Crédito: Divulgação/Fiat

Embora o faturamento do parque fabril mineiro tenha avançado 6,8% em junho na comparação com maio, representando o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica (2003), com exceção de junho de 2018 (26,9%), quando a indústria voltou à normalidade, após a greve dos caminhoneiros, a maior parte dos índices nas demais bases de comparação continua negativa em virtude da crise imposta pela pandemia do Covid-19.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, por exemplo, as receitas da indústria mineira caíram 6,7%, levando a uma retração de 7,6% no acumulado do primeiro semestre de 2020. Já quando considerados os últimos 12 meses, o recuo no faturamento também foi de 6,7%.

Os números constam da Pesquisa Indicadores Industriais (Index) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) de junho e apresentaram crescimento em todas as variáveis frente ao mês imediatamente anterior.

“Após dois meses de resultados majoritariamente negativos em decorrência da pandemia de Covid-19, houve leve recuperação no sexto mês, possivelmente proporcionada pela superação do ápice das medidas de distanciamento social no Estado. Porém, o comparativo com 2019 ainda indica quedas expressivas sobre um resultado já não tão bom”, afirmou a analista de estudos econômicos da Fiemg, Julia Silper.

Incertezas – Sobre os próximos meses, a analista disse que o cenário é de incertezas, uma vez a recuperação da atividade industrial começou a ocorrer com o início da flexibilização da quarentena. Contudo, as dúvidas quanto à duração da pandemia devem contribuir para um ritmo mais moderado de retomada.

“Nesse contexto, é relevante destacar a volta à discussão de reformas estruturais importantes, como a tributária, essenciais para ampliar a competitividade da indústria nacional”, ressaltou.

Julia Silper alertou ainda que no caso do emprego, os impactos serão sentidos no último trimestre de 2020. Conforme ela, os níveis estão estáveis (0,1% sobre maio), por ser um dos últimos indicadores a refletir qualquer mudança na economia e também em função das medidas do governo federal de suspensão de contratos e redução de jornada, como forma de auxiliar os empresários neste momento.

“Nas empresas que aderiram imediatamente, os profissionais estão retornando agora. Se tivermos maiores impactos será nos próximos meses”, explicou. Pelo mesmo motivo, no caso da massa salarial, no mês de junho já foi possível perceber o aumento com a retomada dos pagamentos. De acordo com a pesquisa, houve avanço de 3,8% sobre maio.

De maneira detalhada, o avanço do faturamento da indústria em junho frente a maio refletiu os crescimentos nas indústrias extrativa (6,9%) e de transformação (7,3%). Na comparação com semelhante época de 2019, a redução de 6,7% no índice geral foi puxada pela queda de 7,8% na indústria de transformação.

As horas trabalhadas na produção da indústria avançaram 7,8% no sexto mês de 2020 em relação a maio. Sobre junho de 2019, o índice geral caiu 5,3% e de janeiro ao sexto mês, recuou 6,3% na comparação com os primeiros seis meses do ano anterior. No acumulado em 12 meses, as horas da indústria diminuíram 2,6%.

A massa salarial, por sua vez, aumentou 3,8% em junho sobre o quinto mês de 2020. Na comparação com junho de 2019, o índice caiu 4,5% e nos seis meses registrou elevação de 0,8%, enquanto que no acumulado em 12 meses, o índice aumentou 2%.

Já a utilização da capacidade instalada alcançou 75,2% no sexto mês deste exercício, avanço de 0,6 ponto percentual sobre maio (74,6%). O resultado foi puxado pela indústria de transformação (74,3%). Porém, a utilização da indústria geral permanece abaixo da média histórica (82,7%).