Indústria da borracha mineira revela dificuldades com cadeia de suprimentos e prevê baixo crescimento em 2026
Vital para diversos setores da economia mineira e brasileira, a indústria da borracha tem trabalhado para solucionar um problema básico, mas essencial: a aquisição de insumos para a produção. O grande “gargalo” do segmento hoje é conseguir trazer para o Estado os insumos que compõem a cadeia produtiva.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos e Beneficiamento de Borracha e Elastômeros no Estado de Minas Gerais (SinborMinas), Élcio Fortunato, afirmou que há falta de matéria-prima no mercado e que isso gera um forte efeito colateral: a alta de preços, o que afeta o custo final de produção e, por consequência, o repasse de valores ao consumidor final.
Empresas mais estruturadas fizeram compras de longo prazo de matéria-prima para tentar amenizar os danos causados pelos preços elevados e pela falta de insumos para a produção nas fábricas.
“A indústria de artefatos de borracha em Minas Gerais enfrenta sérios problemas na cadeia de suprimentos. Muitos dos nossos produtos são demandados da Ásia, e temos enfrentado dois tipos de dificuldades. A primeira é a escassez, e a segunda é a elevação de preços, que chega a 100% em alguns casos. Algumas empresas estão buscando alternativas em outras regiões de abastecimento, como Estados Unidos e Europa, evidentemente com custos bem mais elevados”, contou Fortunato.
Baixas expectativas
Esse cenário de incertezas e mercado hostil, que geram fragilidade econômica e produtiva, pode indicar que 2026 fique aquém do potencial de crescimento do setor. As empresas de artefatos estão pouco otimistas com um resultado final positivo ao fim do ano.
“A nossa expectativa para este quadrimestre, comparado ao ano passado, é de não ter crescimento. Devemos fechar com números semelhantes aos do período anterior, com variação de no máximo 1%”, comenta Élcio Fortunato, do SinborMinas.
A falta de confiança em uma melhora se estende aos próximos meses, pois, além dos conflitos no Oriente Médio e de um cenário macroeconômico instável, com juros altos, os produtores de artefatos de borracha acreditam que a Copa do Mundo, as eleições e seus desdobramentos político-econômicos podem deixar o segmento com mais retração do que perspectiva de alta.
“Considerando que é um ano de eleições, de Copa do Mundo e de diversas incertezas no cenário político, a expectativa é de retração no mercado em relação ao ano passado, em torno de 3% a 4%. Para o nosso setor, que é bastante diversificado e atende segmentos como automotivo, mineração e recapagem de pneus, esse percentual é significativo”, concluiu o presidente do SinborMinas.
Ouça a rádio de Minas