Confiança industrial em Minas Gerais segue abaixo de 50 pontos em abril
A manutenção das taxas de juros em patamar elevado, a inflação e o conflito do Oriente Médio têm sido os motivos para a confiança do empresário permanecer abaixo dos 50 pontos pelo 17º mês consecutivo. De acordo com os números divulgados nesta quinta-feira (16) pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG) registrou 46,2 pontos em abril, apresentando uma elevação de 1,4 ponto em relação a março (44,8 pontos).
Apesar do aumento, que reflete uma redução do pessimismo entre os industriais mineiros, o indicador permaneceu abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. Segundo a economista da entidade, Daniela Muniz, isso evidencia a continuidade de um ambiente de cautela entre os industriais do Estado.
Na comparação com abril do ano passado (45,9 pontos), o índice registrou pequeno crescimento, de 0,3 ponto, alta que Daniela Muniz considera muito pequena, indicando estabilidade. Isso porque o indicador manteve os seis pontos abaixo da média histórica, que é de 52,2 pontos. “O índice permaneceu praticamente igual. A alta não foi suficiente para reverter o quadro de baixa confiança”, afirma a economista.
Segundo ela, o contexto de início de um ciclo de flexibilização da política monetária, ainda que moderado, contribuiu para uma visão relativamente mais favorável no horizonte dos próximos meses. Mas, ainda assim, o ambiente macroeconômico segue desafiador.
A manutenção das taxas de juros em patamar elevado e a maior seletividade do crédito continuam limitando o avanço do consumo e dos investimentos produtivos. Além disso, a inflação permanece como ponto de atenção, sobretudo diante dos conflitos no Oriente Médio, que envolvem países relevantes na produção de petróleo. “Isso eleva o risco de pressão sobre os preços dos combustíveis e seus efeitos sobre os custos de produção”, avalia.
Pessimismo para os próximos meses tem redução
O resultado regional vai em linha com o nacional, que também apresentou retração de 1,4 ponto percentual, ao cair de 46,6 pontos em março para 45,2 pontos em abril. “Assim como no Estado, o indicador brasileiro permanece abaixo dos 50 pontos há mais de um ano, totalizando 16 meses consecutivos de falta de confiança entre os empresários da indústria”, acrescenta.
Quando analisadas as condições dos subíndices que compõem o índice total, sendo eles o de condições atuais e o de expectativas, que revelam percepções dos seis meses anteriores e dos próximos seis meses, respectivamente, o que é observado é que, em abril, o componente de condições atuais (39,9 pontos) recuou 1,5 ponto frente a março (41,4 pontos). Em relação a abril de 2025 (39,4 pontos), houve avanço de 0,5 ponto. “Esse desempenho sinaliza que os industriais mantêm uma percepção desfavorável tanto sobre a situação da economia, nos âmbitos nacional e estadual, quanto sobre seus próprios negócios”, observa Daniela Muniz.
O componente de expectativas dos industriais para os próximos seis meses registrou 49,3 pontos em abril, aumento de 2,8 pontos frente a março (46,5 pontos). “Embora o pessimismo tenha sido menos intenso, o indicador permaneceu no patamar de expectativas negativas pelo terceiro mês consecutivo”, comenta. Na comparação com abril de 2025 (49,2 pontos), o índice ficou relativamente estável.
Em suma, a economista da Fiemg pontua que, apesar da melhora da confiança no mês de abril deste ano, puxada pela redução do pessimismo em relação aos próximos seis meses, o setor ainda não pode ser considerado otimista. Segundo Daniela Muniz, a melhora observada é a chamada “melhora marginal” e não altera o diagnóstico predominante entre os industriais, que continuam operando com prudência diante do ambiente econômico. “As expectativas permanecem negativas e não indicam, por ora, uma retomada sólida da confiança industrial em Minas Gerais”, conclui.
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