidade fiscal e previdenciária. Outro ponto é o aperfeiçoamento das políticas públicas para ampliar a qualificação profissional, facilitar o acesso ao crédito e fortalecer a gestão dos pequenos negócios.
“O fortalecimento do MEI passa pela educação empreendedora. Quanto maior o acesso à informação, gestão financeira e inovação, maiores são as chances de crescimento desses negócios, de geração de empregos e de desenvolvimento econômico regional”, afirma Braga.
O estudo conclui que o Microempreendedor Individual permanece como um dos principais instrumentos de formalização da economia brasileira, contribuindo para reduzir a informalidade, ampliar a produtividade e fortalecer, principalmente, os segmentos de comércio e serviços, responsáveis pela maior parte da atividade econômica do País.
O estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG teve como base, dados do Portal do Empreendedor e da Receita Federal, de junho de 2026, além das pesquisas “O impacto do programa Microempreendedor Individual no mercado de trabalho brasileiro”, de Ely e Uhr (2019), e “Análise do MEI: Evolução, características socioeconômicas e sustentabilidade fiscal”, de Veloso, Barbosa Filho e Peruchetti (2023). As análises também utilizam informações do IBGE e do Caged.
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