Fatura da Copasa será reduzida para 80% da população mineira

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Fatura da Copasa será reduzida para 80% da população mineira
A tarifa para o serviço de esgoto da Copasa vai ser unificada, com o valor atrelado à categoria do cliente | Crédito: Divulgação

A diretoria colegiada da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) votou pela alteração da metodologia da revisão tarifária da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Com a mudança, 80% da população mineira que possui algum serviço de tratamento de esgoto perceberá uma redução de até 15% no valor das suas faturas a partir de agosto. A má notícia é que, sob o argumento de “justiça tarifária”, os outros 20% poderão ter aumento de até 50%.

Em média, os consumidores de água e esgoto da Copasa terão redução de 1,52% na conta, além da unificação geral da tarifa para o serviço de esgoto. A redução no valor final da conta dependerá do volume consumido, do tipo de cliente (residencial, social, comercial, industrial e público) e do tipo de tratamento de esgoto utilizado.

É que, hoje, a Copasa possui duas tarifas de esgotamento sanitário a depender do tipo de serviço ofertado. Se o usuário tem apenas a coleta e o afastamento do seu esgoto, paga a tarifa EDC, que representa 25% da tarifa de água. Agora, se possui o serviço completo de esgoto, com a coleta, afastamento e também o tratamento, paga a tarifa EDT, que representa 100% da tarifa de água. Com a mudança aprovada, a Copasa passará a ter apenas uma única tarifa para o serviço de esgoto, independente de qual é o serviço prestado. E essa nova tarifa representa o valor de 74% da tarifa de água.

Procurada, a Copasa disse que irá se pronunciar apenas quando receber a comunicação formal da deliberação da agência reguladora.

Durante a reunião, transmitida ao vivo no canal da agência no Youtube, o diretor-geral da Arsae-MG, Antônio Claret, ressaltou a redução histórica e comparou-a ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que chegou a 32% em abril.

“Ou seja, além de não ter o reajuste pela inflação, está havendo uma redução histórica nas contas. Outro ponto importante é a unificação da taxa de esgoto, com a redução do subsídio. Assim, faz-se a justiça tarifária. Esta revisão busca a menor tarifa possível, desde que disponíveis recursos para que a Copasa possa operar e investir dentro do nível necessário para o novo marco do saneamento”, argumentou.

Três fases – A definição da revisão tarifária ocorreu após longo processo de estudo e debate, com participação da sociedade e recebimento de contribuições acerca dos temas tratados. Em três fases foi estabelecido um conjunto de regras e mecanismos de indução à eficiência, expansão e qualidade dos serviços ao longo dos próximos quatro anos.

Durante todas as fases do processo da segunda revisão tarifária da Copasa a equipe da Arsae-MG analisou mais de 250 contribuições recebidas, as quais tiveram como origem tanto os prestadores de serviços regulados e os titulares quanto a sociedade civil e outros órgãos públicos relacionados à temática.

Em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO em maio, Claret justificou que a sugestão de alteração na forma de cobrança pelos serviços de esgotamento sanitário da estatal mineira levou em consideração dezenas de cobranças infundadas e também o novo marco do saneamento, que agora tem metas e instrumentos que garantem a universalização do atendimento até 2033, com limites parciais de acordo com o contrato de cada município.

“Queremos acabar com uma grande injustiça que é o fato de quem tem apenas o serviço de coleta ser subsidiado por quem tem o tratamento, uma vez que os 25% não cobrem os custos dos serviços”, disse na época.

Questionado sobre o que garantirá a saúde financeira da Copasa, uma vez que haverá redução média das tarifas, mesmo diante do aumento da inflação, Claret explicou que a revisão considera todos os ativos da companhia e também os custos da operação.

A reportagem também perguntou em quais municípios os clientes terão maiores aumentos, mas o diretor disse que era complexo elencá-los. Porém, segundo estimativa baseada nos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis) de 2019, entre os municípios que terão o maior contingente de usuários afetados possivelmente estarão: Divinópolis, onde há aproximadamente 194 mil pessoas sem tratamento de esgoto; Sabará (89 mil), Ubá (85 mil); Coronel Fabriciano (85 mil); Ribeirão das Neves (55 mil); Patos de Minas (54 mil); Ibirité (49 mil); Três Corações (46 mil); Cataguases (46 mil); Guaxupé (44 mil) – e outras 115 cidades, totalizando mais de um 1,5 milhão de pessoas no Estado.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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