Economia

Fim da escala 6X1 pode gerar onda inflacionária nos preços da construção civil, afirma Sicepot-MG

Setor de construção pesada avalia que eventual aprovação da PEC no Senado exigirá mais contratações para manter a produtividade, o que impactará nos custos das obras
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Fim da escala 6X1 pode gerar onda inflacionária nos preços da construção civil, afirma Sicepot-MG
Foto: Reprodução Adobe Stock

Aprovada em maio pela Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, com dois dias de descanso a cada cinco trabalhados, tem gerado controvérsias no setor de construção pesada no Estado.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Bruno Ligório, caso o novo formato de trabalho seja aprovado pelo Senado Federal, o setor pode sofrer com uma onda inflacionária de preços.

“Quando a gente reduz aí, vamos falar 10%, 12% da carga horária, isso naturalmente reflete no custo da construção. A gente vai ter que repor com mais mão de obra para manter a produtividade ou reduzir a produtividade. Ambos vão gerar aumento de custo, pressão nos custos e aumento de preço”, diz.

Segundo ele, esse impacto será sentido em toda a cadeia produtiva do segmento, desde a construção civil à pesada. Os reajustes nos preços não serão homogêneos, com oscilações adequadas à realidade de cada setor.

“A construção pesada tem um universo muito grande. Em uma obra de saneamento, de execução de redes de esgoto e água, por exemplo, a mão de obra pesa mais do que o combustível. Então, esse setor vai ser o mais impactado com o fim da escala 6×1 do que o setor rodoviário”, explica.

Ligório destaca ainda que o Sicepot-MG engloba cinco segmentos da construção pesada e cada um demanda necessidades heterogêneas de trabalhadores. “O que eu posso afirmar é que todos eles serão impactados, cada um em um grau diferente, dependendo do peso da mão de obra nos custos de cada cadeia”, reforça.

Industrialização surge como alternativa

Uma alternativa, segundo o gestor, para contornar o cenário diante do fim da escala trabalhista atual, é investir na mecanização do setor.

“A gente precisa trabalhar com mais máquinas, mais industrialização fora dos canteiros e tentar chegar nos canteiros de obra já com os insumos ou com os serviços industrializados. A gente chama de industrialização da construção. É uma tendência muito grande, muito forte, acho que é o caminho que o mundo vem tomando e é o caminho do Brasil possivelmente”, analisa.

O presidente do Sicepot-MG também faz questão de enfatizar que a iminência de uma crescente automatização dos serviços não resultará em aumento do desemprego.

“Com o pipeline de projetos que a gente tem hoje para Minas Gerais, vamos precisar dobrar a nossa mão de obra independentemente da industrialização nos próximos oito anos. Então, há uma necessidade de atrair mão de obra muito grande. Mas a gente precisa ao mesmo tempo industrializar um pouco mais”, diz.

Juros elevados dificultam avanço da automação

Bruno Ligório pontua ainda que o desafio para o setor avançar nos processos de industrialização está atrelado a um alto volume de investimentos, seja em maquinários ou adesão a novas tecnologias. “O investimento demanda capital, e nós ainda temos o problema da taxa de juros no Brasil. Então, hoje, essa é a grande dificuldade do setor”, relata.

Por fim, o gestor acrescenta que o Sindicato espera uma normalização do ambiente macroeconômico, com uma queda da taxa de juros para que os investimentos em automação ganhem mais pujança.

Como está a votação da escala 6×1?

Após ser aprovada na Câmara dos Deputados, em maio, por 34 votos favoráveis e quatro contrários, a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 está em tramitação no Senado, onde permanece sem calendário definitivo para despacho.

A principal PEC, que propõe o fim da atual escala, foi apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) em parceria com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), em fevereiro de 2025. O projeto inicial mais antigo, de 2019, sobre o tema na Câmara dos Deputados é de autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG).

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