Indústria ferroviária prevê faturamento de R$ 9 bilhões em 2026 impulsionada por concessões
Com o transporte sobre trilhos no centro das discussões e um novo ciclo de investimentos impulsionado pela renovação de concessões, a indústria ferroviária projeta movimentar R$ 9 bilhões em 2026, crescimento de 30% em relação a 2025. Minas Gerais ocupa posição de destaque no setor: o Estado responde por 25% do faturamento total e concentra 20% das empresas da cadeia produtiva que abastece os fabricantes nacionais.
As estimativas são da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). A expansão se reflete na produção em todos os segmentos. Os carros de passageiros registram o salto mais expressivo, passando de 139 unidades em 2025 para 250 em 2026, alta de 80%. As locomotivas devem passar de 64 para 76 unidades, enquanto os vagões de carga devem avançar de 1,9 mil para 2 mil unidades no mesmo período.
O presidente da Abifer, Vicente Abate, pontua que o avanço reflete um movimento duplo: o crescimento da indústria que fornece equipamentos e insumos ao setor e a expansão da operação ferroviária no País, tanto no transporte de cargas quanto no de passageiros.
“Estamos chegando ao meio do ano atendendo ao que projetamos e, se o segundo semestre for positivo, poderemos alcançar o faturamento esperado. Minas Gerais representa cerca de um quarto do setor e segue como um Estado forte e um dos principais destaques neste ano”, avalia.
Abate explica que o território mineiro abriga duas gigantes da indústria ferroviária no País: a Wabtec, em Contagem, e a Progress Rail, em Sete Lagoas, ambas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A alta demanda fomenta o avanço da cadeia produtiva no Estado, hoje composta por cerca de 200 empresas em diferentes cidades.
Além de atender ao mercado interno, o setor intensifica articulações com outros países e hoje exporta 20% dos equipamentos, com destaque para a América Latina, África e Oriente Médio. Segundo o dirigente, uma indústria tradicionalmente exportadora consegue melhorar sua performance ao combinar os mercados interno e externo.
“O avanço das exportações contribui para o desempenho doméstico e ajuda a sustentar resultados no médio prazo, especialmente em momentos de maior volatilidade. Embora o mercado interno esteja aquecido, a exportação funciona como uma válvula de equilíbrio e garante maior estabilidade diante de eventuais crises”, detalha Abate.
Até o momento, os desafios decorrentes da guerra no Oriente Médio não têm impactado o setor ferroviário. Embora conflitos desse tipo possam gerar efeitos indiretos na cadeia de suprimentos e nas importações, o dirigente afirma que a indústria ferroviária não enfrenta dificuldades relevantes no abastecimento ou na continuidade das operações.
Com os números positivos, a expectativa é de crescimento consistente, ancorado pelo otimismo com a renovação antecipada de operações, como a da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI. Com a prorrogação do prazo de concessão, são esperados um novo ciclo de investimentos e, consequentemente, maior demanda pelo fornecimento de equipamentos e componentes pela indústria local.
“A expectativa é positiva, com números de crescimento consistentes. São resultados virtuosos e esperamos a manutenção dessa tendência nos próximos três anos”, destaca Abate.
Setor estuda modelo de ferrovias shortline para ocupar trilhos ociosos

Com 30 mil quilômetros (km) de malha ferroviária, o Brasil tem um ativo relevante subutilizado: apenas um terço é densamente utilizado, enquanto outro terço opera abaixo do potencial e o restante está completamente ocioso. Para reverter esse quadro, o setor estuda a implantação das chamadas shortlines, ferrovias de pequena extensão, entre 1,5 km e 150 km, que conectam ramais locais às ferrovias troncais.
Segundo Abate, o modelo é inspirado nos Estados Unidos, onde as shortlines respondem por 29% de toda a produção ferroviária do País. A aposta, segundo ele, é que ferrovias de menor porte operem com mais eficiência do que as grandes troncais, ampliando a malha utilizada.
Alguns trechos já devolvidos pelas concessionárias são justamente os candidatos naturais a receber esse tipo de operação. “Estamos tentando replicar o modelo no Brasil. As shortlines serão um grande movimento para ampliar a malha ferroviária nacional, assim como o transporte de passageiros entre cidades”, avalia o dirigente.
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