Economia

Minas tem 1,85 milhão de MEIs, segundo maior total do País, mas ocupa 9º lugar por habitante

Levantamento da Fecomércio MG mostra que todos os 853 municípios mineiros têm microempreendedores individuais ativos; serviços concentram mais da metade dos registros no Estado
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Minas tem 1,85 milhão de MEIs, segundo maior total do País, mas ocupa 9º lugar por habitante
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

Minas Gerais conta com 1.852.470 Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos no Brasil, o que deixa o Estado em posição de destaque no número absoluto nacional, atrás apenas de São Paulo. Os dados são do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com base em informações do Portal do Empreendedor, Receita Federal e pesquisas sobre o tema, divulgados nesta segunda-feira (13). Veja abaixo a posição de cada estado brasileiro:

PosiçãoUnidade da FederaçãoMEI por mil habitantesProporção MEI
1Santa Catarina106,110,61%
2Rio de Janeiro104,810,48%
3São Paulo103,510,35%
4Espírito Santo100,310,03%
5Paraná94,49,44%
6Rio Grande do Sul92,89,28%
7Distrito Federal91,89,18%
8Goiás87,48,74%
9Minas Gerais86,68,66%
10Mato Grosso83,88,38%
11Mato Grosso do Sul80,98,09%
12Tocantins68,26,82%
13Rondônia60,26,02%
14Rio Grande do Norte57,65,76%
15Bahia57,55,75%
16Pernambuco54,55,45%
17Paraíba53,55,35%
18Ceará52,05,20%
19Alagoas49,44,94%
20Sergipe49,44,94%
21Roraima43,04,30%
22Amazonas42,94,29%
23Pará39,63,96%
24Piauí38,13,81%
25Amapá36,23,62%
26Acre34,83,48%
27Maranhão28,22,82%

Na análise por habitante, Minas fica em nono lugar

Quando analisada a quantidade de Microempreendedores Individuais em relação ao tamanho da população, Minas ocupa a nona posição nacional, segundo a entidade, com 86,6 MEIs para cada mil habitantes (8,66%), demonstrando a ampla presença desse modelo de negócio em praticamente todo o território mineiro.

O ranking é liderado por Santa Catarina, que registra 106,1 MEIs por mil habitantes (10,61%), seguida por Rio de Janeiro (104,8), São Paulo (103,5), Espírito Santo (100,3), Paraná (94,4), Rio Grande do Sul (92,8), Distrito Federal (91,8) e Goiás (87,4). O indicador demonstra que essas unidades da federação apresentam maior densidade de empreendedores formalizados, reflexo de economias diversificadas, forte presença dos setores de comércio e serviços e elevada cultura empreendedora.

Capilaridade do programa

Segundo a Fecomércio MG, a capilaridade do programa é expressiva: os 853 municípios mineiros possuem registros ativos de MEIs, o que reforça o alcance da política de formalização em diferentes regiões do Estado. Belo Horizonte lidera o ranking estadual com 296.169 microempreendedores formalizados, seguida por Uberlândia (88.200), Contagem (77.398), Juiz de Fora (59.136), Betim (46.678) e Montes Claros (37.995).

PosiçãoMunicípioTotal Optantes
1Belo Horizonte296.169
2Uberlândia 88.200
3Contagem77.398
4Juiz de Fora59.136
5Betim46.678
6Montes Claros 37.995
7Ribeirão das Neves 35.254
8Divinópolis30.902
9Uberaba29.967
10Governador Valadares 29.523
11Ipatinga25.361
12Santa Luzia24.206
13Sete Lagoas23.271
14Nova Serrana19.994
15Ibirité18.961
16Poços de Caldas18.147
17Patos de Minas16.238
18Pouso Alegre 15.019
19Varginha13.903
20Vespasiano 13.826

Por setores

O levantamento mostra que o empreendedorismo formal permanece fortemente ligado ao setor terciário. Em Minas, 54,4% dos MEIs atuam no segmento de serviços e outros 23,7% desenvolvem atividades ligadas ao comércio, evidenciando a importância desses setores para a geração de emprego, renda e dinamização da economia local. Indústria (10,8%), construção civil (10,3%) e agropecuária (0,8%) completam a distribuição.

“O crescimento do número de MEIs demonstra que o empreendedorismo continua sendo uma importante alternativa de geração de renda e inclusão econômica. O programa permitiu que milhões de trabalhadores saíssem da informalidade, passassem a ter acesso à proteção previdenciária e conquistassem melhores condições para desenvolver seus negócios”, destaca o economista da Fecomércio MG, Henrique Braga.

Perfil dos microempreendedores

O perfil dos microempreendedores também revela tendências importantes. Em Minas Gerais, os homens representam 56% dos registros e as mulheres, 44%. Entre elas, predominam atividades ligadas aos segmentos de beleza, comércio de vestuário, alimentação e promoção de vendas. Já entre os homens destacam-se serviços de construção civil, transporte de cargas, transporte de passageiros e promoção de vendas.

