El Niño mobiliza usinas hidrelétricas do Sul

Movimentação ocorre a partir de diagnósticos de cientistas que acreditam que será um fenômeno climático severo nos próximos meses
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
El Niño mobiliza usinas hidrelétricas do Sul
Crédito: Reprodução Adobe Stock

São Paulo – Usinas hidrelétricas do Sul do Brasil estão se preparando para um aumento das chuvas diante do que cientistas acreditam que será um El Niño severo nos próximos meses, com as geradoras revisando planos para lidar com grandes volumes de água que poderão precisar ser vertidos.

As subsidiárias brasileiras da chinesa China Three Gorges (CTG) e da francesa Engie, duas das maiores operadoras de hidrelétricas do País, disseram à Reuters que seus preparativos incluem medidas como testes de vertedouros para garantir a operação segura das usinas e ações junto a comunidades ribeirinhas que podem ser afetadas pela liberação de água dos reservatórios.

O Brasil tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, dependendo das hidrelétricas para cerca de dois terços de sua geração total de eletricidade.

Embora essas usinas ofereçam flexibilidade para atender ao consumo de energia nos horários de pico, diferentemente de outras fontes limpas, elas também são vulneráveis a mudanças nos padrões de chuva associadas ao El Niño e às mudanças climáticas.
Cientistas esperam que o El Niño severo, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, provoque chuvas intensas no sul do Brasil, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de seca na região amazônica.

O último El Niño, em 2024, reduziu drasticamente a geração das usinas localizadas na Amazônia e forçou várias outras no sul a interromper operações devido a enchentes, levando o Brasil a recorrer a fontes de energia mais poluentes.
As possíveis implicações do próximo El Niño para a segurança energética colocaram autoridades e geradoras de energia em estado de alerta.

As chuvas já aumentaram nas bacias hidrelétricas do Sul do Brasil em julho, atingindo 256% da média histórica de longo prazo, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Os reservatórios da região chegaram a 88% da capacidade, acima dos níveis críticos de 30% registrados em abril, após meses de condições climáticas desfavoráveis.

As chuvas recentes não são consequência direta do El Niño, mas o fenômeno climático deverá começar a influenciar a região nas próximas semanas, disse Gilvan Sampaio, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A gravidade de uma eventual seca na região Norte deverá ficar mais clara até o fim deste ano, já que também dependerá das temperaturas do Oceano Atlântico, acrescentou Sampaio.

Reportagem distribuída pela Reuters

Leticia Fucuchima
Sobre o autor

Leticia Fucuchima

Reuters

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas