Sérgio Gusmão destacou importância do BDMG Digital para maior aproximação dos clientes - Crédito: João Pedro Viegas/BDMG/Divulgação

Os desembolsos do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) cresceram 7% ao longo do primeiro semestre de 2019 frente a igual período do ano passado. Ao todo, foram liberados R$ 550,2 milhões. O setor de comércio foi o que demandou maior volume de recursos, somando R$ 234 milhões e respondendo por quase 43% do total de crédito liberado.

No período, foram 2.762 clientes atendidos, entre micro, pequenas, médias e grandes empresas de diversas atividades econômicas e também prefeituras, o que representou uma alta de 15% sobre o primeiro semestre de 2018. O saldo total da carteira de crédito no encerramento dos primeiros seis meses ficou em R$ 5,9 bilhões.

De acordo com o presidente do BDMG, Sérgio Gusmão, ao longo do primeiro semestre, a entidade financeira, através da concessão de crédito, contribuiu para a economia do Estado.

“O BDMG tem contribuído para a economia de Minas Gerais como um indutor do desenvolvimento, na indução da criação de empregos, com mais de 12 mil postos gerados nesse primeiro semestre. Também contribuiu para a arrecadação de tributos em mais de R$ 23 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e adicionou em torno de R$ 538 milhões na produção mineira”, explicou.

De acordo com os dados divulgados pelo BDMG, do R$ 550,2 milhões desembolsados no primeiro semestre, R$ 254 milhões foram de recursos próprios, os repasses somaram R$ 285 milhões e o valor proveniente de fundos totalizou R$ 11,2 milhões.

Segmentos – Dentre os setores, o maior destaque foi para Comércio e Serviços, cujos desembolsos somaram R$ 234 milhões, 43% do total liberado ao longo dos primeiros seis meses de 2019. Em seguida, veio a indústria da transformação, com a liberação de R$ 195,2 milhões, 34% do total, e Serviços Industriais de Utilização Pública com recursos somando R$ 64 milhões, 12% do total.

Já entre as cadeias produtivas, a do agronegócio foi o destaque. O setor foi responsável por uma demanda de R$ 254,2 milhões ao longo do primeiro semestre, valor 51% superior ao registrado em igual período do ano anterior.

Um dos principais impulsos para a maior demanda do setor agropecuário pelos recursos do BDMG foi o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), que teve 99,6% de utilização do limite autorizado para a safra 2018/2019. Ao longo do ano-safra, o BDMG liberou R$ 252,9 milhões. Para a safra 2019/2020, o banco terá o montante de R$ 255 milhões.

Para atender à demanda crescente da cadeia do agronegócio do Estado, o BDMG criou, no primeiro semestre, o projeto BDMG Agro Mercado. O programa é destinado a médias e grandes empresas para realização de investimentos que impliquem em expansão, implantação ou modernização das atividades produtivas. No período, o desembolso somou R$ 10 milhões, o que deve crescer com a consolidação do programa.

Os desembolsos voltados para os municípios somaram R$ 58 milhões, 8% a mais do que no primeiro semestre de 2018. Para as micro e pequenas empresas, os desembolsos de processos originados via BDMG Digital foram de R$ 86,1 milhões, 14% maior.

“Estamos utilizando a plataforma digital para chegar aos nossos clientes, já que não temos agências. No primeiro semestre, 88% dos nossos clientes chegaram ao banco pela plataforma digital, onde é possível simular os empréstimos e ter ideia de taxas e detalhes. Por ela, o cliente pode efetivar a operação com o banco. O uso da plataforma é essencial para que os serviços do banco cheguem às pequenas empresas e em municípios distantes da sede, que é em Belo Horizonte”.

Energia solar – Outro destaque foram os desembolsos voltados para projetos de energia solar fotovoltaica. Entre janeiro e junho, foram liberados R$ 11 milhões em 32 operações. Esses projetos têm a capacidade de geração estimada em 17 GWh/ano, o que corresponde a energia suficiente para abastecer 9 mil domicílios por um ano.

Sérgio Gusmão destaca que esta linha é importante para o desenvolvimento econômico. “A produção de energia é um potencial do Estado, principalmente, no Norte e Jequitinhonha”.

Foram desembolsados R$ 25 milhões para 11 projetos de inovação, valor 25,6% maior. Em relação ao turismo, os desembolsos somaram R$ 10,4 milhões.

De acordo com o presidente do BDMG, as ações do banco também estão voltadas para o desenvolvimento de projetos-chaves para as cidades mineradoras, com o objetivo de ajudar a diversificar a economia desses municípios.

“Existe uma tradição grande, inclusive uma dependência, das cidades em relação à mineração. A gente entende que o BDMG pode ser a alavanca para ajudar a estruturar projetos e trazer linhas de financiamento, o que já faz, para as cidades mineradoras, apresentando novas vocações e novos setores em que possam atuar e movimentar a economia”, disse Gusmão.

Meta de empréstimos do BNDES ameaçada

Rio de Janeiro – O BNDES provavelmente não vai cumprir neste ano a meta de desembolsos de R$ 70 bilhões, após um fraco resultado no primeiro semestre, em que consultas de interessados em financiamentos do banco de fomento desabaram quase à metade em relação ao visto um ano antes, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.

No primeiro semestre, os empréstimos do banco somaram R$ 25 bilhões, uma queda de 9% ante igual período de 2018. As consultas por empréstimos, um termômetro do nível de demanda e de futuros desembolsos, caíram 49%. Em anos anteriores, o BNDES já chegou a emprestar em 12 meses mais de R$ 140 bilhões.

“Impossível fazer R$ 70 bilhões. Se fizer R$ 60 bilhões leva as mãos para o céu”, disse à Reuters uma das fontes. “A economia não está rodando e ainda tem muito crédito disponível na praça”, acrescentou.

Procurado, o BNDES não se manifestou sobre o assunto. A meta de R$ 70 bilhões foi divulgada em maio pelo então presidente do banco Joaquim Levy, que havia dito, na ocasião, que ela poderia ser até revista para cima nos meses seguintes.

No ano passado, o banco de fomento emprestou pouco mais de R$ 69 bilhões, um dos desempenhos mais fracos em quase 20 anos.

Pesquisa Focus do Banco Central apontou nesta semana para crescimento de 0,82% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019.

No segundo semestre deste ano, de acordo com a segunda fonte, os financiamentos do BNDES vão ser puxados pelo setor de infraestrutura, onde o governo tem se empenhado em fazer leilões e concessões de projetos logísticos e de energia elétrica.

“Esses são os dois setores que vão puxar”, disse a fonte, que também classificou como “desafiador” o atingimento de R$ 70 bilhões em desembolsos em 2019. (Reuters)