A maior concentração de empreendedores está na faixa entre 31 e 40 anos (27,8%), seguida pelas idades de 41 a 50 anos (24,4%) e de 21 a 30 anos (20,1%). O estudo indica que o programa se consolidou, principalmente, entre pessoas em plena idade produtiva, que buscam empreender, complementar renda ou desenvolver atividades autônomas de forma regularizada.

Outra característica observada é a predominância dos estabelecimentos físicos. Cerca de 36,9% dos MEIs mineiros atuam em endereço fixo, enquanto 22,9% trabalham de forma itinerante, porta a porta ou em postos móveis. A internet aparece como o terceiro principal canal de atuação, utilizada por 18,5% dos empreendedores, confirmando a crescente digitalização dos pequenos negócios. Para Braga, a expansão do programa também reflete mudanças no mercado de trabalho e na forma como os brasileiros constroem sua renda.

Forma Atuação% em relação à UF
Estabelecimento fixo36,94%
Porta a Porta, postos móveis ou por ambulantes22,93%
Internet18,54%
Em local fixo, fora da loja11,34%
Televendas6,04%
Correios3,06%
Máquinas automáticas1,16%

Empreendedores de outras nações

O levantamento também evidencia a diversidade do empreendedorismo em Minas Gerais. Embora 99,75% dos microempreendedores individuais sejam brasileiros, o Estado reúne empreendedores de diversas nacionalidades. Entre os estrangeiros, destacam-se os colombianos, que representam 22,43% desse grupo, seguidos pelos venezuelanos (19,45%), portugueses (5,91%), bolivianos (5,46%) e haitianos (5,37%).

NacionalidadeNº. MEIN° MEI (%)
Colombiana1.04822,43%
Venezuelana 90919,45%
Portuguesa2765,91%
Boliviana2555,46%
Haitiana2515,37%
Argentina2224,75%
Cubana1403,00%
Peruana1252,67%
Chilena1202,57%
Norte-americana1152,46%

A presença desses empreendedores demonstra que o programa também tem contribuído para a inclusão produtiva de imigrantes, ampliando sua participação na economia mineira e fortalecendo a diversidade do ambiente de negócios.

Microempreendedor Individual (MEI) foi criado em 2009

Criado em 2008 para incentivar a formalização de trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, o programa do Microempreendedor Individual (MEI) é uma das mais importantes políticas públicas voltadas ao empreendedorismo no Brasil. Em pouco mais de 17 anos, o número de registros saltou de 43,6 mil, em 2009, para mais de 17 milhões de microempreendedores ativos em 2026, o que evidencia o papel do programa na geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento dos pequenos negócios.

“O MEI estimula o empreendedorismo, amplia a arrecadação, fortalece o comércio e os serviços e cria oportunidades em praticamente todos os municípios do Estado. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de políticas permanentes de capacitação, acesso ao crédito e incentivo à inovação”, destaca o economista.

Embora os resultados sejam positivos, o levantamento chama atenção para desafios importantes. Um deles é a sustentabilidade do programa. Estudos apontam que apenas cerca de 38% dos microempreendedores mantêm suas contribuições previdenciárias em dia, cenário que exige maior conscientização sobre a importância da regularidade fiscal e previdenciária. Outro ponto é o aperfeiçoamento das políticas públicas para ampliar a qualificação profissional, facilitar o acesso ao crédito e fortalecer a gestão dos pequenos negócios.

“O fortalecimento do MEI passa pela educação empreendedora. Quanto maior o acesso à informação, gestão financeira e inovação, maiores são as chances de crescimento desses negócios, de geração de empregos e de desenvolvimento econômico regional”, afirma Braga.

O estudo conclui que o Microempreendedor Individual permanece como um dos principais instrumentos de formalização da economia brasileira, contribuindo para reduzir a informalidade, ampliar a produtividade e fortalecer, principalmente, os segmentos de comércio e serviços, responsáveis pela maior parte da atividade econômica do País.

O estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG teve como base, dados do Portal do Empreendedor e da Receita Federal, de junho de 2026, além das pesquisas “O impacto do programa Microempreendedor Individual no mercado de trabalho brasileiro”, de Ely e Uhr (2019), e “Análise do MEI: Evolução, características socioeconômicas e sustentabilidade fiscal”, de Veloso, Barbosa Filho e Peruchetti (2023). As análises também utilizam informações do IBGE e do Caged.

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Sobre o autor

Anderson Rocha

Repórter multimídia do Diário do Comércio desde 2025. Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação Digital pela PUC Minas. Vencedor dos prêmios CNJ, Mercantil, Sebrae, CDL/BH e CBN de Jornalismo.

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