Financiamento de veículos cresce 13,6% em Minas Gerais no 1º trimestre
O volume de veículos financiados em Minas Gerais cresceu 13,6% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com levantamento da Trillia, empresa ligada à B3 com foco em dados, analytics e inteligência artificial.
No recorte por categoria, os autos leves registraram alta de 11,3% no volume financiado em Minas Gerais em relação ao primeiro trimestre de 2025. Dentro desse segmento, os veículos novos tiveram avanço de 19,3%, enquanto os usados cresceram 9,6% no período.
O financiamento de motos foi o destaque em termos de crescimento relativo no Estado, com expansão de 22,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo intervalo do ano anterior. As motos novas apresentaram aumento de 26,8%, e as motos usadas avançaram 15,7% na mesma base de comparação.
Entre os veículos pesados – que englobam caminhões e ônibus -, o volume de financiamentos em Minas Gerais cresceu 11,8% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. As operações com pesados novos tiveram alta de 5,5%, enquanto os usados registraram crescimento de 15,4%, indicando maior dinamismo no mercado secundário dessa categoria no Estado.
O resultado não surpreendeu o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Glênio Leonardo de Oliveira Junior. Ele apontou que um dos fatores que contribuíram para o fechamento positivo foi a preferência dos clientes por seminovos, que se tornou uma opção mais viável para obter financiamento.
“Uma tendência observada nos três primeiros meses do ano é o movimento de consumidores que deixam de comprar veículos zero quilômetro, que ficam fora do alcance financeiro, e optam por seminovos, ou seja, carros com até três anos de uso, geralmente ainda com garantia de fábrica e quilometragem compatível com o ano. Muitas vezes, parte desse valor é financiada”, explica.
Alta dupla
Em março de 2026, o volume total de veículos financiados em Minas Gerais cresceu 32,5% em relação a março de 2025, de acordo com a Trillia. Na comparação com fevereiro de 2026, o aumento foi de 23,9%.
Entre os autos leves, o número de financiamentos em março avançou 30,1% frente ao mesmo mês de 2025, enquanto na comparação com fevereiro de 2026 o total subiu 21,8%.
Nas motos, os financiamentos em Minas Gerais aumentaram 37,6% em março de 2026 na comparação com março de 2025. Na leitura mês a mês, o volume total avançou 27,7% em relação a fevereiro.
No segmento de veículos pesados, o total financiado em março cresceu 43,7% na comparação com março de 2025 e 39,4% em relação a fevereiro de 2026.
Perspectivas
Apesar dos números animadores, a postura do setor é de monitoramento cauteloso do cenário macroeconômico. Fatores como a guerra no Oriente Médio, o preço dos combustíveis, a Copa do Mundo no meio do ano e as eleições no segundo semestre podem gerar oscilações.
“O setor tem demonstrado grande resiliência, e, se a performance dos primeiros três meses se mantiver, 2026 tem condições de ser um bom ano para o segmento automotivo, podendo superar os recordes de Minas Gerais (2,7 milhões de unidades) e do mercado nacional (18,5 milhões de unidades) registrados em 2025”, afirma o presidente da Assovemg.
“Aceitando o custo”
Para o especialista em finanças e investimentos e CEO da Plano Fintech de Educação Financeira, Ricardo Hiraki, o cenário positivo do primeiro trimestre de 2026 traz uma “contradição”.
“Mesmo com a queda da taxa básica, os spreads bancários no Brasil ainda são elevados. Isso significa que parte do custo do crédito não está diretamente ligada à Selic, mas sim a risco, inadimplência e custos operacionais. Por outro lado, o aumento do volume financiado, mesmo com juros altos, mostra que o consumidor está ‘aceitando’ o custo atual, possivelmente esperando melhores condições no futuro para refinanciamento ou troca do veículo”, comenta.
Já o CEO da Arvoh, empresa de inteligência financeira, Arides César, afirma que há uma demanda reprimida bastante relevante, especialmente após um período mais restritivo de crédito nos últimos anos, que agora começa a se materializar. “Além disso, há uma melhora gradual na confiança do micro e pequeno empresário, que voltou a investir, seja para a mobilidade do negócio, seja para a geração de renda, como no caso de veículos utilitários e motos”, ressalta.
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