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Considerada atividade essencial em Minas Gerais, a construção civil não parou desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Estado e no País. Os números em relação ao segmento revelam que o setor praticamente não sofreu, tanto no que diz respeito aos aspectos econômicos quanto de saúde. A área, porém, já não é mais a mesma e opera sob rígidas regras de segurança.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Linhares, até o momento nenhuma contaminação pela doença foi notificada ao sindicato no que diz respeito às obras de sua abrangência.

Por outro lado, 73% das empresas associadas operam atualmente com mais de 50% da sua capacidade. “Além disso, as demissões em abril deste ano foram 8,5% menores na comparação com abril de 2019”, salienta ele.

Atualmente, a área conta com 40 mil postos de trabalho diretos e indiretos, sendo que, ainda de acordo com os dados do Sinduscon-MG, 76,7% das organizações associadas não realizaram demissões durante a pandemia. “Também tivemos poucas práticas em relação à suspensão de contratos e de férias coletivas, sobretudo na ponta”, afirma Geraldo Linhares.

Contudo, o setor, hoje, tem cerca de 15% de seu efetivo parado por pertencer aos grupos de risco para o novo coronavírus (Covid-19), o que ajudou a diminuir o ritmo normal das obras. Atualmente, são aproximadamente 250 canteiros de obras em atividade, nos 550 municípios que o Sinduscon-MG abrange.

Mercado – Apesar de estar em plena atividade, alguns números relacionados à construção civil sofreram queda. A velocidade de vendas, diz Geraldo Linhares, caiu, por uma série de motivos. Um deles tem a ver com os stands e lojas de vendas fechados – o que tem sido contornado, atualmente, com as comercializações on-line. Além disso, há também os próprios reflexos do baque na economia como um todo.

Geraldo Linhares estima que no que diz respeito às vendas na categoria Minha casa, minha vida, por exemplo, o recuo foi de aproximadamente 20%. No entanto, as comercializações continuam acontecendo, sobretudo por causa das taxas de juros mais baixas atualmente no Brasil, o que favorece os financiamentos.

Além disso, afirma ele, os lançamentos também não pararam e a maior parte das empresas espera realizar mais alguns ainda neste ano, por volta do quarto trimestre.
Diante de todo esse cenário, Geraldo Linhares acredita que o setor de construção civil será a máquina propulsora da retomada da economia no Estado e no País.

Entre os motivos para essa crença, defende ele, está o fato de que o segmento alimenta 97 outros setores. Além disso, tem condições de dar empregos de imediato. A área tem ainda a possibilidade de empregar pessoas que não têm experiência profissional.
“Nosso recado é de otimismo. Precisamos ter responsabilidade e acreditar”, salienta o presidente do Sinduscon-MG.

Segurança – Para que tudo ocorra bem, as empresas do setor têm investido em várias medidas de segurança. A construtora QBHZ, por exemplo, atualmente atua na reforma do oitavo andar do Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte. Entre as ações realizadas pelo empreendimento, está a instalação de um elevador externo para utilização dos colaboradores da obra, monitoramento de temperatura corporal, higienização e disponibilização de itens que ajudam a combater a propagação da doença, entre outros.

“Também estamos conversando bastante com as pessoas. Hoje, nós temos uma incidência muito grande em relação à limpeza, higienização das mãos e cuidados pessoais. Mostramos sempre que, se uma pessoa for contaminada, poderá prejudicar muitas outras”, destaca o engenheiro civil da empresa, Celso Braga, responsável pela obra no Hospital das Clínicas.

A conscientização, prossegue Celso Braga, também é trabalhada em relação aos cuidados que os profissionais devem ter em todos os demais lugares em que estarão, inclusive nos transportes públicos. Para os trajetos, eles recebem kits de higiene diariamente, com máscara e luva.

Para que o setor de construção chegasse a esse estágio, contudo, precisou passar por um período de adaptação.

O gerente de RH do Grupo Patrimar, Silvano Aragão, destaca que as ações diante da notícia de pandemia do novo coronavírus (Covid-19) foram imediatas, mas mais complexas no começo. Foram adotadas medidas de comunicação para estimular o autocuidado.“No início, foi difícil. Depois de uns 15 dias, o comportamento das pessoas passou a ser outro”, diz.

Silvano Aragão destaca que, posteriormente, os próprios colegas passaram a chamar a atenção uns dos outros ao presenciarem alguém fazendo algo inadequado, como utilizando máscara da forma errada.

Entre as ações adotadas pela empresa, além das regras de higiene e de distanciamento social, estão a redução do número de colaboradores durante os turnos de trabalho, a substituição de bebedouros por squeezes, adoção de lava-pés com água clorada, entre outros.