Brasília – A mineradora Vale quer realizar logo o pagamento de indenização às vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (BMBH), com o objetivo de minorar o sofrimento dos atingidos e familiares, disse ontem o diretor-presidente da empresa, Fábio Schvartsman, após encontro com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

“A nossa intenção foi basicamente revelar a ela a nossa intenção de acelerar ao máximo o processo de indenização e de atendimento às consequências do desastre”, declarou ele a jornalistas.

“Para tanto, nós estamos preparados para abdicar de ações judiciais, nós queremos fazer acordos extrajudiciais, e nós estamos buscando assinar com a maior celeridade possível um acordo com as autoridades do Estado de Minas Gerais que permita que a Vale comece imediatamente a fazer frente a esse processo indenizatório”, acrescentou.

Ao ser questionado, ele ainda disse não haver motivos para temer a prisão de executivos da empresa devido ao desastre.

Schvartsman também respondeu perguntas sobre o tamanho da indenização. “O valor dos acordos é o valor que tiver que ser. Não existe um valor definido, vai ser aquilo que for necessário. Quando for definida a extensão das vítimas, o valor será decorrente disso”, disse.

O rompimento da barragem na semana passada deixou mais de uma centena de mortos. Há ainda centenas de desaparecidos. “O prazo (de pagamento das indenizações) é muito simples, assim que nós assinarmos o acordo, as indenizações começarão a ser processadas”, declarou.

Ele disse que discutiu aspectos ambientais com a procuradora-geral, mas que o foco prioritário é o atendimento às vítimas.

Bloqueio – A Justiça do Trabalho decidiu bloquear mais R$ 800 milhões da Vale para assegurar pagamentos e indenizações trabalhistas na sequência do rompimento de barragem. Esse valor eleva o total de bloqueios judiciais de recursos da companhia para R$ 12,6 bilhões, segundo compilação feita pela Reuters.

O encontro do CEO da Vale com a procuradora-geral em Brasília foi realizado antes de manifestações judiciais do Ministério Público Federal em Minas Gerais, que já está investigando o caso.

No sábado, o procurador da República José Adércio Sampaio, coordenador da força-tarefa do Rio Doce, criada pelo Ministério Público Federal para investigar o caso Samarco, disse à Reuters que o novo desastre envolvendo a Vale poderia mudar completamente o rumo das negociações no entorno de uma ação de R$ 155 bilhões movida contra a Samarco e suas donas (Vale e BHP Billiton), no âmbito da tragédia ocorrida há três anos em Mariana, na região Central.

Entretanto, ele ponderou que ainda era preciso investigar as causas da nova tragédia, que ocorreu em Brumadinho.

Por conta do desastre, a Vale já se comprometeu a desmontar todas as barragens a montante de Minas Gerais, o que gerará um custo de R$ 5 bilhões à companhia, além de parada na produção de minério de ferro das unidades próximas, o que representa uma perda de 40 milhões de toneladas. (Reuters)