Economia

Impressão 3D para a indústria chega a Minas

Centro de Desenvolvimento está recebendo investimentos de mais de R$ 20 milhões
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Impressão 3D para a indústria chega a Minas
Impressora 3D já está no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia de Manufatura Aditiva por Deposição a Arco (CDT Mada) | Crédito: Sebastião Jacinto Jr/Fiemg

O Centro de Inovação e Tecnologia Senai (CIT Senai), localizado no Horto, região Leste de Belo Horizonte, vai receber um Centro de Desenvolvimento da Tecnologia de Manufatura Aditiva por Deposição a Arco (CDT Mada) voltado para a impressão 3D de peças metálicas de grande porte. Na prática, serão realizados projetos de pesquisa e desenvolvimento de peças não convencionais para aplicação na indústria.

Setores como mineração, siderurgia, óleo e gás, ferroviário, bens de capital e engenharia mecânica estão entre os potenciais demandantes deste tipo de equipamento. E entre os diferenciais da tecnologia, a otimização do tempo de fabricação dos itens e a adaptação da modelagem para um melhor desempenho.

O projeto está recebendo mais de R$ 20 milhões em investimentos. A primeira fase, que demandou cerca de R$ 8,6 milhões, foi direcionada à compra dos equipamentos. Já a segunda etapa prevê aportes da ordem de R$ 12 milhões na estruturação do Centro para impressão 3D no CIT Senai.

A iniciativa é conjunta entre a ArcelorMittal, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), a Belgo Arames, a Delp Engenharia e a MRS Logística.

Segundo o gerente-geral de Inovação e Açolab da ArcelorMittal Aços Longos Latam e Mineração Brasil, Alexandre Caldeira, o novo ciclo de aportes visa o desenvolvimento de inteligência artificial para monitoramento e controle do processo de impressão 3D com arames. Ele ressalta que o Projeto Dedicar, como foi batizado, engloba tecnologias inovadoras e disruptivas para o processo de Manufatura Aditiva por Deposição a Arco (Mada) a nível mundial.

“A inteligência artificial apresenta o potencial de alavancar a aplicação do projeto em escala industrial, ao proporcionar a eficácia necessária para a produção de peças com geometrias complexas de forma assertiva e qualificada. É uma tecnologia muito promissora para a indústria nacional e requer muito desenvolvimento tecnológico não só no País, mas no mundo inteiro”, afirma.

Projeto no CIT Senai, localizado no Horto, é uma parceria de empresas como ArcelorMittal, Delp, Belgo, MRS Logística e Embrapii | Crédito: Sebastião Jacinto Jr/Fiemg

Quando os primeiros projetos de impressão 3D para a indústria sairão do papel?

O Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do CIT Senai, José Luciano de Assis Pereira, complementa que o CDT Mada trabalhará com projetos contínuos e de médio prazo. Isso significa o desenvolvimento de tecnologias de cerca de três anos, mas com ganhos a partir de cada entrega, durando de seis a oito meses.

“Os resultados vão acontecendo com o avanço de cada projeto. Serão produzidas peças não convencionais, ou seja, que não são facilmente encontradas no mercado. Isso vai beneficiar a operação de vários setores. Já temos alguns protótipos de peças impressas para a siderurgia, por exemplo”, revela.

Pereira reforça que para o CTI Senai, a criação do novo Centro representa a oportunidade de desenvolvimento de uma nova competência. Conforme ele, os doutores e pesquisadores do Centro de Inovação estão envolvidos no processo e agregando mais profissionais. “A iniciativa gera impacto econômico e social com a geração de conhecimento e o incentivo a novos talentos”, ressalta.

Caldeira também lembra que iniciativas do tipo são muito pontuais no Brasil, todas alocadas em universidades. A equipe desconhece impressão 3D utilizando arame e voltada para peças de grande porte com aplicabilidade industrial e com tamanha capacidade de escalada. Ele cita a tecnologia de manufatura aditiva por laser e pó metálico como a mais próxima atualmente existente. Mas pondera a matéria-prima e a necessidade de espaço como algumas de suas limitações.

“A grande vantagem é que permite geometrias ultracomplexas. O maior exemplo são peças de turbinas de aviões que foram redesenhadas e fizeram, de fato, o setor decolar. Mas essa indústria percebeu que existem outras áreas em que essa tecnologia acaba ficando muito limitada. Então, surgiu uma nova oportunidade a partir do sucesso da soldagem com arame”, justifica.

Agora, o novo ciclo de investimentos no CDT Mada e a aplicação da inteligência artificial no manejo das operações de impressão 3D vão permitir mais um avanço na área. “O robô vai seguir as coordenadas e fundir o material. O braço robótico vai permitir a execução em maiores ângulos. Ainda assim, a tecnologia ainda tem muito a se desenvolver e ampliar ainda mais a amplitude do arco. Isso implica em novos desenvolvimentos da tecnologia, até entregarmos as peças conforme o padrão esperado”, explica.

Arcelor e parceiros anunciam investimentos para o Centro de Inovação

O anúncio do Centro ocorrerá na manhã desta sexta-feira (5), durante evento em comemoração ao aniversário de quatro anos do Centro de Inovação ArcelorMittal para a Indústria (Ciami). O Ciami é um convênio de cooperação tecnológica entre a ArcelorMittal, Fiemg e Senai, localizado na capital mineira.

O Ciami promove o desenvolvimento de projetos de pesquisa e inovação, a aceleração de ações estratégicas para a produtora de aço, o acesso a equipamentos de última geração e o intercâmbio com profissionais qualificados, além de oportunidades de capacitação técnica.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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