Apesar do apelo das datas comemorativas, comércio em Minas ainda tem receio quanto aos efeitos da pandemia no consumo | CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

A crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) vai afetar a contratação de temporários pelos setores de comércio e serviços em Minas Gerais em 2020. Nem mesmo as expectativas quanto à Black Friday e Natal – principais datas para o varejo em termos de vendas – estão sendo capazes de elevar os números, que em nível nacional são os menores dos últimos cinco anos.

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC) indica que todas as unidades da Federação deverão apresentar menos oportunidades de empregos temporários no comércio varejista neste final ano. A projeção para Minas Gerais é da criação de 8,33 mil oportunidades, contra 10 mil apuradas no exercício passado.

Junto com Minas, São Paulo (17,90 mil), Rio de Janeiro (6,92 mil) e Rio Grande do Sul (6,02 mil) concentrarão mais da metade (55%) das vagas a serem criadas no País.

De maneira complementar, levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio) indica que 11,4% das empresas do Estado pretendem contratar temporários nos últimos meses do ano. Porém, o número é 5 pontos percentuais menor que o do ano passado, quando 16,4% dos empresários mineiros planejaram contratar temporários, a fim de atender a alta demanda do período.

Para a economista da entidade, Bárbara Guimarães, embora parte dos empresários consultados esteja otimista com a demanda dos próximos meses, há uma cautela em relação ao cenário adverso, já que os impactos econômicos da pandemia permanecem quanto ao desemprego e achatamento da renda.

“As pessoas não estão tão dispostas a comprar. Por isso, os empresários também estão limitando as contratações. De qualquer maneira, haverá criação de vagas e, inclusive, possibilidade de efetivação de funcionários”, ressaltou.

Maiores demandas – Conforme a pesquisa, entre os empresários que contrataram temporários no ano passado, 81,8% devem manter o número de vagas ofertadas em 2019. A maioria desses postos de trabalho está distribuída entre vendedores (62,5%), operadores de caixa (10,4%), outros cargos como montador de móveis e freelancers (8,3%), motoboys/motoristas (6,3%) e balconistas (4,2%).

Já os segmentos de tecido, vestuário e calçados (24,5%); materiais de construção (18,2%); livros, jornais, revistas e papelaria (11,1%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (6,7%) serão aqueles com mais admissões.

“Em virtude das medidas de distanciamento social, muitos empresários recorreram ao delivery para manter o funcionamento de suas atividades. Agora, com a liberação das atividades e o retorno de grande parte do comércio, muitas empresas que adotaram a modalidade como uma opção a mantiveram como um diferencial na prestação de serviços. A modalidade até se destacou entre as ofertas”, ressaltou.

Entre os empresários ouvidos, 22,8% têm interesse em contratar os temporários para o quadro fixo da empresa, efetivando-os entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

Entre as empresas que não irão admitir funcionários nos próximos meses, os motivos mais citados foram o fato de já possuírem um quadro fixo ou completo de funcionários (19,8%), e não terem movimento suficiente que justifique a contratação, além de conviverem com vendas em baixa no comércio (17,7%).