A utilização da capacidade instalada nas indústrias cresceu de 75,3% em junho para 76,2% em julho | Crédito: Alisson J. Silva

O faturamento e as horas trabalhadas da indústria mineira avançaram pelo terceiro mês consecutivo, refletindo a flexibilização das medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus no Estado.

Apesar disso, os impactos econômicos causados pela pandemia ainda impactaram negativamente os indicadores de julho na comparação interanual, com exceção das receitas.

Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e mostram que o faturamento da indústria geral avançou 4,8% no sétimo mês, representando o melhor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2003.

As horas trabalhadas na produção e a utilização da capacidade instalada também expandiram em julho, refletindo os aumentos nas indústrias de transformação e extrativa.

De acordo com a analista de estudos econômicos da Fiemg, Julia Silper, na comparação com junho, os resultados de julho foram majoritariamente positivos, em consequência da abertura econômica de algumas cidades mineiras, que já ocorre há cerca de três meses.

“O principal termômetro deste movimento está nas horas trabalhadas, que cresceram 5,2% em julho frente a junho. O nível de utilização da capacidade instalada das indústrias também passou de 75,3% no sexto mês deste exercício para 76,2% no período seguinte”, comentou.

O emprego, por sua vez, mostrou o quarto recuo seguido (-0,8%), e a massa salarial ficou praticamente estável (-0,1%).

Já na comparação com igual mês de 2019, embora o faturamento tenha avançado em 2,3%, todos demais indicadores sofreram redução na mesma base de confronto. As horas trabalhadas caíram 2,9%, o emprego 3,9% e a massa salarial 3,7%.

Apenas emprego cresceu em 7 meses

Segundo a Pesquisa Indicadores Industriais (Index), apenas o emprego na indústria mineira segue positivo em 1,2% de janeiro a julho, frente aos sete meses de 2019. O faturamento caiu 6,2%, as horas trabalhadas 6,3% e a massa salarial ficou estável (0,1%). A utilização da capacidade instalada do parque fabril mineiro foi de 79,6% no acumulado de janeiro a julho do ano passado e agora chegou a 76,4%.

Para a analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Julia Silper, o desempenho ainda favorável do emprego pode ser associado às medidas adotadas pelo governo federal em prol da preservação dos postos de trabalho, possibilitando suspensão de contratos e redução de jornadas. “Com a Medida Provisória 936/2020, o governo subsidiou parte dos salários e ajudou a segurar os empregos, garantindo estabilidade ao funcionário”, explicou.

Mas, conforme a analista, apesar da melhora no desempenho da atividade industrial em julho, as perspectivas para o cenário econômico seguem negativas, tendo em vista o elevado nível de incerteza, especialmente quanto à duração da pandemia de Covid-19 e à aprovação das chamadas reformas estruturais.

“De toda maneira, a prorrogação do Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda, bem como do Auxílio Emergencial, deve evitar uma queda brusca do emprego e do consumo nos próximos meses, beneficiando a indústria mineira no decorrer do segundo semestre”, completou.