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Coronavírus já afeta ações de mineradoras
Crédito: Reprodução

Os impactos do coronavírus já têm sido sentidos nas mais diversas esferas da economia. Nesta semana, economistas chineses chegaram a projetar uma diminuição de 1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) do País para o primeiro trimestre. A Bolsa de Valores também reagiu ao surto da doença, que até ontem já havia feito 132 mortos e infectado outras 5.974 pessoas. Na última segunda-feira, por exemplo, foi noticiado que a Bolsa teve a sua maior queda em 10 meses. Por volta das 16h daquele dia, as ações da Vale caíram 5,5%.

A queda nas ações da mineradora, de acordo com o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, mostra os impactos que a doença já tem trazido ao mercado de minério de ferro, setor este que, no ano passado, sofreu bastante com o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

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Para se ter uma ideia, de acordo com os dados do Ministério da Economia, os embarques do produto a partir de Minas Gerais sofreram uma queda de 12,85% em 2019 na comparação com o ano anterior, passando de 140 milhões de toneladas para 122 milhões de toneladas, resultado da paralisação de parte das atividades do segmento. Por outro lado, as remessas de minério de ferro em 2019 para outros países chegaram a movimentar US$ 7,863 bilhões, um aumento de 16,09% em relação a 2018 (US$ 6,773 bilhões).

A queda das ações na Bolsa ligadas ao setor também foram destacadas pela analista de investimentos da Terra Investimentos, Sandra Peres. De acordo com ela, até não se ter a certeza de como a doença afetará a economia “haverá incertezas muito fortes nesse segmento e a volatilidade será grande”, diz.

No entanto, o cenário atual poderia ser ainda mais conflituoso se não fosse um fator: o período de chuvas pelo qual o Brasil está passando, o que, de acordo com o analista de investimentos da Mirai Asset, Pedro Galdi, já provoca uma redução de produção das mineradoras no primeiro trimestre do ano. “Teoricamente, essa redução de produção vai se dar com uma menor demanda de minério por parte da China”, afirma ele.

Os impactos atuais, portanto, girariam em torno desses fatores. Conforme ressalta o chefe de renda variável da Vero Investimentos, Fábio Galdino, ainda é muito prematuro dizer como o coronavírus poderá afetar a economia de maneira mais profunda e, consequentemente, os preços das commodities. Até porque, diz ele, “o governo chinês age muito rápido e de uma forma eficiente em termos de controle”.




No entanto, a questão é: o que pode mais poderá ocorrer se o surto da doença não for controlado? Nesse caso, Fábio Galdino afirma: as consequências podem ser devastadoras. “Se for algo incontrolável, fica difícil mensurar os impactos”, afirma.

Sobreoferta – Pedro Galdi diz que a situação pode acabar afetando os preços negativamente, havendo queda da demanda. Por outro lado, uma sobreoferta no começo deste ano não deve ocorrer, de acordo com o analista de investimentos. “Talvez a partir do segundo trimestre pode chegar a ter sobreoferta, afetando ainda mais os preços”, ressalta. Nesse cenário, os investimentos para aumentar a capacidade de produção, consequentemente, serão postergados, frisa ele.

Já Jefferson Laatus não acredita em uma sobreoferta. “Se houver uma demanda mais baixa, as mineradoras devem reduzir a produção, até para diminuir um pouco o custo”, afirma.

Membro do conselho de mineração da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), Vânia Andrade chama a atenção para outro ponto: embora a atividade econômica da China deva reduzir, ela não se dará igualmente em todos os segmentos, e os impactos no setor siderúrgico podem ser menores.

“Essa é uma atividade na China que está razoavelmente automatizada. O impacto da força de trabalho, eu acredito que seja menor”, diz ela, lembrando, porém, que a situação não deixa de ser preocupante e precisa ser acompanhada.

A automação dos processos também é lembrada pelo sócio da Monte Bravo, Leonardo Cruz,que frisa ainda que, por ora, é difícil mensurar os impactos no segmento.




Temporalidade – Por fim, Jefferson Laatus lembra que a situação é algo pontual e que, assim que tudo voltar ao normal, a necessidade de minério também regressa, talvez até de forma acelerada.

“É algo muito momentâneo, dá para diluir o impacto ao longo do tempo. Esse tipo de evento é o que chamamos de ‘efeito V’. Há uma queda vertiginosa e depois tudo se resolve”, salienta.

Empresas brasileiras devem ser afetadas

Porto Alegre e São Paulo – Empresas brasileiras com operação na China já preveem impacto nos negócios com as medidas de Pequim para conter o avanço do coronavírus, que matou 132 pessoas no país asiático e infectou aproximadamente 6 mil.

Além de restrição de viagens de funcionários, caso de gigantes como a Vale, companhias que vendem à China trabalham com o cenário de atraso na entrega de mercadorias e possível redução de vendas.

O governo chinês decidiu prolongar o feriado de Ano- Novo Lunar até 2 de fevereiro, e algumas áreas industriais só podem retomar a operação entre 8 e 10 de fevereiro.

A Vale suspendeu viagens de negócios ao país por tempo indeterminado e também determinou que empregados da China não viajem a nenhuma outra unidade da empresa.

A fabricante de materiais elétricos WEG, de Jaguará do Sul (SC), orientou que viagens sejam feitas apenas depois de 8 de fevereiro. As unidades da WEG estão paradas, e a atividade será retomada apenas nessa data, seguindo a orientação das autoridades locais.

A WEG é uma das companhias brasileiras com maior presença na China. Em 2019, inaugurou sua quarta unidade no país, onde atua desde 2004.

A Marcopolo, que produz carrocerias de ônibus e tem sede em Caxias do Sul, na serra gaúcha, afirma que sua fábrica na China só voltar às atividades no dia 10 de fevereiro, “caso não surjam problemas em decorrência do coronavírus”.

A fabricante disse em nota que trabalhou de forma antecipada aos sábados para compensar o feriado de Ano-Novo Chinês. Também monitora o cenário e diz que reavaliará a situação conforme for necessário. Segundo a empresa, não há empregados brasileiros na operação chinesa.

Os dirigentes consideram que é cedo para prever o efeito do coronavírus em números, mas estão em alerta porque a redução da circulação de pessoas deve acarretar menos consumo na região.

“Como em algumas cidades não é possível sair de casa, não pode comprar fora, existe impacto porque nosso produto não gira. Ainda não tivemos redução de vendas, mas isso nos coloca em alerta”, afirmou à reportagem Rodrigo Nunes, gerente de exportação da Kidy.

A Kidy, com planta no interior de São Paulo, fabrica sapatos no Brasil e exporta à China mensalmente. “As restrições impactam terceiros, como o delivery. O on-line business é muito forte na China. Mesmo que a compra seja feita na internet, sem sair de casa, em alguns pontos a orientação é para que não haja entrega”, acrescenta Nunes.

A CMMY Assessoria, que desde 2008 presta consultoria para empresas brasileiras com relações comerciais com a China, estava preparada para a interrupção dos serviços durante o Ano-Novo. Porém, não contava com a ampliação da interrupção dos trabalhos.

“Estenderam o feriado para manter o pessoal em casa. As fábricas não estão trabalhando. O impacto realmente sério, do nosso ponto de vista, deve ser sentido em abril, durante a Canton Fair, maior feira de negócios do mundo”, diz Martin Bordasch, analista da CMMY. (Folhapress)

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