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Agravamento da crise no Oriente Médio pode resultar em escalada nos preços do petróleo - Crédito: Nazanin Tabatabaee - Reuters

Uma recessão mundial. Essa pode ser uma das consequências mais graves para a economia caso os conflitos no Oriente Médio se agravem ainda mais. Na sexta-feira (3), quando um ataque aéreo dos Estados Unidos em Bagdá, no Iraque, matou o general Qassem Soleimani, o preço do petróleo já havia apresentado crescimento. Somente na primeira hora após a divulgação da morte do líder iraniano, a alta do produto no mercado internacional já havia chegado a 4%.

No entanto, embora, na pior das hipóteses, um cenário econômico desastroso possa vir pela frente na opinião de alguns especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, outros já afirmam que é cedo para falar qualquer coisa. E mais: pode ser até que certas situações melhorem por um período, segundo o presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

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“Teoricamente, em um primeiro momento, a situação pode beneficiar o País. Brasil e Estados Unidos são dois grandes fornecedores mundiais de commodities, sobretudo do agronegócio. Os EUA têm uma presença muito marcante naquela região. Agora, pode haver certo afastamento dos EUA por parte dos árabes, o que os fariam buscar novos mercados, como o Brasil”, diz ele.

No caso específico de Minas Gerais, destaca José Augusto de Castro, o Estado poderia se beneficiar com exportações de produtos como soja e milho, por exemplo. Para se ter uma ideia, entre janeiro e novembro do ano passado, os embarques mineiros para o Oriente Médio movimentaram US$ 1,541 bilhão, de acordo com dados do Ministério da Economia.

Já em relação ao minério de ferro, produto abundante em Minas Gerais, não deve haver impactos, uma vez que, destaca o presidente da AEB, alguns dos países que mais importam o produto são China, Malásia e Japão.

Porém, tudo ainda é muito incerto nesse cenário. “É cedo para falar. Dependendo da extensão do ocorrido, pode ser que as cotações de commodities caiam, que o petróleo suba mais, que o mundo desacelere economicamente. Pode haver até mesmo uma recessão em hipóteses mais drásticas”, afirma José Augusto de Castro.

A mesma visão de cautela em relação ao assunto foi dada por Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. De acordo com ele, até o momento, há mais perguntas do que respostas. Não se sabe ao certo quais serão os desdobramentos do ataque, embora, frisa ele, o acontecimento tenha sido, sim, bastante significativo.

“Há um cenário ainda muito aberto. O mercado teve uma posição mais pragmática com isso tudo: ainda não teve uma reação. Hoje, sexta-feira (dia do ataque), está sendo um dia normal de mercado”, salienta ele.

Preocupação – Embora em um primeiro momento as coisas ainda estejam nos eixos, o professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, frisa que a preocupação se dará se houver um agravamento da situação política. Com isso, o preço do barril do petróleo pode continuar em um patamar elevado, acarretando uma série de consequências.

“Se a Petrobras mantiver a política de repasse dos últimos anos, poderá haver novos aumentos de preços da gasolina, dos derivados de petróleo, o que afeta o transporte urbano e custos de frete, por exemplo, resultando em um impacto inflacionário. A inflação brasileira está em um nível baixo, haveria espaço, mas o aumento é sempre indesejado”, afirma.

Além disso, a situação no Oriente Médio, segundo ele, pode ser mais um elemento que provoque incerteza no mercado, gerando a redução de entradas de capitais no Brasil e até mesmo atrapalhando a retomada do crescimento no País.

A fuga de capitais também foi algo destacado pelo Estrategista-Chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, caso a situação se agrave no Oriente Médio. “Em momentos de incertezas, os grandes investidores gostam de colocar dinheiro onde não se corre risco algum”, diz ele.

No entanto, o profissional conclui que “os mercados estão em um compasso de espera. No montante geral, as coisas ainda não se agravaram”.

Petrobras vai aguardar para anunciar reajustes

São Paulo – O mercado diz acreditar que a Petrobras vai esperar antes de definir por reajustes nos preços dos combustíveis para responder à escalada das cotações internacionais após o assassinato do general iraniano Qassim Soleimani na madrugada de sexta-feira (3).

A cotação do petróleo Brent, negociado em Londres, chegou a subir mais de 4% no início do pregão, diante de temores de que a instabilidade no Oriente Médio tenha impactos na oferta global.

A expectativa é que a companhia tenha a mesma postura adotada depois dos ataques a refinaria na Arábia Saudita, em setembro, quando esperou por dois dias a definição de novos patamares de preços. Naquela ocasião, o preço da gasolina subiu 3,5% e o do diesel, 4,2%.

“O [presidente da Petrobras] Roberto Castello Branco mudou a política de reajustes diários e deve esperar mais um pouco para ver como se comportam os preços internacionais”, diz o analista Pedro Galdi, da Mirae Asset Wealth Management.

“Acho que a Petrobras deve aumentar seus preços no início da próxima semana, quando estiver estabelecido novo patamar, sem muita especulação”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.

A Petrobras reajustou a gasolina pela última vez no dia 27 de novembro, com alta de 4%. Já o preço do diesel foi elevado em 3% no dia 21 de dezembro – foi o terceiro aumento em pouco mais de um mês.

Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), na semana antes do Natal os preços dos dois produtos custavam mais caro nas refinarias da Petrobras do que no mercado internacional. Araújo diz que hoje, no entanto, não há mais margem.

Em entrevista na manhã de sexta, o presidente Jair Bolsonaro reconheceu que os preços estão altos e admitiu que deve haver impactos da escalada das cotações do petróleo. Ele afirmou que conversaria com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o presidente da Petrobras sobre o tema.

A política de preços da estatal prevê o acompanhamento de um conceito conhecido como paridade de importação, que inclui as cotações internacionais do petróleo, a taxa de câmbio e custos para trazer os produtos ao País.

Para o analista da Oanda Edward Moya, as cotações do Brent devem ultrapassar os US$ 70 (R$ 283, ao câmbio atual) na semana que vem e pode se manter nesse patamar, já que o mercado pode começar a trabalhar com a possibilidade de conflito militar “limitado” nas próximas semanas.

O cenário tornaria inevitável um reajuste nos preços internos dos combustíveis. A manutenção do petróleo em patamares mais altos, diz Galdi, gera inflação e pode alterar planos dos bancos centrais ao redor do mundo. (Folhapress)

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