Economia

MPEs e MEIs afetados pelas chuvas em Ubá terão acesso a crédito emergencial de até R$ 10 mil a partir de junho

Linha de crédito sem juros e com carência de até 12 meses busca apoiar a retomada de pequenos negócios atingidos pelas enchentes em fevereiro
MPEs e MEIs afetados pelas chuvas em Ubá terão acesso a crédito emergencial de até R$ 10 mil a partir de junho
Chuvas torrenciais atingiram cidades da Zona da Mata em fevereiro e Ubá foi a mais atingida | Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Micro e pequenas empresas (MPEs) e microempreendedores individuais (MEIs) de Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, poderão acessar, a partir do próximo dia 1º, uma linha de crédito emergencial de até R$ 10 mil. A iniciativa, voltada aos empreendedores afetados pelas fortes chuvas que atingiram o município em fevereiro deste ano, será oferecida sem cobrança de juros, com carência de até 12 meses para o início do pagamento e prazo de parcelamento em até 36 vezes.

Empreendimentos informais, que exerçam atividade profissional ou comercial por meio do CPF, também poderão ser contemplados com o financiamento. Para este grupo, conforme a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Ubá (Aciubá), será destinada uma linha de crédito de, no máximo, R$ 5 mil.

Segundo o presidente da Aciubá, Elias Ricardo Coelho, o fundo solidário Abrace Ubá é fruto de uma parceria da entidade com o Serviço Social Autônomo (SSA-Servas), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Minas Gerais (OAB-MG) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MG).

Conforme o edital, já publicado pela Aciubá, podem solicitar o empréstimo empresas que tenham o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) ativo e regular com abertura anterior a 23 de fevereiro – data de início da tragédia climática na cidade. Também é necessário comprovar danos diretos, seja no estoque, nas máquinas ou na infraestrutura do negócio, causados pela enchente, por meio de autodeclaração dos danos, fotos e outros documentos pertinentes.

Documentos obrigatórios para solicitação do empréstimo

Para pessoas jurídicas

  • Extrato do Cartão de CNPJ;
  • RG e CPF do representante legal;
  • Comprovante de endereço comercial (água, luz, telefone, etc.);
  • Laudo fotográfico com autodeclaração descritiva de danos, com até cinco fotos;
  • Documentação do Avalista (RG/CPF/Endereço) ou termo do Grupo de Aval Solidário;
  • Contrato de Mútuo Civil e Concessão de Crédito Solidário do Fundo Abrace Ubá, assinado digitalmente ou por meio de assinatura oposta pessoalmente.

As pessoas físicas devem apresentar os mesmos documentos além de um comprovante de atividade profissional ou comercial, quando houver.

“O intuito dessa linha de crédito, sem dúvida, é ajudar MEIs e MPEs, haja vista que são os grupos mais necessitados. Não têm recursos, não têm fundos de reserva. Às vezes o MEI é o próprio funcionário dele mesmo”, revela o presidente da Aciubá.

Os interessados no empréstimo têm até 5 de julho para se inscreverem na sede da Aciubá (rua Vereador Rafael Girardi, 473 – Centro – Ubá) ou por meio de um link digital no site oficial da associação, que ainda será disponibilizado.

Recuperação lenta e vendas em queda desafiam empresários

Segundo Coelho, a cidade de Ubá ainda atravessa um cenário de dificuldades no pós-tragédia das chuvas de fevereiro, com apenas 40% do comércio restabelecido. “Muitos comerciantes ainda não voltaram a exercer suas atividades. Vários ainda estão com lojas em reforma. Outros sequer voltarão, seja porque faliram, mudaram de ramo ou simplesmente desistiram do negócio”, diz, acrescentando que a cada dez empresários afetados pelos desastres climáticos, um afirma que não vai reabrir.

O gestor revela ainda que mesmo entre os comerciantes que retomaram as atividades, os relatos comuns são de queda de, pelo menos, 50% das vendas. “Tivemos mais de mil CNPJs afetados. Já no setor de móveis – Ubá é considerada um importante polo moveleiro de Minas Gerais – foram 42 ou 44 indústrias prejudicadas por conta das chuvas”, destaca.

Paralelamente à linha de crédito que começa a ser oferecida em junho, o presidente da Aciubá afirma que o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) também ofertou um empréstimo de R$ 200 milhões para os comerciantes da cidade. Já o governo federal, por meio da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, disponibilizou um financiamento de R$ 500 milhões, que ainda está sendo contratado, com taxa de juros de 8,5% ao ano.

A situação do comércio de Ubá em números no pós-desastre

  • Segundo dados da Aciubá, 93,7% dos estabelecimentos sofreram danos graves ou perda total durante as chuvas de fevereiro em Ubá;
  • 1.045 estabelecimentos operam com estrutura física comprometida, sendo 162 com perda total declarada;
  • O prejuízo econômico total estimado ultrapassa R$ 650 milhões, somando impactos diretos, indiretos e perda de faturamento projetada;
  • 5.378 postos de trabalho diretos estão em risco imediato ou já perdidos;
  • 575 empresas (51,6% dos negócios) declararam intenção de fechamento temporário ou permanente.

O levantamento foi feito por meio de pesquisa de campo da Aciubá entre os dias 25 de fevereiro e 20 de março deste ano com 951 empresas com CNPJ e 164 negócios como profissionais liberais e autônomos na cidade.

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