Confiança do industrial mineiro avança em maio, mas cautela persiste há 18 meses
A cautela do industrial mineiro se mantém em níveis elevados em maio, segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (ICEI-MG), da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Todavia, houve uma leve melhora de 0,3 ponto na confiança empresarial em relação a abril, passando de 46,3 pontos para 46,5 pontos.
Apesar de o índice permanecer abaixo dos 50 pontos no geral, três dos cinco primeiros meses de 2026 registraram melhora da confiança macroeconômica pelo empresariado.
“Esse pequeno avanço mensal do índice de confiança refletiu a melhora da percepção sobre as condições atuais da economia e dos próprios negócios, possivelmente associada a um desempenho mais favorável da atividade industrial no início de 2026. Já temos alguns indicadores que estão mostrando uma certa melhora na economia e na indústria agora no início do ano, então isso deve ter influenciado essa pequena melhora na percepção”, disse a coordenadora técnica da gerência de economia da Fiemg, Daniela Araújo.
“Apesar desse aumento no indicador, ele continuou abaixo da linha de 50 pontos, que é o limite entre confiança e falta de confiança, e permaneceu abaixo dessa linha pelo 18º mês consecutivo. Isso sinaliza a continuidade de um ambiente de cautela entre os industriais mineiros. A falta de confiança já perdura por 18 meses seguidos”, completou Daniela.
Contratempos conhecidos
O contexto internacional complexo, como a Guerra do Irã, e o cenário econômico interno incerto, mesmo com pequenas evoluções, continuam sendo os principais obstáculos para o empresário da indústria mineira.
“Temos um patamar ainda elevado das taxas de juros e um cenário externo complexo. Isso afeta a indústria por dois canais centrais: inibe o consumo, especialmente de bens duráveis, e inibe os investimentos produtivos, tornando as alternativas em aplicações financeiras mais atrativas e menos arriscadas. Além disso, o ambiente recente tem sido marcado por crédito mais restrito, decorrente justamente da questão dos juros”, comentou Daniela Araújo.
Expectativas
Com o primeiro trimestre encerrado, período caracterizado pela alta carga de obrigações financeiras para empresas e pessoas físicas, sobretudo tributárias, a perspectiva de novo fôlego no fluxo de caixa pode aliviar a pressão sobre o consumo e gerar um movimento positivo para a indústria nos próximos meses. É o que acredita a coordenadora técnica da gerência de economia da Fiemg, Daniela Araújo.
“Temos uma perspectiva de melhora da confiança nos próximos meses porque, nos cinco primeiros meses do ano, houve alguns meses com pequena recuperação. Embora, como sempre ressalto, o índice ainda esteja abaixo dos 50 pontos, que representa a falta de confiança. Essa recuperação vai depender muito da queda da inflação, da continuidade do ciclo de redução dos juros e de uma maior estabilidade no comércio internacional”, concluiu.
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