Empresas em Minas Gerais acumulam R$ 21,6 bilhões em dívidas negativadas
Cada vez mais pressionadas pelo cenário de juros elevados e crédito mais restritivo, as empresas em Minas Gerais acumularam R$ 21,6 bilhões em dívidas negativadas. Em maio de 2026, o Estado registrou 887.261 empresas inadimplentes, frente a 701.736 no mesmo mês de 2025, um aumento de aproximadamente 26%.
Os dados constam no Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao todo, são 6 milhões de dívidas em atraso no território mineiro, com valor médio de R$ 24,4 mil por CPNJ.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, chama atenção para a piora qualitativa do cenário. “O volume financeiro das dívidas avançou de R$ 15,5 bilhões para R$ 21,7 bilhões no período e, em média, cada empresa inadimplente passou a acumular sete dívidas negativadas, mostrando que muitas não apenas ingressam na inadimplência, mas encontram dificuldade para reduzir o passivo acumulado e retornar à adimplência”, destaca.
A série histórica do indicador reforça essa leitura. As empresas de Minas Gerais apresentam uma trajetória de crescimento nas dívidas contínua ao longo dos últimos doze meses. Para a economista, esse cenário mostra que não há uma oscilação pontual, e sim um processo construído ao longo do tempo, refletindo um ambiente prolongado de crédito restritivo e juros elevados.
Durante os últimos anos, as empresas conviveram com juros elevados, crédito cada vez mais restritivo, além de custo financeiro maior, o que dificultou a recomposição do capital de giro e a renegociação das dívidas. Agora, a especialista ressalta que o cenário é ainda mais desafiador, já que se posiciona em um cenário de desaceleração mais evidente da atividade econômica, o que faz com que muitas empresas também passem a registrar um crescimento mais moderado do faturamento, postergando o processo de regularização financeira.
“O desafio hoje não é apenas administrar o custo da dívida, mas recuperar capacidade de geração de caixa em um ambiente econômico que perdeu parte do dinamismo observado nos últimos anos”, argumenta Camila Abdelmalack.
Serviços concentram maior parte da inadimplência
Nesse cenário, observa-se que a inadimplência das empresas está concentrada justamente nos segmentos mais expostos ao contexto econômico e à dinâmica do consumo das famílias. No País, o setor de Serviços concentra 55,6% das empresas com dívidas em atraso, seguido por Comércio (32,3%), Indústria (8,1%) e setor Primário (0,9%).
Para a economista, esse comportamento reforça que o desafio atual vai além do acesso ao crédito e passa também pela capacidade das empresas de sustentar sua operação em um ambiente econômico ainda bastante desafiador.
Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com o segmento de “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (5,7%).
No recorte regional, a região Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em maio de 2026. Além Minas Gerais, São Paulo (3.094.295) e Rio de Janeiro (869.138) registraram um volume expressivo de empresas. O resultado consolida os três estados no top 3 nacional em número de negócios no vermelho.
Alívio nos juros não deve reduzir inadimplência rapidamente
Para os próximos meses, as expectativas são cautelosas. Segundo Camila Abdelmalack, embora o início do ciclo de redução da Selic seja positivo para a economia, os efeitos sobre o crédito e sobre a saúde financeira das empresas tendem a ocorrer de forma gradual.
A economista também chama atenção para a desaceleração da atividade econômica, que reduz o ritmo de crescimento das receitas justamente em um momento em que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades. “Essa combinação tende a manter a inadimplência em níveis elevados no curto prazo. Para as micro e pequenas empresas, que possuem estruturas mais enxutas, essa pressão costuma ser ainda maior”, finaliza.
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