Economia

Inda projeta queda de 20% nas importações de aço em 2026 com medidas antidumping

Medidas antidumping e fraca demanda doméstica impulsionam retração, enquanto exportações brasileiras ganham competitividade no exterior
Inda projeta queda de 20% nas importações de aço em 2026 com medidas antidumping
Foto: Reprodução Adobe Stock

As medidas antidumping adotadas pelo governo federal contra as importações de aço provenientes da China e da Índia, anunciadas em fevereiro, já começam a dar resultados. As importações realizadas pelas distribuidoras perderam força após um início de 2026 marcado pela forte entrada de material estrangeiro. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (21) pelo presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, durante coletiva de imprensa.

Segundo ele, o volume importado no mês passado foi 43% inferior ao registrado em abril de 2025, indicando uma inversão relevante no comportamento do mercado. No acumulado de janeiro a abril, o indicador também migrou para o campo negativo, com queda de 1,9% frente ao mesmo período do ano anterior. “Finalmente começou a cair”, disse.

Loureiro destacou ainda que a tendência é de intensificação dessa retração ao longo dos próximos meses. A projeção do Inda é de que as importações encerrem 2026 com redução de pelo menos 20%. “Quando eu digo 20%, acho que estou sendo conservador, porque esse número pode ser maior”, afirmou.

O movimento de queda ocorre após um primeiro trimestre marcado por forte avanço das compras externas. No primeiro bimestre, por exemplo, as importações chegaram a registrar crescimento de 39% na comparação anual. Esse avanço foi gradualmente perdendo força: caiu para 13% no trimestre e agora passou para o campo negativo.

De acordo com Loureiro, a desaceleração reflete principalmente a diminuição das importações chinesas. O país ainda lidera como principal origem do aço importado, respondendo por 39% do total. “O que está acontecendo é principalmente a diminuição da importação chinesa”, afirmou.

Os dados mostram que o volume mensal, que vinha girando em torno de 190 mil toneladas em 2024 e 2025, recuou para cerca de 77 mil toneladas em abril deste ano, patamar significativamente inferior à média recente de importações.

Com a implementação, em junho, das medidas antidumping para o laminado a quente, o que Loureiro acredita que ocorrerá, não haverá produtos de origem chinesa viáveis para importação pelo Brasil. Embora a China siga dominante, o avanço de novos fornecedores no mercado brasileiro não deve ocupar totalmente o espaço deixado pelos chineses.

“Alguma importação vai acontecer. Temos agora a chegada de produtos do Egito, do Vietnã e da Coreia do Sul, mas acho difícil outros países ocuparem o espaço das exportações da China para o Brasil. Em volumes menores, os fretes acabam ficando mais caros”, afirmou.

Estoques elevados e recuperação gradual

A retração das importações ocorre em um contexto de demanda doméstica mais fraca. Em abril, as vendas de aço pelos distribuidores caíram 10,8% frente a março, desempenho pior do que o esperado pelo setor. No acumulado do ano, a queda é de 2,6%.

Esse cenário contribuiu para a elevação dos estoques, que atingiram 3,7 meses de cobertura, nível considerado elevado pelo Inda. Apesar disso, a expectativa de reajustes de preços pode amenizar parte do impacto financeiro sobre as empresas.

Mesmo com os desafios recentes, o Inda mantém uma visão moderadamente otimista para o restante do ano. A expectativa é de recuperação gradual das vendas, com possibilidade de crescimento entre 1% e 2% em 2026.

Para maio, uma sondagem com associados aponta para alta de 10% nas vendas em relação a abril, o que, se confirmado, ajudaria a reduzir as perdas acumuladas no ano. “Isso vai fazer com que a gente tenha um aumento em relação ao ano passado. Vale lembrar que, em maio do ano passado, foram quase 329 mil toneladas, passando a queda acumulada de 2,6% para 1,1%”, finalizou Loureiro.

Exportações em alta

Em contrapartida, as exportações aumentaram. O volume exportado no mês passado foi 74,5% maior do que o registrado em abril de 2025. No acumulado do ano, de janeiro a abril, as exportações registram alta de 22,6%.

Conforme o presidente do Inda, o aumento ocorreu porque a competitividade do aço brasileiro no exterior continua favorável. “O que estamos vendo é que várias empresas da Europa estão importando placas, justamente porque o continente também passava por um período de forte concorrência com o material chinês, reduzindo sua produção. Com a nova postura da Europa de diminuir as cotas desse material e com a criação de um imposto de importação elevado, mesmo que a produção local volte a ocupar esse espaço, essa retomada exigiu importação de placas, não apenas do Brasil, mas de várias origens”, explicou.

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