RMBH registra em agosto maior deflação desde 2022, com queda de 0,29% no IPCA
Em agosto deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,29% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (11). Foi a maior deflação mensal desde setembro de 2022, quando o indicador caiu 0,35%.

Entre os grupos, o de Habitação teve o maior recuo percentual, de 2,64%. A variação decorreu sobretudo da redução de 8,77% da energia elétrica residencial, que apresentou o maior impacto individual, de -0,37 ponto percentual (p.p.). O movimento na conta de luz refletiu a incorporação do bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês.
“Se não houvesse essa queda na energia elétrica residencial, teríamos uma inflação, em vez de uma deflação”, aponta o coordenador do IPCA em Minas Gerais, Venâncio da Mata.
O economista e professor dos cursos de gestão do UniBH, Fernando Sette Júnior, acrescenta que o impacto do recuo na energia elétrica residencial foi maior que a própria queda do índice geral. Retirando apenas a contribuição negativa do item, os demais componentes somaram aproximadamente 0,08 p.p. positivo.
“Isso demonstra que a redução do custo de vida esteve fortemente concentrada em um benefício extraordinário, não em um barateamento generalizado de bens e serviços”, avalia.
Outro grupo que contribuiu para o resultado na RMBH foi Transportes, com queda de 0,56%, motivada por reduções na passagem aérea (-15,93%) e etanol (-5,02%). No caso do bilhete aéreo, que provocou o segundo maior impacto individual, de -0,10 p.p., o recuo pode ter relação com baixa demanda.
Além de Habitação e Transportes, mais dois grupos registraram retração. Alimentação e Bebidas, teve recuo de 0,15%, influenciado por itens como batata-inglesa (-17,29%), feijão-carioca (-9,34%) e carne de porco (-2,61%); e Vestuário, registrou queda de 0,12%, puxada por itens como calça comprida infantil (-3,70%) e calça comprida feminina (-2,62%).
Por outro lado, os grupos Despesas Pessoais, Artigos de Residência, Educação, Saúde e Cuidados Pessoais e Comunicação apresentaram altas de 1,09%, 0,84%, 0,56%, 0,24% e 0,04%, respectivamente. Entre os itens que tiveram aumentos estão, por exemplo, cigarro (19,70%), cortina (2,98%), curso de idioma (2,67%) e produtos farmacêuticos (0,84%).
Tendência para os próximos meses é de retorno das taxas positivas
Para os próximos meses, a leitura mais plausível, de acordo com o economista e professor dos cursos de gestão do UniBH, é o retorno das taxas mensais positivas no IPCA, e não a continuidade automática da deflação na RMBH.
Sette Júnior pontua que, em setembro, a energia elétrica tende a pressionar a inflação com o encerramento do bônus de Itaipu. Também ressalta que a manutenção da bandeira amarela, embora não represente uma nova elevação tarifária, não fornece desconto adicional capaz de compensar o fim do crédito extraordinário.
Ainda segundo ele, a forte queda das passagens aéreas pode não se repetir. Além disso, os alimentos já contribuíram menos para a redução do IPCA em agosto: a deflação do grupo de Alimentação e Bebidas perdeu intensidade em relação a julho, quando havia sido de 1,35%.
Em uma perspectiva mais ampla, o economista afirma que a RMBH apresenta situação relativamente favorável, com inflação acumulada de 2,76% no ano e de 3,39% em 12 meses, abaixo dos respectivos 3,11% e 4,22% nacionais.
Sette Júnior pondera que esses números mostram aumento de preços menor que a média brasileira, mas não asseguram a manutenção dessa diferença nem permitem projetar a intensidade dos próximos resultados. Portanto, será necessário acompanhar a energia, condições de oferta dos alimentos, combustíveis e a persistência das altas em serviços.
“Agosto deve ser interpretado como um mês de alívio efetivo, porém fortemente influenciado por fatores pontuais. Voltar a registrar inflação não significará, por si só, descontrole, assim como uma deflação mensal não significa que o problema inflacionário tenha desaparecido”, analisa.
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