Impulsionado pelo ouro, faturamento do setor mineral em Minas Gerais cresce 4,3% no primeiro semestre
O faturamento do setor mineral em Minas Gerais alcançou R$ 57,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, registrando expansão de 4,3% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado garantiu ao Estado a primeira posição no cenário nacional, respondendo por 38,2% do montante total, superando o Pará, que somou R$ 52,2 bilhões (34,6%). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
O diretor de assuntos minerários da entidade, Julio Nery, afirma que o ouro foi o principal responsável pelo desempenho do setor em Minas Gerais. Grande produtor do metal, o Estado concentra operações de importantes empresas do segmento, como AngloGold Ashanti, Kinross Gold, CMOC Group e Jaguar Mining.
Conforme levantamento do Ibram, na primeira metade de 2026, o preço médio da onça do ouro chegou a US$ 4.695,98, o que representa alta de 52,9% na comparação interanual. Impulsionada por essa valorização histórica, a receita mineira com exportações do metal cresceu 64,5% no acumulado de janeiro a junho frente ao mesmo intervalo do ano passado.
No Brasil, as mineradoras faturaram R$ 150,7 bilhões no primeiro semestre, avanço de 8,2% sobre um ano antes. O ouro também atuou como principal motor desse crescimento: o valor faturado do metal aumentou 44,2% e o valor dos embarques saltou 69,3%. Outro destaque foi o cobre, cujo preço médio semestral subiu 38,8%, para US$ 13.088,09 por tonelada, o faturamento, 41%, e a receita com embarques, 83,8%.
Embora seja o principal produto do setor mineral tanto em Minas Gerais quanto em âmbito nacional, o faturamento do minério de ferro no País recuou 3,1% na mesma base de comparação. Por outro lado, o preço médio da commodity na primeira metade do ano teve alta de 3,7%, chegando a US$ 104,75/tonelada, e o valor exportado expandiu 5,2%. Segundo Nery, a retração na cifra faturada decorreu de uma menor produção no período.
Perspectivas para o segundo semestre
As perspectivas para o segundo semestre da mineração no Estado são positivas. O diretor de assuntos minerários do Ibram avalia que, sem a interferência do período chuvoso, que afeta operações no primeiro semestre, a produção de minério de ferro deve se manter estável. Ainda de acordo com ele, variações de preço podem ocorrer, mas não é esperado uma redução para patamares inferiores à faixa entre US$ 95 e US$ 100 por tonelada.
Sobre o ouro, Nery ressalta que a entidade não tem conhecimento de projeções que indiquem retração de preços para além da cotação atual, de pouco mais de US$ 4.000 a onça. Assim, o desempenho do segmento tende a seguir em trajetória favorável.
“A tendência mostrada nas diversas análises é que a onça fique a US$ 4.200, por aí. Então, vai girar acima de US$ 4.000 e o ouro continuará sendo significativo. Como Minas Gerais tem grandes produtores, várias empresas, se espera uma manutenção do nível de produção para o segundo semestre”, prevê.
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