Economia

Gerdau não descarta a retomada de usina em Barão de Cocais diante de expectativa de proteção ao aço nacional

Companhia pode retomar a planta mineira hibernada há dois anos caso avancem medidas antidumping contra importações de aço
Gerdau não descarta a retomada de usina em Barão de Cocais diante de expectativa de proteção ao aço nacional
Foto: Divulgação / Gerdau

Com perspectivas positivas para uma redução das importações brasileiras de aço, diante de um arcabouço efetivo de defesa comercial do setor siderúrgico nacional, a Gerdau não descarta voltar a operar a usina de Barão de Cocais, na região Central de Minas Gerais.

A unidade foi hibernada há dois anos. À época, a companhia alegou que os custos elevados de matérias-primas e a insuficiência da produção de minério de ferro próprio, no Estado, somados a uma estrutura com menor nível de atualização tecnológica, afetavam diretamente a competitividade da planta frente ao cenário desafiador do mercado de aço no Brasil.

Ressaltando que o País tem aceitado a entrada de aço da China em condições de concorrência desleal com a siderurgia nacional, o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, disse em coletiva, nesta quinta-feira (28), que a empresa acredita que o governo federal anunciará, em breve, novas medidas antidumping para tornar a competição justa.

Conforme o executivo, em dois ou três meses será comunicado a aplicação de antidumping à importação de produtos importantes para o portfólio da companhia. Vale pontuar que estão em fase final de análise os processos de antidumping para bobinas a quente e fio-máquina, cujas investigações preliminares apontaram danos.

Ele enfatizou que, ao trazer isonomia para a disputa, os antidumpings geram novas possibilidades para o setor siderúrgico no Brasil, o que permite à Gerdau anunciar maiores investimentos no País e retomar usinas paralisadas, como a planta mineira.

CEO da Gerdau, Gustavo Werneck
Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

“Tem, atualmente, a operação de Barão de Cocais parada. Tem uma em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Tem outra na Bahia. Então não só [podemos voltar a operar] Barão de Cocais, que representa muito para nós mineiros, mas também outras operações”, afirmou.

“São usinas que estão paradas, mas que a gente tem condição de colocá-las em funcionamento, uma vez que essa competição volte a ser justa e possamos, de fato, encontrar possibilidades de voltar a atender a indústria brasileira”, salientou.

Cabe lembrar que, na última semana, durante evento de comemoração ao Dia da Indústria, em Belo Horizonte, Werneck também manifestou o desejo da companhia de retomar operações no Brasil e revisar para cima o plano de investimentos no País. Ele demonstrou otimismo tanto pela expectativa de novos antidumpings quanto pelas medidas de defesa comercial anunciadas pelo governo federal no início do ano.

Em janeiro, foi aprovada a aplicação do direito antidumping definitivo sobre aços pré-pintados de origem chinesa e indiana, além do aumento da alíquota de importação para 25% de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos siderúrgicos, sem o estabelecimento de cotas. No mês seguinte, foi oficializado o direito antidumping definitivo sobre aços laminados planos a frio e revestidos planos da China.

Usina de Ouro Branco completa quatro décadas de operação

O CEO da Gerdau conversou com a imprensa nesta quinta-feira durante solenidade de comemoração dos 40 anos de operação da usina de Ouro Branco (região Central), a maior da companhia no mundo. Com capacidade instalada de 4,5 milhões de toneladas (t) por ano, a planta responde por mais de 10% de todo o aço produzido no Brasil.

A unidade fabrica aços planos e perfis estruturais, essenciais para setores como construção civil, automotivo, agrícola, energia e naval, além de outros produtos como vergalhão e fio-máquina, abastecendo o mercado interno e exportando para dezenas de países.

Desde que foi inaugurada em 1986 pela Açominas — adquirida pela Gerdau posteriormente —, a usina já produziu mais de 110 milhões de t de aço bruto. Com esse volume seria possível produzir 120 milhões de carros populares ou construir 1.500 pontes Rio-Niterói.

A unidade também é considerada um dos principais motores de desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais. Aproximadamente dez mil pessoas circulam diariamente pela usina, entre colaboradores próprios e de empresas parceiras, sendo que a maioria reside em Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e Congonhas.

Segundo Werneck, a usina de Ouro Branco é uma referência no setor no País, promove desenvolvimento no município e contribui para toda a indústria brasileira. O executivo afirmou que a operação seguirá como uma das mais importantes para a Gerdau e disse que a nova plataforma de mineração da companhia no distrito de Miguel Burnier, em Ouro Preto (região Central), será relevante para que a usina de Ouro Branco siga crescendo.

Na ocasião do evento, também foi lançado o projeto “Dignidade Ouro Branco”, que abrange um plano integrado de infraestrutura, educação e inclusão para a superação da pobreza no município. A iniciativa da Gerdau, em parceria com a Prefeitura de Ouro Branco, será implementada por meio da Metodologia Decolagem da Organização Não Governamental (ONG) Gerando Falcões e será composta por cinco eixos de atuação: habitação e infraestrutura, educação pública, reciclagem, turismo e renda e empregabilidade.

* O repórter viajou para Ouro Branco a convite da Gerdau

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