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O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de Minas Gerais caiu 26,8 pontos em abril na comparação com março, passando de 60,2 pontos para 33,4 pontos. O recuo foi o maior já observado na série histórica mensal, que teve início em 2010.

Essa baixa, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), está relacionada à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Na comparação entre abril deste ano e o mesmo período de 2019 (57, 5 pontos), a queda do Icei foi de 24,1 pontos. Segundo a Fiemg, o índice voltou aos patamares verificados durante o período de recessão, entre 2015 e 2016.

Os dados da entidade também revelam que os números passaram a ficar abaixo dos 50 pontos – limite que separa a confiança da falta de confiança – depois de 20 meses consecutivos acima desse marco.

Conforme destaca a analista de estudos econômicos da Fiemg, Daniela Muniz, o cenário de isolamento social traz uma série de consequências, tanto pelo lado da oferta, com paralisações, quanto da demanda, o que também é um reflexo da diminuição da renda e do aumento das incertezas.

Histórico – Embora o novo coronavírus (Covid-19) já estivesse afetando outros países desde janeiro, diz Daniela Muniz, o fato ainda não havia impactado tanto a confiança dos empreendedores no Brasil. Isso porque “os efeitos estavam mais diluídos, mais ligados à demanda internacional e ao abastecimento de insumos importados para alguns setores”, afirma ela.

Porém, com o quadro de saúde agravado no País, a situação se modificou bastante economicamente. O Icei é o resultado da ponderação dos índices de expectativas e de condições atuais, que vão de 0 a 100 pontos. Para se ter uma ideia, o componente de condições atuais diminuiu 20,4 pontos em abril (34,5 pontos) em relação a março (54,9 pontos). Na comparação com abril de 2019 (48,9 pontos), a queda foi de 14,4 pontos.

O componente de expectativas, por sua vez, apresentou uma redução de 30 pontos em abril na comparação com março, passando de 62,8 pontos para 32,8 pontos. A queda sinaliza para o pessimismo em relação aos próximos seis meses. Foi verificado, ainda, um recuo de 29 pontos em abril deste ano em relação ao mesmo período de 2019 (61,8 pontos).

“Ainda é difícil saber quais serão todos os efeitos da pandemia. Mas, se permanecer por muito tempo, poderá desorganizar a indústria e impactar a cadeia de suprimentos. Alguns empreendimentos poderão diminuir as suas atividades ou mesmo paralisarem”, afirma Daniela Brito, ressaltando que essa será também uma consequência de uma enorme redução na demanda.

Em queda – De acordo com a analista de estudos econômicos da Fiemg, a queda na confiança dos empresários deverá permanecer nos próximos meses, enquanto persistirem os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). As incertezas, diz ela, deverão levar a um cenário de limitação dos investimentos produtivos.

Pessimismo em níveis recordes no Brasil

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que, em meio à pandemia do Covid-19, a confiança da indústria brasileira é a mais baixa da história. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrou queda recorde de 25,8 pontos e ficou em 34,5 pontos, numa escala de 0 a 100. É o menor patamar e a maior baixa da série histórica iniciada em 2010. O índice também já havia recuado em fevereiro e março; o recuo acumulado foi de 30,8 pontos.

“A queda na confiança dos empresários pode contribuir para a paralisação dos investimentos, ou seja, para o agravamento da crise econômica”, avalia o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

“Há dificuldades no fluxo de insumos, mercadorias e trabalhadores e as medidas de isolamento social e o consequente “desaparecimento do consumidor” resultou em forte queda na receita das empresas”, explica o relatório técnico do Icei, que também pontua a redução e o encarecimento do crédito, enquanto as despesas fixas continuam.

Antes da queda de 25,8 pontos, registrada entre março e abril, o maior recuo num único mês havia sido de 5,8 pontos, em junho de 2018, como consequência da greve dos caminhoneiros. A atual redução traduz o cenário atual de queda forte contração na atividade e elevada incerteza em razão da pandemia do Covid-19.

O Icei é o resultado de dois componentes: as condições atuais e as expectativas. A queda registrada no último mês está mais relacionada com as expectativas que são negativas e geram incertezas do que com As condições atuais, que são de redução da atividade até o momento.

O índice de Condições Atuais caiu 20,2 pontos, para 34,1 pontos, enquanto o índice de Expectativas, caiu 28,6 pontos, para 34,7 pontos.

A queda da confiança é generalizada entre as regiões geográficas do Brasil, mas é mais sentida entre os empresários da Região Sul, cujo índice acumulou uma queda de 34,6 pontos entre janeiro e abril. No Norte foi registrada a menor queda na mesma base de comparação, mas ainda significativa, de 26,8 pontos.

De acordo com a CNI, a falta de confiança alcança todos os setores de atividade industrial. O indicador de confiança é menor entre os empresários da Indústria de Transformação (34,3 pontos) e de Construção (34,8 pontos) e um pouco maior entre os da Indústria Extrativa (39,1 pontos).

Entre os setores da Indústria de Transformação, aqueles com maiores indicadores de confiança são Perfumaria, sabões, detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal; Farmoquímicos e farmacêuticos; e Alimentos, com índices de, respectivamente, 42,9 pontos; 42,4 pontos; e 40,5 pontos.

No outro extremo, temos produtores de bens de consumo duráveis como Móveis (26,0 pontos), Vestuário e acessórios (29,1 pontos), Calçados e suas partes (29,4 pontos) e Produtos têxteis (30,0 pontos). (Com informações da CNI)