COTAÇÃO DE 23 A 25/10/2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,6270

VENDA: R$5,6270

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,6730

VENDA: R$5,8030

EURO

COMPRA: R$5,6730

VENDA: R$5,6750

OURO NY

U$1.792,47

OURO BM&F (g)

R$327,87 (g)

BOVESPA

-1,34

POUPANÇA

0,3575%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Economia

Especialistas recomendam cautela diante das incertezas

COMPARTILHE

Especialistas consultados pelo DC destacam a necessidade de planejamento antes de investir | Crédito: Pixabay

O avanço e a ampliação da vacinação no Brasil, a flexibilização e a retomada do trabalho estão propiciando a recuperação gradual de empresas e indústrias. Empreendedores de todo o País começam a vislumbrar uma chance para direcionar recursos dos negócios para novos e promissores investimentos.  

Porém, o cenário econômico atual é desafiador, com a inflação acumulada em 12 meses chegando a 8,99%, a taxa Selic no patamar de 6,25%, o dólar sendo cotado a R$ 5,30 e, além disso tudo, uma instabilidade entre os três poderes da República.

PUBLICIDADE

O DIÁRIO DO COMÉRCIO, em uma pauta escolhida pelos assinantes, procurou especialistas em economia, gestão de empresas e análise de investimentos para saber: é o momento de investir em expansão e melhorias de negócios?

O pesquisador na área de Finanças e Estratégia da Fundação Dom Cabral (FDC), Cássio de Pinho Tavares, avalia que o cenário não é atrativo. O professor esclarece que, cada caso é um caso, mas de modo geral, a instabilidade econômica do País não está oferecendo segurança para novos investimentos. “Estamos em um momento de crise sanitária, hídrica e energética. Há pouco tivemos a notícia da China (caso Evergrande) que abalou o mercado. Outra questão internacional que também nos afeta é a situação no Afeganistão. Isso corresponde uma incerteza nacional e internacional, o que deixa o mercado um pouco instável”, explica.

Ainda de acordo com Tavares, antes de pensar em investir é preciso que o empresário seja cauteloso e estude o cenário real que deverá enfrentar. “É importante ter um auxílio de alguém especializado para fazer esse mapeamento de risco. Avaliando as necessidades do mercado perante o seu negócio. Além disso, ano que vem é ano de eleições, outro ponto incerto é que também não temos um cenário preestabelecido”, opina.

Menor risco

O pesquisador da FDC acrescenta que para aqueles que já estão no caminho do investimento, um setor de menor risco é o de tecnologia. “O e-commerce foi a palavra da crise sanitária. Ele mostrou que o “fisiodigital”  – atendimento físico e o digital  – andam lado a lado, sendo um caminho sem volta. As empresas e indústrias  que não investiram em tecnologia terão que passar por esse processo urgentemente”, pontua.

Cássio Tavares finaliza que mesmo se o empresário quiser investir não opte por empréstimos. “Os juros não estão atrativos neste momento e podem virar um mau negócio no futuro. O ideal é fazer isso com recurso próprio”.

Este também é o pensamento do economista do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Edson Paulo Domingues. Para ele, o momento é negativo para novos investimentos, seja para expansão produtiva ou mesmo para novos negócios. Ele lembra que o País passou por uma forte recessão no ano passado devido à crise sanitária. Neste ano, por causa da ampla vacinação, há uma recuperação, porém não nos patamares desejáveis para investimentos. “Estamos em uma situação sem estímulos políticos e econômicos para isso. Sem geração de emprego e renda, futuro incerto com as eleições do ano que vem. O momento é de espera”, opina.

O economista reforça ainda que os empresários que não possuem recursos suficientes para investir não devem recorrer a empréstimos. “Não é o momento para solicitar empréstimos a bancos ou financeiras. As taxas de juros elevaram e o momento atual não é bom, além disso, a inflação acumulada é alta e deve ficar assim por algum tempo, o que também pode desestimular o consumo das famílias e dependendo da empresa, pode afetar diretamente a rentabilidade”, avalia.

Edson Domingues destaca que apesar da ampliação da vacina e da flexibilização, faltou planejamento do governo federal para a retomada da economia. “Faltou um planejamento de recuperação econômica pós-pandemia por parte do governo federal. Estamos com a máquina pública ruim, dificultando o crescimento do País e afetando, principalmente, a questão dos investimentos no cenário nacional e internacional, ou seja, o Brasil está ficando também menos atrativo para as empresas do exterior”, pontua.

Setores em crescimento

Para o economista do Ibmec Felipe Leroy, apenas o setor de tecnologia merece investimentos nesse momento. “Foi o setor que disparou na crise da Covid-19 e vai continuar com bons resultados. Quem está à frente de empresas como startups, tecnologia da informação, games, e-commerce, agora é o momento de investir em expansão e produtividade. Empresas desse setor que ainda não fizeram isso, devem ficar atentas, porque podem perder muito se ficaram adiando o inevitável”, sinaliza.

O coordenador do curso de Administração do Ibmec, Eduardo Coutinho, avalia que o empresariado tem que ter “os pés no chão”, antes de pensar em expansão. “Avaliar os riscos, os benefícios e os custos para esses investimentos é o básico, mas neste momento, o mais importante é avaliar o cenário Brasil como um todo. Questões políticas, reforma tributária, inflação, a capacidade de retorno desse investimento, a avaliação do seu negócio no mercado”, reforça.

Recursos próprios é a palavra-chave para investir neste momento. “Não pense em investir pegando empréstimo neste momento. Jamais. Isso pode comprometer todo o investimento e a expansão do negócio”, complementa.

Para o professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Roberto Kanter, setores como agronegócio e de tecnologia industrial são os ideais para investimentos. “São os que mais se destacaram durante a crise sanitária e que vão conseguir superar esse cenário de incerteza para investir neste momento”, avalia.

Roberto Kanter esclarece que antes de investir o empresário deve analisar o mercado para o seu negócio e fazer o planejamento estratégico. “Além disso, sempre pensar em tecnologia. O mundo digital foi que pontuou a crise sanitária, foi isso que fez os negócios de modo geral sobreviverem durante a Covid-19”, reforça. 

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!