Brasil x Japão pode derrubar demanda por energia em 20% durante a partida
Marcado para a próxima segunda-feira (29), às 14h, o jogo da Seleção Brasileira contra o Japão, na segunda fase da Copa do Mundo 2026, deve provocar uma redução de 20% no consumo de energia elétrica durante a partida. A projeção é da gerência de energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
O horário da partida, segundo a instituição, também amplia a atenção sobre a operação do sistema elétrico, já que coincide com um dos períodos de maior geração de energia solar fotovoltaica no País.
Na prática, conforme a Fiemg, a queda não representa falta de energia. O que ocorre é uma mudança brusca no comportamento de consumo. “Quando o Brasil entra em campo, indústrias reduzem processos, parte do comércio fecha temporariamente e milhões de pessoas interrompem suas rotinas para assistir ao jogo. Nos três jogos anteriores, a redução foi de aproximadamente 9% contra o Marrocos, 10% contra o Haiti e 14% contra a Escócia”, afirma a Federação. Os percentuais são consolidados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). (Veja tabela abaixo).
Picos de demanda desafiam operação da rede
Segundo o coordenador de atendimentos e negócios em energia da Fiemg, Sérgio Pacata, o ponto de atenção sobre o fenômeno não é apenas a queda no consumo durante o jogo, mas a velocidade com que a demanda volta a subir no intervalo e após o apito final.
“No intervalo do jogo contra a Escócia, a demanda subiu quase seis gigawatts em apenas nove minutos. Para se ter uma ideia da dimensão, é como se o sistema tivesse que absorver, em poucos minutos, um volume de consumo próximo ao de um Estado como o Rio de Janeiro”, explica.

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Pacata acrescenta que após o fim da partida, a retomada foi ainda maior, chegando a quase nove gigawatts em 18 minutos, algo comparável ao consumo de Minas Gerais. “Essas variações exigem uma resposta muito rápida da operação do sistema elétrico”, diz.
Jogo em horário comercial amplia complexidade da operação
A partida da próxima segunda-feira (29), segundo a Fiemg, traz um fator adicional: será disputada às 14h, em horário comercial e em um dos períodos de maior geração solar fotovoltaica no Brasil. Com isso, a estimativa é que a queda na demanda seja mais acentuada do que nos jogos anteriores.
“Desta vez, a partida acontece em um horário em que indústria e comércio normalmente estão em atividade. Ao mesmo tempo, o sistema terá alta geração solar. O desafio é equilibrar uma oferta elevada de energia com uma redução forte do consumo”, afirma o executivo.
Cemig monitora consumo, mas não divulga projeções
Procurada pela reportagem do Diário do Comércio, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) afirmou que, historicamente, também observa mudanças no comportamento da carga elétrica durante os jogos da Seleção Brasileira. “Antes e durante as partidas, é comum ocorrer redução do consumo em função da alteração na rotina de residências, comércios e indústrias. No entanto, a companhia não divulga estimativas específicas de redução da demanda para cada partida, uma vez que esse comportamento varia de acordo com fatores como horário do jogo, condições climáticas, funcionamento do comércio e perfil de consumo da população”, informou a estatal em nota.
Quanto às estimativas de redução no consumo de energia elétrica durante o confronto entre Brasil e Japão, a empresa informa que por se tratar de uma partida realizada em horário comercial, a expectativa é de que haja alteração no comportamento da carga elétrica, principalmente em função da mudança na rotina de empresas, estabelecimentos comerciais e consumidores. “O sistema elétrico é monitorado continuamente pelos centros de operação, que acompanham em tempo real qualquer variação no consumo para garantir a estabilidade do fornecimento”, conclui a empresa.
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