Economia

Inadimplência do aluguel sobe para 6,5% em Minas e Estado segue com maior taxa do País

Alta em abril interrompe queda do início do ano; avanço mais forte dos preços de locação e renda menor ajudam a explicar patamar acima da média nacional
Inadimplência do aluguel sobe para 6,5% em Minas e Estado segue com maior taxa do País
Foto: Reprodução Adobe Stock

A inadimplência no pagamento de aluguéis residenciais em Minas Gerais voltou a subir em abril e permaneceu como a mais alta entre os estados monitorados pelo Índice de Inadimplência de Aluguéis (IIA), da Loft. No Estado, 6,5% dos contratos registraram atrasos superiores a 15 dias, acima dos 6,2% observados em março. Na média do País, o indicador passou de 5,4% para 5,7% no mesmo período.

Mesmo após a leve melhora registrada no início do ano, Minas Gerais segue acima da média nacional e isolado na ponta do ranking. Em abril, São Paulo registrou 5,9%, Rio Grande do Sul 5,8%, Santa Catarina 5,3%, Paraná 4,8%, Rio de Janeiro 4,3% e Espírito Santo 4,1%.

Pressão do aluguel e renda menor explicam patamar elevado

Segundo o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, o comportamento da inadimplência em Minas Gerais está associado a dois fatores: ao aumento mais intenso dos preços de locação no Estado e ao nível de renda inferior ao observado em outras regiões.

“O primeiro fator tem a ver com o próprio mercado imobiliário. O aluguel em Minas Gerais subiu muito mais intensamente do que no restante do País. Dados da Loft mostram que, nos últimos 12 meses, o aluguel avançou 19% em Minas Gerais, enquanto a média dos outros estados acompanhados foi de 5%”, afirma.

De acordo com ele, o aumento mais rápido dos preços tende a provocar um descasamento temporário entre custo e capacidade de pagamento das famílias. “Um crescimento tão forte assim pode aumentar a inadimplência. Quando o preço sobe mais rápido do que a capacidade das pessoas pagarem, esse descompasso acaba se refletindo no índice”, diz.

O especialista também aponta a renda domiciliar como outro fator relevante. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na PNAD Contínua de 2025, indicam renda familiar per capita de R$ 2.353 em Minas Gerais. Em São Paulo, o valor é de R$ 2.956, e no Rio de Janeiro e em estados do Sul, na faixa de R$ 2.800.

“A gente vê que o poder de compra nos outros estados é maior do que em Minas Gerais. Então, juntando as duas coisas, um crescimento muito forte do preço do aluguel e uma renda familiar ainda abaixo dos outros estados, isso ajuda a explicar a inadimplência mais elevada”, afirma.

Sem previsão de alta expressiva no curto prazo

Apesar do avanço em abril, a avaliação é de que não há sinais de aumento expressivo da inadimplência nos próximos meses. “É difícil projetar picos agora. Aparentemente, não devemos ter um grande crescimento, porque os números macroeconômicos, tanto para Minas Gerais quanto para o País, não apontam para uma piora muito forte no curto prazo”, diz Takahashi.

Segundo ele, mudanças mais bruscas na inadimplência dependeriam de deterioração relevante do cenário econômico. “As condições macro não indicam uma mudança drástica, ou seja, uma piora que leve a um aumento muito forte da taxa de inadimplência no curto prazo. O comportamento vai depender das próximas edições do índice”, afirma.

Histórico recente

A inadimplência em Minas Gerais atingiu pico de 7,5% em julho de 2025 e passou a recuar ao longo do segundo semestre, chegando a 6,2% em março deste ano. A alta registrada em abril interrompe a sequência de queda, mas o índice permanece abaixo dos níveis observados no meio do ano passado.

No Brasil, o movimento foi semelhante. Após atingir 6,8% em setembro de 2025, a taxa recuou até 5,4% em março de 2026 e voltou a subir para 5,7% em abril. O indicador é calculado com base em cerca de 500 mil contratos de locação residencial com garantia de fiança aluguel sob gestão da Loft, considerando atrasos superiores a 15 dias.

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