Gastos de brasileiros com viagens ao exterior batem recorde no 1º semestre
Turistas brasileiros gastaram US$ 12,6 bilhões (R$ 64,5 bilhões) com viagens ao exterior no primeiro semestre de 2024, afirma o Banco Central em dados divulgados nesta terça-feira (28). O valor é o maior para o período desde o início da série histórica da autarquia, em 1995.
No mesmo período de 2025, os gastos somaram US$ 10,3 bilhões (R$ 51,83 bilhões) — a alta em 2024 foi de 22,5%. O recorde anterior havia sido registrado no primeiro semestre de 2014, quando os brasileiros desembolsaram US$ 12,4 bilhões (R$ 63,6 bilhões, em valores nominais) em viagens para fora do país.
O movimento acompanha a queda do dólar, que torna as viagens internacionais mais baratas. Em 2024, a moeda norte-americana acumula recuo de 6,76%. Nesta terça-feira (28), o dólar era cotado a R$ 5,117. Em maio, chegou a R$ 4,891, o menor valor desde janeiro de 2024.
A cotação influencia os custos de passagens, hospedagens e compras no exterior. Com a moeda americana mais barata, viajar para fora do país fica mais acessível aos brasileiros.
Em 2025, o número de passageiros em voos internacionais com origem ou destino no Brasil bateu recorde. De janeiro a novembro, foram mais de 25 milhões de passageiros — maior patamar da série histórica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), iniciada em 2000.
Investimento direto no Brasil cresce 33%
Os dados do Banco Central também mostram que o investimento direto no Brasil — a entrada de recursos estrangeiros destinados principalmente à participação em empresas e a projetos produtivos no país — cresceu cerca de 33% no primeiro semestre. Apenas em junho, o investimento direto alcançou US$ 9,07 bilhões (R$ 46,39 bilhões).
O BC também elevou a projeção para o investimento estrangeiro direto neste ano, de US$ 70 bilhões (R$ 357,84 bilhões) para US$ 75 bilhões (R$ 383,4 bilhões). Mesmo com a revisão para cima, a estimativa para 2024 permanece abaixo do registrado em 2025, quando o investimento direto somou US$ 78 bilhões.
Para a autarquia, um desempenho mais forte das exportações favorece a entrada de capital estrangeiro em empresas brasileiras.
As exportações de soja, carne bovina e petróleo também beneficiam o país. Como exportador da commodity, o Brasil tende a aproveitar a alta dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio.
Nesta terça-feira (28), o petróleo voltou a cair, para US$ 80,68 (R$ 412,67), com a retomada do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico. Na semana passada, porém, as ofensivas levaram a cotação a US$ 102.
Outro dado divulgado pelo BC nesta terça-feira (28) foi a redução do déficit em transações correntes, indicador que reúne o saldo das operações do país com o exterior em bens, serviços, renda e transferências.
Em junho deste ano, o déficit foi de US$ 2,33 bilhões (R$ 11,91 bilhões), contra US$ 5,18 bilhões no mesmo mês de 2025.
A balança comercial registrou superávit de US$ 8,83 bilhões (R$ 45,14 bilhões) em junho, ante US$ 5,25 bilhões (R$ 26,9 bilhões) no mesmo período do ano passado.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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