Economia

Enchentes derrubam consumo na Zona da Mata e região registra menor alta entre supermercados mineiros

Índice da Amis mostra crescimento de apenas 2,48% no primeiro quadrimestre deste ano; comerciantes apontam fechamento de lojas e volume de doações como fatores para a retração nas vendas
Enchentes derrubam consumo na Zona da Mata e região registra menor alta entre supermercados mineiros
Foto | Divulgação / Magnific

Dados divulgados no Índice de Consumo dos Lares Mineiros, feito pela Associação Mineira de Supermercados (Amis), nessa quarta-feira (27), revelam que os estabelecimentos do setor na Zona da Mata de Minas Gerais apresentaram um crescimento de apenas 2,48% no consumo no primeiro quadrimestre deste ano. O índice é o menor entre as regiões mineiras.

O Sul de Minas (3,22%) e as regiões do Triângulo e Alto Paranaíba (3,15%) foram as que mais se sobressaíram no índice calculado pela Amis. Veja o ranking completo abaixo:

Gráfico que analisa o percentual de consumo nos supermercados mineiros entre janeiro e abril de 2026 por região
Imagem gerada por inteligência artificial

Alto volume de doações pós-desastre das chuvas pode ter impactado consumo, avaliam supermercadistas

Para o proprietário do mercado Uemar na cidade de Matias Barbosa, na Zona da Mata, Higino Babosa, de 61 anos, o crescimento modesto do consumo na região pode ter sido puxado, principalmente, por grandes municípios como Juiz de Fora e Ubá, que, impactados pelos desastres causados pelas chuvas de fevereiro, receberam um número volumoso de doações de alimentos essenciais para as populações atingidas.

“Carretas abastecidas de itens como óleo, papel higiênico e açúcar chegaram nas cidades imediatamente após as enchentes. Conheço várias pessoas que, ao receberem as cestas básicas, ficaram de quatro a cinco meses sem fazer compras. Esse alto índice de doações afetou o setor supermercadista, mas que bom que elas aconteceram, pois foram necessárias naquele momento”, diz.

Barbosa acrescenta ainda que a demanda por itens essenciais como leite, por exemplo, está sendo reaquecida em seu estabelecimento só agora. “Comecei a vender leite nos últimos 30 dias. Não estava vendendo”.

Com um faturamento médio mensal de R$ 900 mil, o empresário espera que no próximo quadrimestre haja um aumento de, pelo menos, 3% a 4% no consumo em comparação ao período compreendido entre janeiro e abril deste ano.

Outro comerciante da região que também sentiu os impactos no consumo nos primeiros quatro meses de 2026, principalmente entre março e abril, foi o proprietário do Vieirão Supermercado, Eron Vieira, de 35 anos. Localizada no centro de Ubá, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes do fim de fevereiro, a loja ficou 33 dias fechada devido aos danos físicos acarretados pela tragédia das chuvas. “Nosso movimento ainda não voltou ao normal. Antes das enchentes atendíamos uma média de 2000 clientes por dia. Hoje esse número caiu para cerca de 1100, queda de 45%”, afirma.

Assim como o colega de profissão, Vieira também acredita que o alto número de doações entregues aos atingidos pelas enchentes pode ter corroborado para a queda na demanda pelos supermercados.

Impactos das chuvas explicam desaceleração na Zona da Mata, avalia Amis

Procurado pelo Diário do Comércio, o presidente-executivo da Amis, Antônio Claret Nametala, afirma que a Zona da Mata é tradicionalmente uma das regiões que apresentam os maiores crescimentos nas pesquisas da associação.

“Ela abriga um segmento supermercadista forte, diversificado e desenvolvido. Na nossa avaliação, o desempenho menor no acumulado do quadrimestre está relacionado, principalmente, aos impactos das fortes chuvas no início do ano, especialmente nos resultados de fevereiro”, diz.

Segundo Nametala, uma tragédia como a vivida pela Zona da Mata, a maior já registrada na região, afeta toda a economia, compromete a logística e o funcionamento do sistema de abastecimento e, naturalmente, impacta também os supermercados. “Mas é uma diferença que não nos preocupa, por estar apenas 0,42 ponto percentual abaixo da média estadual. Além disso, a região já demonstrou recuperação nos resultados de março e abril e deve continuar crescendo de forma sustentada.”, conclui.

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