Das derrotas e vitórias

10 de julho de 2018 às 0h00

A semana que passou foi uma desgraça para o brasileiro. A produção industrial caiu significativamente, por causa de greve dos caminhoneiros. A inflação, que já estava controlada, subiu. O real continua se desvalorizando, ou seja, no popular, o dólar subiu. E o desemprego não melhorou em nada. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu, de novo, em função da referida greve, e as exportações também. E a cereja no bolo da desgraça foi a eliminação da seleção canarinha pelos “belgicanos” (como os chamava o saudoso Kafunga). Sem comentários, a não ser que um time bilionário como esse fez jus a seus salários: jogou mal e não teve responsabilidade alguma com a camisa que vestia. A responsabilidade deles é com seus clubes e patrocinadores. O Brasil que se dane. E ainda confirmam Tite para técnico da Copa do Catar. Aliás, o que você pode esperar de uma CBF cheia de escândalos e cujo único dirigente de que me lembro hoje é dono de um helicóptero que transportava 500 kg de droga e não sabia de nada. Provavelmente também não de sabe nada agora. Enquanto o futebol era o tema, e o melhor meme das redes foi aquele que dizia que agora vamos voltar a trabalhar na terça-feira, desenrolava-se uma das maiores derrotas no cenário industrial brasileiro. Se alguma coisa positiva ficou do regime militar, foi a criação da Embraer em 1969, um dos maiores exportadores brasileiros. A criação de joint venture com a Boeing, em que a norte-americana tem absoluta maioria, faz a Embraer desaparecer como empresa brasileira. Virou filial obediente da gigante norte-americana. A questão que fica não é por que se fez o negócio agora, no final do governo fraco e desmoralizado, e praticamente sem possibilidade de não fazer, mas por que deixaram chegar a essa situação. Anos atrás tiveram a oportunidade de fazer aliança com a Airbus, que inclusive tem fábrica de helicópteros em Minas, e não fizeram. Esperaram enfraquecer a empresa ao ponto de ser entregue à Boeing pelo valor equivalente à metade do que uma siderúrgica do Rio de Janeiro deve ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica. Portanto, dinheiro não é a questão, a questão é que, ao contrário dos próprios Estados Unidos, Alemanha, França e outros, nós vendemos a melhor empresa de tecnologia e viramos filial tecnológica. Como a Bloomberg escreveu: a Boeing não quer a fábrica, quer os 400 engenheiros da Embraer e sua tecnologia. Bem, do lado das vitórias, fica a notícia de que Minas passa a produzir lúpulo, ingrediente fundamental para produzir cerveja. Algo de mineiro, mais importante do que o anúncio da Fiat de que, com pesados incentivos, deve modernizar os novos modelos, prometendo emprego que na verdade só existirão se a fábrica for efetivamente competitiva em tecnologia. E que o governo de Minas vai pagar em três vezes o salário dos seus funcionários, enquanto dá incentivo à montadora. Vai entender o que está por trás de tudo isso. Pode ser ou não eleições. * Ex-presidente do Sebrae Minas e da Fiemg – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais

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