Professores de escolas particulares de BH e região decidem suspender a greve

Categoria retoma as atividades nesta quarta-feira (23), mas mantém estado de greve e aguarda julgamento do impasse pelo TRT
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Professores de escolas particulares de BH e região decidem suspender a greve
Foto: Divulgação/Sinpro-MG

Os professores de escolas particulares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (RMBH) decidiram suspender a greve da categoria e retomar as atividades a partir desta quarta-feira (23). A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta terça-feira (22), da qual participaram mais de 700 docentes, segundo o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG).

Embora não tenham chegado a um acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), os docentes consideraram o movimento vitorioso porque as reivindicações da categoria serão analisadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Os professores estavam com as atividades paralisadas desde a última quarta-feira (16).

Na assembleia desta terça-feira, os professores recusaram a proposta do sindicato patronal apresentada na última audiência do TRT, que, conforme o Sinpro-MG, prevê alterações em duas cláusulas da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT): o fim da isonomia salarial e a mudança na indenização por redução de carga horária.

Os professores afirmaram que as mudanças propostas pelo sindicato patronal representam retrocessos nos direitos da categoria e já haviam sido rejeitadas em outras assembleias.

Professores rejeitam divisão da Convenção Coletiva

A categoria também voltou a rejeitar a proposta patronal de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho em duas: uma para a educação básica e outra para o ensino superior. Na avaliação dos educadores, a divisão enfraqueceria a capacidade de negociação coletiva e abriria espaço para mudanças em conquistas históricas, como as bolsas de estudos e a isonomia salarial.

Os docentes defendem ainda a renovação, sem alterações, da atual Convenção, com reajuste salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 3,77%. A categoria também aprovou a manutenção do estado de greve e a realização de uma nova paralisação das atividades no mesmo dia do julgamento no TRT, previsto para o início de novembro.

“Em função da greve, o impasse nas negociações e outras reivindicações dos professores agora serão julgados no Tribunal. Então foi um movimento extremamente vitorioso, e os professores estão de parabéns. Mostraram mais uma vez a força e unidade da categoria”, destaca a presidente do Sinpro-MG, Valéria Morato.

Ainda segundo ela, os trabalhadores protagonizaram, nos últimos dias, uma mobilização que, na avaliação da dirigente sindical, evitou perdas para uma carreira profissional que já enfrenta inúmeras adversidades.

Greve amplia debate sobre condições de trabalho nas escolas

Valéria Morato também afirma que, desde o início do movimento, a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Segundo ela, porém, o sindicato patronal não tem demonstrado disposição para negociar. “Eles querem impor uma condição que é extremamente prejudicial à categoria”, afirma.

A diretoria do Sinpro-MG também avalia que a greve contribuiu para ampliar o debate na sociedade sobre as condições de trabalho dos professores de escolas particulares. “Essa é uma discussão que precisa envolver toda a comunidade escolar. Porque não existe escola de qualidade sem profissionais valorizados, respeitados e com condições dignas de trabalho”, disse a presidente do sindicato.

Procurado pelo Diário do Comércio para informar se pretende seguir com as negociações com o Sinpro-MG fora da esfera judicial, o Sinepe-MG afirmou, por meio de seu advogado, Mauro Grimaldo, que ainda não havia recebido oficialmente a informação sobre a suspensão da greve por parte do sindicato dos professores.

“De todo modo, entendemos que essa decisão é a mais sensata. A decisão do desembargador indeferiu o pedido de suspensão da greve, que o Sinepe-MG havia feito, no entanto, não julgou o mérito sobre a legalidade ou não da greve. Apesar disso, o Sinepe-MG permanece aberto ao diálogo e à negociação permanente com o Sinpro”, afirma Grimaldo.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas