Com ticket médio de R$ 200 a R$ 300, lojistas preparam estratégias para o Dia dos Pais

Lojistas de Minas Gerais apostam em criatividade e diferenciais para impulsionar as vendas do Dia dos Pais, esperando injetar bilhões na economia local
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Com ticket médio de R$ 200 a R$ 300, lojistas preparam estratégias para o Dia dos Pais
Tíquete médio do consumidor mineiro será de até R$ 300 neste ano, aponta a FCDL-MG | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

O Dia dos Pais, que será celebrado no dia 9 de agosto, segundo domingo do mês, inicia a série de datas fortes para o comércio no segundo semestre do ano (Black Friday e Natal serão as próximas). E os comerciantes já estão trabalhando para “fisgar” o cliente que pretende presentear os papais. Se a projeção de valor médio das compras se confirmar, cerca de R$ 2,6 bilhões podem ser injetados na economia de Minas Gerais.

Os filhos não deverão ficar apenas na lembrancinha básica, já que o tíquete médio de compras previsto é de R$ 200 a R$ 300 no Estado, segundo levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG). O valor é 23,1% superior ao registrado em 2025.

A aposta da FCDL é o apelo emocional que a data tem, aproximando-se do Dia das Mães. “O Dia dos Pais é mais que uma celebração. Ele está sendo também uma injeção bilionária no varejo, que mostra a disposição das famílias em valorizar esse momento. Lógico que ele perde para o Dia das Mães e o Natal. Mas o Dia dos Pais também tem um apelo emocional, e mesmo com o cenário econômico mais cauteloso, ele leva as pessoas às compras”, explica o economista da FCDL, Vinícius Carlos Silva.

Já para o presidente do Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte e Região (Sindilojas BH & Região) e fundador da Klus Alfaiataria, Salvador Ohana, o cenário pode sim ser positivo, mas ele acredita que, embora o consumidor não vá deixar a data passar, nem o apelo emocional fará com que os gastos sejam muito elevados.

“A gente está com uma expectativa melhor para esse ano. O ano passado não foi tão bom. Espero que tenha um aumento entre 2% e 3% em relação a 2025”, disse Ohana.

“Os lojistas com quem conversei investiram um pouco em produto para atender essa expectativa do Dia dos Pais. Mas o que tenho sentido é que essas datas específicas, tipo Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia dos Pais, estão diminuindo um pouco. Acho que as pessoas estão voltadas a dar uma lembrancinha só para o pai e para a mãe. Já o Dia dos Namorados a gente fala à parte, porque está cada dia mais escasso: os casais não estão se juntando e mal estão dando presente um ao outro”, completa.

Inflação e preços

Apesar de o tíquete médio deste ano estar acima do que foi praticado em 2025, o economista da FCDLdestaca que o valor a ser utilizado neste Dia dos Pais será maior porque a inflação “corroeu” o poder de compra das pessoas de lá para cá.

“O tíquete médio reflete também o período que estamos vivendo, de inflação. Depois desses últimos anos, tivemos uma inflação muito impactante, que vai corroendo o poder de compra do consumidor. O número de mineiros que vão às compras mudou pouco, mas o tíquete médio refletiu essa questão da inflação e dos produtos que estão vindo com maior valor agregado”, comenta Silva.

Estratégias e cuidados

Apesar de um cenário em que os presentes podem sair mais caros para o consumidor, os lojistas estão se organizando para colocar em prática as melhores estratégias que encantem o comprador que pretende homenagear seu pai.

Salvador Ohana quer conquistar mais do que o coração do cliente: ele pretende oferecer uma experiência sensorial e gastronômica que amplie o desejo pela compra de maior valor.

“Na Klus a gente está fazendo uma ponte estratégica. Eu fiz uma parceria com o chef de cozinha Ivo Faria. Ele desenvolveu uma receita de um rigatoni, e a gente vai dar um kit com todos os ingredientes desse rigatoni a partir de um valor de compra, do dia 1º ao dia 8 de agosto. É uma campanha que a gente está fazendo para atrair não o pai, mas os filhos. O tema da campanha é ‘viver o presente’, Dia dos Pais, Klus mais Ivo Farias. Porque o que é viver o presente? É viver o presente que a pessoa vai ganhar e, ao mesmo tempo, viver o presente junto com o pai, fazendo um rigatoni, uma massa juntos”, conta.

Shopping
A pesquisa da FCDL-MG aponta que as roupas lideram a preferência de compras para o Dia dos Pais no Estado, com 45,9% | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

“Então a gente criou algo que vai atrair mais o nosso cliente, porque se a pessoa não fizer alguma coisa diferente, ela não vai conseguir vender. Tem que ter um diferencial”, completa.

O, economista da FCDL-MG, tem um ponto de vista parecido com o de Salvador. Para ele, o lojista terá de buscar alternativas que encantem, mas também se precaver para não prejudicar o fluxo financeiro da empresa, caso não saiba ofertar crédito com segurança.

“O lojista, nessa questão do crédito, tem que aproveitar. Tem que ser consciente. Nós temos uma intenção de compra no crédito de 45,5% das pessoas, que vão usar o crédito parcelado. Em seguida, vem o cartão de crédito à vista (27,3%), cartão de débito (15,9%) e PIX ou dinheiro (11,4%). O resultado indica que, embora o consumidor esteja disposto a gastar mais, busca preservar o orçamento por meio do parcelamento.

“Quanto ao lojista, se ele não tiver uma promoção, uma vitrine bem elaborada, apostar em kits prontos (roupa, perfume), fazer aqueles kits ‘bem casados’ que sempre funcionam, e colocar sua marca em vários canais, site, redes sociais, loja física, ele não vai conseguir se diferenciar nem ter resultado. Ele tem de fazer tudo isso para ganhar vantagem competitiva”, finaliza Silva.

Preferências

Segundo o levantamento da FCDL, as roupas lideram, com 45,9%, a intenção de compras. Cosméticos e perfumaria (19,7%) e calçados (18%) vem a seguir. A pesquisa também destacou a consolidação da estratégia omnichannel no comércio. Metade dos consumidores (50%) pretende comprar exclusivamente em lojas físicas, enquanto 27,3% optarão pelas lojas on-line e 22,7% utilizarão os dois canais, demonstrando que a integração entre o ambiente digital e o presencial continua sendo um diferencial competitivo para os lojistas buscar esse meio de pagamento com o pé no chão, dentro do seu planejamento, de acordo com o que você pode pagar e com o seu orçamento, para não ter endividamento e problemas futuros.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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