Economia

Inadimplência bate recorde e atinge 73,5 milhões de brasileiros em 2025

Cenário prejudica consumidores e lojistas pela restrição ao consumo e limitação ao giro de capital
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Inadimplência bate recorde e atinge 73,5 milhões de brasileiros em 2025
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revelou que o número de consumidores brasileiros com contas em atraso registrou um aumento de 10,17% em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. A variação anual observada em dezembro ficou acima da observada no mês anterior. Na passagem de novembro para dezembro, o número de devedores cresceu 0,87%.

Com isso, a estimativa é que o Brasil tinha, em dezembro, 73,49 milhões de consumidores negativados, o que representa 44,02% da população adulta do País. A alta anual de devedores foi impulsionada, principalmente, por dívidas com tempo de atraso de 4 a 5 anos (32,64%).

“O fechamento do ano com um recorde de inadimplência é um sinal de alerta máximo para a economia brasileira. Tradicionalmente, o mês de dezembro traz um alívio para o orçamento das famílias com a entrada do 13º salário e das rendas extras temporárias, mas o que vimos agora foi uma inversão dessa tendência”, destaca o destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Segundo ele, isso mostra que o endividamento chegou a um nível tão crítico que os recursos adicionais não foram suficientes sequer para estancar o crescimento da lista de negativados. “É um cenário de consequências preocupantes: para o consumidor, significa restrição ao consumo e perda de bem-estar; para o lojista, representa uma trava no giro de capital e maior insegurança para investir no novo ano que se inicia», alerta.

Região, faixa etária e gênero

A abertura por faixa etária do devedor mostra que o número de devedores com participação mais expressiva no Brasil em dezembro foi da faixa de 30 a 39 anos (23,38%). Além disso, a participação dos devedores por sexo segue bem distribuída, sendo 51,26% mulheres e 48,74% homens.

No caso das regiões, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 10,86%, seguido pelo Norte (10,24%), Nordeste (9,13%), Sudeste (8,22%) e Centro‐Oeste (8,07%).

E quanto ao valor, em dezembro de 2025, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.832,98 na soma de todas as dívidas. Considerando todos os débitos, cada inadimplente devia, em média, para 2,24 empresas credoras.

“Sob a ótica do mercado de crédito, esse recorde gera um efeito em cadeia: o aumento do risco de crédito força as instituições financeiras a serem mais seletivas e a elevarem os spreads. O resultado é um cenário de crédito mais caro e escasso, o que dificulta a renegociação de dívidas e trava o consumo de bens de maior valor agregado, fundamentais para a tração do varejo. Precisamos de políticas que não apenas facilitem o pagamento, mas que promovam o uso consciente do crédito para evitar que o superendividamento se torne uma barreira estrutural ao crescimento do País”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Em dezembro de 2025, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 17,14% em relação ao mesmo período de 2024. O dado observado em dezembro último ficou acima da variação anual observada no mês anterior. Na passagem de novembro para dezembro, o número de dívidas apresentou alta de 1,31%.

Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destaca-se a evolução das dívidas com o setor de Água e Luz com crescimento de 21,32%, seguido de Bancos (18,12%), Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%).

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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