Complexo HoPE vai modernizar infraestrutura hospitalar de Minas
Durante décadas, a rede hospitalar pública de Minas Gerais cresceu de forma fragmentada, distribuída entre unidades antigas e pressionada pelo aumento da demanda por atendimentos de alta complexidade. Agora, o Estado prepara uma reorganização desse sistema com a implantação do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPE), na Gameleira, região Oeste de Belo Horizonte.
Com investimento previsto de R$ 2,4 bilhões, o projeto reunirá hospital, laboratório e serviços especializados em um único espaço voltado integralmente ao SUS, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento e modernizar a rede estadual.
O complexo deverá concentrar serviços atualmente distribuídos em diferentes unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A proposta prevê substituir estruturas hospitalares antigas que enfrentam limitações físicas e operacionais diante das demandas atuais e da crescente necessidade de atendimento especializado.
O HoPE foi planejado para integrar, em um único espaço, áreas estratégicas para a saúde pública, como oncologia, infectologia, hematologia, pediatria, dermatologia sanitária, maternidade e saúde da mulher. A nova estrutura também permitirá a oferta de serviços hoje inexistentes nessa configuração na rede, como cirurgias pediátricas, oncopediatria, oncohematologia, tratamento de doenças do sangue, dos órgãos hematopoiéticos e de alguns transtornos imunitários, transplante de medula óssea (TMO) e tratamento da endometriose.
A centralização dos serviços permitirá o compartilhamento de estruturas como centros cirúrgicos, laboratórios, farmácias e lavanderias hospitalares, com expectativa de otimizar processos internos e ampliar a eficiência operacional.
O projeto tem como objetivo incorporar tecnologias de infraestrutura hospitalar, automação e diagnóstico. O plano é criar uma estrutura preparada para atender padrões mais modernos de assistência médica, com ambientes planejados desde a origem para atividades de alta complexidade.
A localização do complexo, na região da Gameleira, foi definida a partir de fatores logísticos e de mobilidade. O empreendimento ficará próximo a estações de metrô e corredores viários importantes da capital mineira, o que deverá facilitar o acesso de pacientes, profissionais da saúde e fornecedores.
Modelo de PPP divide operação e assistência hospitalar
O projeto está sendo executado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), em modelo de concessão administrativa com duração de 30 anos. O modelo foi desenvolvido sob a coordenação da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra-MG), em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em articulação com a SES-MG. A estruturação técnica do projeto contou com apoio da Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial, referência global em modelagens de PPP.
Nesse formato, o parceiro privado ficará responsável pela construção, manutenção predial, aquisição de equipamentos e execução de serviços de apoio, enquanto o Estado continuará responsável pela assistência médica e gestão clínica.
Entre os serviços previstos sob responsabilidade da concessionária estão limpeza, segurança, alimentação, engenharia hospitalar e manutenção da estrutura física. Já médicos, enfermeiros e demais profissionais da assistência permanecerão vinculados ao Executivo estadual.
Segundo o governo de Minas Gerais, a adoção do modelo busca reduzir a fragmentação administrativa existente nas unidades hospitalares envolvidas. Atualmente, a gestão operacional demanda centenas de contratos separados para diferentes serviços. Com a nova estrutura, a proposta é concentrar essas atividades em um único contrato de concessão, permitindo maior integração operacional

Nova estrutura deve ampliar consultas e internações especializadas
A expectativa é que o Complexo HoPE represente aumento significativo na capacidade de atendimento especializado em Minas Gerais. O projeto compreende mais de 500 leitos hospitalares, incluindo 110 unidades de terapia intensiva (UTI), além de 60 consultórios e 13 salas cirúrgicas.
Com a nova estrutura, a previsão é ampliar em aproximadamente 45% o número de consultas especializadas realizadas atualmente pelas unidades envolvidas, chegando a cerca de 200 mil atendimentos por ano. As internações também deverão crescer, com expectativa de aumento de 60%, totalizando aproximadamente 30 mil procedimentos anuais.
A modelagem também prevê alas de internação flexíveis, capazes de permitir rápida ampliação de leitos em situações de sazonalidade, aumento excepcional de demanda ou pandemia.
A proposta inclui áreas destinadas a ensino, pesquisa e inovação em saúde, permitindo integração entre assistência hospitalar, formação profissional e desenvolvimento científico.
Outro eixo estratégico dentro do complexo será a atuação do Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG), da Fundação Ezequiel Dias (Funed), que terá nova sede no empreendimento. O laboratório desempenha papel importante no monitoramento epidemiológico, vigilância sanitária e diagnóstico laboratorial no Estado.
A estrutura prevista para o novo Lacen inclui sistemas automatizados e espaços modulares voltados à realização de exames e análises sanitárias em larga escala. A capacidade operacional estimada é de aproximadamente 1,5 milhão de exames laboratoriais e 375 mil análises sanitárias por ano.
A integração entre hospital e laboratório deverá agilizar diagnósticos e fortalecer a capacidade de resposta do Estado em situações de emergência epidemiológica, surtos e monitoramento de doenças infecciosas.
Leilão na B3 definiu grupo responsável pelo complexo
A concessão do Complexo HoPE foi definida em leilão realizado em setembro de 2025 na B3, em São Paulo. O vencedor foi o Consórcio Saúde HoPE, formado pelas empresas Integra Brasil, Oncomed e B2U Participações.
O grupo apresentou proposta com deságio de 13,03% em relação ao valor inicialmente previsto no edital, o que, segundo o governo estadual, poderá representar economia anual de aproximadamente R$ 43 milhões aos cofres públicos durante o período de concessão.
A estruturação técnica do projeto foi conduzida pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), com apoio da Corporação Financeira Internacional (IFC), vinculada ao Grupo Banco Mundial.
Do total previsto para o contrato, cerca de R$ 1,7 bilhão deverão ser destinados diretamente às obras, implantação da estrutura hospitalar e aquisição de equipamentos ao longo da concessão.
Parte dos recursos utilizados na viabilização do empreendimento é advinda do Termo de Medidas de Reparação, que tem como objetivo reparar os danos causados pelo rompimento das barragens da Vale S.A. em Brumadinho, que tirou a vida de 272 pessoas e gerou impactos sociais, ambientais e econômicos na bacia do Rio Paraopeba e em todo o Estado. O direcionamento dos investimentos para a área da saúde é apontado pelo governo estadual como uma das iniciativas estruturantes previstas no processo de compensação socioeconômica.
Com a implantação do complexo, Minas Gerais busca consolidar um novo modelo de infraestrutura hospitalar pública, reunindo atendimento especializado, tecnologia, pesquisa e gestão integrada em um único espaço voltado ao SUS.
HoPE em números
- Investimento previsto: R$ 2,4 bilhões;
- Modelo: Parceria Público-Privada (PPP) ;
- Prazo de concessão: 30 anos;
- Leitos hospitalares: mais de 500;
- Leitos de UTI: 110;
- Consultórios: 60;
- Salas cirúrgicas: 13;
- Consultas especializadas: aumento previsto de 45%, chegando a cerca de 200 mil por ano;
- Internações previstas: 30 mil por ano;
- Novos serviços prestados: cirurgias pediátricas, oncopediatria, oncohematologia, transplante de medula óssea e tratamento da endometriose;
- Estrutura assistencial: alas flexíveis para ampliação de leitos em situações de sazonalidade ou pandemia;
- Capacidade do Lacen-MG: 1,5 milhão de exames anuais;
- Atendimento: 100% pelo SUS.
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