Economia

Dia dos Namorados deve elevar em até 40% as vendas de flores em Minas Gerais

Floriculturas ampliam estoques, equipes e vendas on-line para atender alta demanda na data
Dia dos Namorados deve elevar em até 40% as vendas de flores em Minas Gerais
Proprietária de uma floricultura no bairro Funcionários, Ana Clara Bortoni, espera aumento de 25% nas vendas do Dia dos Namorados. Foto | Mateus Papini/Ikebana Flores

É a princesa dos nossos olhos: essa é a frase que a empresária Ana Clara Bertoni, de 26 anos, usa para exemplificar a relevância do Dia dos Namorados para o negócio que ela comanda, a Ikebana Flores, floricultura no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Considerada a segunda data mais rentável para o varejo brasileiro no primeiro semestre, atrás apenas do Dia das Mães, o 12 de junho deve aumentar em, pelo menos, 25% as vendas da loja, no mercado há quase quatro décadas.

“Pelo fato de este ano a data cair em uma sexta-feira, esperamos que ela seja a melhor desde 2019”, conta a empresária, que calcula um volume maior de compras no próprio dia 12. “Diferentemente do Dia das Mães em que a demanda é distribuída ao longo do fim de semana, nos Namorados todos os clientes compram, praticamente, no dia da celebração”, revela.

Para atender, principalmente, aos compradores de última hora, Ana Clara pretende trabalhar com um aumento exponencial no estoque. A loja, que na rotina operacional conta com 80 produtos, deve oferecer nos dias que antecedem a comemoração, cerca de 1600 itens, o que representa um crescimento de 1900%.

A equipe também dever crescer 455%, passando de cerca de nove para 50 colaboradores, entre eles uma leva considerável de floristas e equipe de logística.

“Nosso objetivo é fazer com que o cliente, mesmo aquele que chegue na loja às 20h do dia 12, sempre encontre rosas vermelhas, as grandes, preferidas dos consumidores na data, para levar. Isso porque quando acaba a rosa vermelha, ele não quer mais nada”, diz.

Fachada de uma floricultura
Foto | Mateus Papini/Ikebana Flores

Flores colombianas ganham espaço entre os presentes

Ainda segundo a empresária, a grandes apostas para este ano serão o buquê rubi e a rosa eterna, ambos importados da Colômbia. “Esta última é preservada em cúpulas de vidro, que aumentam seu tempo de vida de dois a cinco anos. Com isso, mantém a mesma aparência de quando estava plantada”, explica a comerciante, que já recebeu, há duas semanas da data, cerca de 30 encomendas e pretende oferecer oito variações de buquê.

Mesmo com alta no preço das rosas, expectativa de vendas segue positiva

As expectativas positivas de Ana Clara Bertoni para o Dia dos Namorados também são previstas pelo presidente da Associação dos Produtores e Distribuidores de Flores de Minas Gerais (APDF-MG), Flávio Vieira. Segundo ele, a estimativa é de aumento de 35% a 40% nas vendas em relação a mesma data do ano passado. “O consumo de flores tem aumentado e elas ainda são um símbolo de momentos como esse. O mercado brasileiro [de flores], por sinal, é mantido pelo calendário de eventos ao longo do ano”, diz.

O único entrave vivenciado pelo setor, neste período, conforme Vieira, é a queda na produção das rosas, o que contribui para o aumento médio no preços. “As rosas são mais adaptáveis à luz solar e à claridade. As baixas temperaturas atuais impactam o ciclo produtivo. No verão, o pacote [de rosa] é vendido por R$ 60. No inverno, fica na faixa de R$ 130 a R$ 150, aumento de até 150%”, explica o dirigente, que também é proprietário da floricultura Bela Vista, no bairro Aparecida, região Noroeste de Belo Horizonte.

O dirigente da APDF-MG também orienta que investir em estratégias de divulgação dos produtos é fundamental para o sucesso das vendas nesta época. “Arranjos que saem um pouco do tradicional, com buquês de, no máximo, duas dúzias de rosas, além de serem mais baratos, são visualmente mais atrativos”, afirma.

Venda on-line ganhou protagonismo

Embora as flores sejam um produto com apelo visual e que, aparentemente, demandam compras presenciais, o mercado on-line vem ganhando protagonismo no setor. “Hoje, cerca de 60% a 70% das vendas estão concentradas no e-commerce. Muitas floriculturas, inclusive, fecharam as portas por causa das vendas on-line. No nosso último levantamento, de 2020, Belo Horizonte e Região Metropolitana (RMBH) tinham uma média de 450 [floriculturas]. Hoje esse número é estimado em 260”, diz.

Na floricultura de Ana Clara, por exemplo, o on-line chega a representar 60% do negócio, segundo a empresária. A estimativa para o Dia dos Namorados é de um incremento de 1900% na modalidade.

Produtor espera manter vendas de três mil dúzias

O boom de vendas do Dia dos Namorados também deve impactar o produtor de rosas, Thiago Marciano, que administra uma propriedade rural em Alfredo Vasconcelos, na região Central de Minas Gerais.

Durante o mês de junho de 2025, ele afirma ter vendido cerca de R$ 107 mil, o equivalente a três mil dúzias de rosas, e espera, pelo menos, manter os números neste ano.

O mercado de Belo Horizonte, segundo o produtor, corresponde a 70% das vendas. Mas, além da capital mineira, Marciano também tem clientes em Betim, Contagem e Sete Lagoas, na RMBH, e Montes Claros, no Norte do Estado. “As semanas que antecedem o Dia dos Namorados contribuem para um aumento de aproximadamente 50% nas vendas em relação a dias comuns”, revela.

Canteiro de rosas
Flores na propriedade de Thiago Marciano são plantadas e colhidas em um canteiro de 2,5 hectares. Foto | Thiago Marciano/Divulgação

Ainda conforme o produtor, cerca de dez floriculturas já o acionaram para fazer pedidos relacionados a data. “Rosa vermelha é venda certa. O que eu produzir, vou conseguir vender”, conta, acrescentando que as flores são plantadas e colhidas em um canteiro de 2,5 hectares. Em períodos de auge da produção, o último deles registrado em maio do ano passado, a colheita chegou a ultrapassar a marca de 100 mil flores.

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