Economia

Produção recorde de cana e grãos torna o etanol mais vantajoso para o consumidor em Minas Gerais

Produção recorde de cana-de-açúcar e de grãos favorece barateamento tanto nas distribuidoras quanto nos postos
Produção recorde de cana e grãos torna o etanol mais vantajoso para o consumidor em Minas Gerais
Em BH, preço médio foi de R$ 3,67 para litro do etanol hidratado e R$ 5,87 para gasolina, segundo Siamig | Foto: Diário / Arquivo / Charles Silva Duarte

O etanol se tornou a melhor opção para o consumidor abastecer o carro neste mês de maio, segundo a Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig). O motivo é a grande oferta do produto no mercado, o que favorece o barateamento tanto nas distribuidoras de combustíveis quanto nos postos de combustíveis, ponto final de venda. Logo, tem-se um cenário mais favorável para o consumidor em relação à gasolina.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP), o preço ao produtor caiu de R$ 2,89 para R$ 2,22 por litro sem impostos desde abril, uma redução de 23% ou R$ 0,66 por litro. Em alguns postos de combustíveis, o diferencial de preços entre etanol e gasolina ultrapassa R$ 2 por litro, ampliando a vantagem econômica do biocombustível para o consumidor.

“Estamos vivendo um momento muito interessante no etanol, com a entrada, nos últimos anos, do etanol a partir de grãos. Em menos de 10 anos, essa produção saiu de zero para 30% da produção nacional. Essa é a grande novidade: o etanol de grãos teve um crescimento muito forte nos últimos anos e continuará tendo, pelo menos nessa safra e nas próximas duas, um crescimento consistente e muito forte”, disse o presidente do Siamig, Mário Campos.

“Junto a isso, este ano, com a recuperação da cana-de-açúcar do canavial e com a intenção das usinas de produzir um mix mais voltado para o mercado de etanol, diferente dos últimos anos, a expectativa é que tenhamos entre 4 e 5 bilhões de litros adicionais no mercado. E parte desse etanol, 950 milhões de litros, deve suprir a necessidade do mercado de gasolina com a mistura de anidro”, completa Campos.

Queda real nos preços

Esse contexto positivo de alta produção e aumento da oferta tem deixado, dependendo da região e do posto, uma relação de paridade entre etanol e gasolina de até 62%, o que gera uma grande economia para o consumidor ao abastecer com etanol.

De acordo com o Siamig, houve uma média de R$ 3,67 por litro para o etanol hidratado e R$ 5,87 por litro para a gasolina C em diversos postos de Belo Horizonte. Foi encontrada, portanto, uma paridade de 62,5%, com grande favorecimento ao etanol. Ao analisar esses valores, o abastecimento com etanol gera economia de 12% no custo do quilômetro rodado, totalizando R$ 0,39 com etanol e R$ 0,44 com gasolina.

“Com o início da safra, o preço despencou: estamos falando de uma queda de praticamente 70 centavos desde o início da safra. Aos poucos, essa redução está chegando ao consumidor. Belo Horizonte é uma cidade onde demorou um pouco. De abril até meados de maio, houve algum repasse, mas distribuidoras e postos estavam represando as reduções ocorridas na produção. Agora chegou. Há postos com diferença de mais de dois reais entre etanol e gasolina, com relação de preço de 62%, o que gera uma economia muito grande para o motorista”, explica Mário Campos, do Siamig.

Cenário pode se manter em 2027

De acordo com a Consultoria Datagro, a projeção da safra 2026/2027 de cana e grãos é ainda maior do que a de 2025/2026, o que pode resultar em 41,4 bilhões de litros de etanol produzidos a partir da cana-de-açúcar e do milho, injetando cerca de 4,9 bilhões de litros a mais do que na safra passada. Isso pode gerar outra onda positiva de preços mais acessíveis na hora de abastecer.

“Recusa” em baixar os preços

O presidente do Siamig, Mário Campos, revelou que ainda existem cidades resistentes a repassar para a bomba de combustível os preços mais baratos, apesar de haver maior oferta de produto no mercado.

“Tenho que reconhecer que Belo Horizonte está fazendo esse repasse. Em viagem a Uberlândia, por exemplo, a situação é outra: eu paguei R$ 4,57. Em Belo Horizonte, já há postos com R$ 3,67, R$ 3,80. Nós somos produtores e o repasse precisa acontecer. A gasolina tem outra dinâmica, mas no etanol não podemos ver margens tão altas quanto as que estamos vendo em alguns mercados”, disse.

Dados recentes de uma pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), entre os dias 18 e 24 de maio, mostram realidades distintas no estado. Em três cidades de Minas houve variação considerável de preços: BH teve média de R$ 3,87, Uberaba de R$ 3,97 e Uberlândia de R$ 4,72. O etanol saiu da usina a R$ 2,25. Algumas cidades têm praticado preços mais de 100% acima do valor na usina.

“Onde não houve repasse ao consumidor, ele deve ocorrer, porque é essa a justiça. Todo mundo tem que ganhar o que precisa ganhar, mas pensar que o etanol sai da usina a R$ 2,20, R$ 2,30, e há posto vendendo a R$ 4,60, sem nenhum tributo, não dá para entender”, conclui.

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