Copa do Mundo aquece mercado de trabalho temporário; empresas flexíveis ganham atratividade
Além de movimentar torcidas, comércio e consumo, a Copa do Mundo também gera impactos importantes no mercado de trabalho. Uma pesquisa inédita realizada pelo Infojobs, plataforma de empregos da Redarbor Brasil, revela que 65,1% dos respondentes afirmam que pretendem buscar vagas temporárias durante a Copa do Mundo.
Além disso, 64,8% acreditam que grandes eventos como o torneio aumentam suas chances de conseguir um emprego, sendo que 47,1% consideram que as oportunidades aumentam significativamente.
O levantamento também aponta que períodos de grandes eventos esportivos impulsionam contratações temporárias em áreas como comércio, alimentação, hotelaria, logística, atendimento ao cliente e eventos.
Para a gerente sênior da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, Hosana Azevedo, a Copa do Mundo cria um ambiente favorável para movimentações profissionais.
“Grandes eventos costumam aquecer determinados segmentos da economia, gerando aumento na demanda por mão de obra temporária. Para muitos profissionais, esse pode ser um caminho para conquistar renda extra, adquirir experiência ou até abrir portas para futuras contratações efetivas”, afirma.
Bares e restaurantes reforçam equipes para atender à demanda
Proprietário de quatro operações no segmento de alimentação fora do lar em Belo Horizonte — o Bebedouro Bar & Fogo, com unidades nos bairros São Luiz (região da Pampulha) e Olhos d’Água (região Oeste); o Porks e o Quermesse, ambos na Praça Tiradentes, no bairro Funcionários (região Centro-Sul); e o Balcão Savassi, também na região Centro-Sul —, o empresário Diogo Manfredini afirma que o quadro de funcionários nas casas aumenta cerca de 66% em dias de jogos do Brasil, passando de 120 para 200 colaboradores.
“Os profissionais temporários ocupam diversas funções, entre elas garçom, cozinheiro, barman e recepcionista”, conta.
Flexibilidade influencia percepção dos candidatos
A pesquisa do Infojobs também mostra que a forma como as empresas conduzem a rotina durante eventos de grande mobilização nacional pode impactar sua atratividade perante os profissionais.
Segundo o levantamento, 70,4% dos respondentes consideram mais atraentes as empresas que flexibilizam a jornada em momentos como a Copa do Mundo. Desse total, 54,6% afirmam que essas organizações se tornam muito mais atraentes como potenciais empregadoras. Já entre aqueles que estão trabalhando atualmente, a preferência em dias de jogos da Seleção Brasileira é por modelos flexíveis. (veja mais dados no infográfico abaixo).

O que a legislação permite nos dias de partidas da seleção
A professora da Faculdade Milton Campos e especialista em Direito Trabalhista, Laura Diamantino Tostes, explica que as empresas não são obrigadas a dispensar os colaboradores ou flexibilizar a jornada, por ocasião dos jogos da Copa do Mundo. “Elas podem liberar os empregados do trabalho, por mera liberalidade, pagando normalmente o salário do período, computando o período como se estivesse o empregado trabalhando. Uma alternativa é o cômputo do período do banco de horas ou de outro sistema de compensação adotado pela empresa”, esclarece.
O ideal, segundo a especialista, é que a empresa formalize, por escrito, a regra adotada, para deixar claro que se trata de uma hipótese excepcional, de dispensa do trabalho com o pagamento do salário ou de compensação das horas. “A empresa também deve analisar se as normas coletivas da categoria estabeleceram alguma regra para o período”, destaca.
Hosana complementa Laura afirmando que o colaborador tende a compreender limitações operacionais quando elas são comunicadas com transparência. “O que costuma gerar desconforto é a falta de previsibilidade ou a percepção de tratamento desigual entre áreas”, conclui.
Ouça a rádio de Minas