Crédito: Eric Gonçalves

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de Minas Gerais atingiu 37,6 pontos em maio. Embora um pouco maior do que o registrado em abril, o número permanece em um nível historicamente baixo, agravado intensamente pela crise provocada pela disseminação do novo coronavírus (Covid-19).

O dado consta no levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O crescimento do Icei em maio na comparação com abril, quando o índice chegou a 33,4 pontos, foi de 4,2 pontos. Vale lembrar que os 50 pontos são a fronteira que separa a falta de confiança da confiança, o que ajuda a dar uma ideia do pessimismo dos empresários.

Nesse cenário, a expansão em maio em relação a abril não indica uma luz no fim do túnel. Conforme destaca a analista de estudos econômicos da Fiemg, Daniela Muniz, o fato nada mais é do que uma reacomodação dos números, algo normal de acontecer em situações como a que vivemos atualmente.

“Toda vez em que há um impacto negativo significativo na economia, tende a haver um impacto maior do Icei no primeiro mês. Depois, há uma reacomodação, pois os empresários fazem uma revisão das expectativas”, destaca.

O mesmo ocorre, inclusive, em relação a impactos positivos, lembra Daniela Muniz. “Quando acontece algo positivo, o Icei costuma ir lá em cima. Depois, reacomoda”, avalia.

Em outras bases de comparação, o Icei também revela o seu posicionamento bastante negativo no mês de maio. Para se ter uma ideia, em relação a igual período do ano anterior (56,7 pontos), a retração foi de 19,1 pontos. Já a média histórica é de 55,4 pontos. Vale lembrar que, no mês passado, o indicador chegou a apresentar uma queda de 26,8 pontos, sendo a maior retração da série histórica.

Componentes – O Icei é o resultado da ponderação entre os índices de expectativas e de condições atuais, que vão de 0 a 100 pontos.

O responsável pela expansão do Icei em maio foi o componente de expectativas, que aumentou 8,7 pontos na comparação entre este mês (41,5 pontos) e abril (32,8 pontos), mas ainda se encontra abaixo da linha dos 50 pontos. Isso mostra que os empresários estão pessimistas em relação às economias do Estado, do País e com os seus próprios negócios.

Os dados revelam ainda que o índice de expectativas apresentou uma queda de 20,3 pontos em maio em uma comparação com igual período de 2019 (61,8 pontos). O indicador já acumula uma retração de 25,7 pontos neste ano.

Ao contrário do que ocorreu com o componente de expectativas em maio na comparação com abril, o componente de condições atuais recuou 4,7 pontos na mesma base de comparação, passando de 34,5 pontos para 29,8 pontos. Em relação a maio do ano passado (46,4 pontos), a retração foi de 16,6 pontos.

Cenário atual e futuro – Daniela Muniz ressalta que as medidas de distanciamento social, adotadas como forma de combater o novo coronavírus (Covid-19), provocaram diversos impactos na economia, tanto do lado da oferta, com atividades paralisadas, quanto da demanda, com a diminuição de renda e aumento das incertezas.

“As estatísticas econômicas têm reafirmado a perspectiva de uma contração muito aguda das atividades em curto prazo. É um cenário sombrio. Alguns setores podem levar um bom tempo para se recuperar”, afirma.

Conforme a analista de estudos econômicos da Fiemg, há uma queda acentuada da economia e não se sabe até quando. “Vai depender muito das ações do governo federal, que já está agindo com redes de proteção, como os pagamentos aos informais e as medidas de proteção dos empregos. Todas essas ações vão minimizar os impactos na economia”, salienta ela.