Economia

Indústria mineira tem resultado positivo em março e começo de 2026 acima do esperado

Avanços em faturamento e emprego são puxados pelo setor de transformação, mas conflitos externos e juros altos pedem prudência para 2026
Indústria mineira tem resultado positivo em março e começo de 2026 acima do esperado
Foto: CNI/Miguel Ângelo/Direitos reservados

O levantamento da Pesquisa Indicadores Industriais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) referente a março apontou alta de 0,8% no faturamento da indústria em geral, considerando tanto o setor extrativo quanto o de transformação, frente ao mês anterior. O desempenho foi puxado pelo crescimento dos pedidos em carteira nas empresas do segmento de transformação.

Para o economista da Fiemg, Arthur Augusto Dias, o resultado foi surpreendente, levando-se em conta o cenário econômico complexo. Mas quando a análise é ampliada, ainda se vê um cenário de retrações.

“Acho que a economia como um todo, não só a indústria, mas a economia como um todo, nesse começo de ano, ela vem surpreendendo positivamente, mostrando uma recuperação em relação ao final do ano passado. Parece que esse ano começou num ritmo melhor na passagem do ano. Na comparação mensal, a gente tem visto alguns resultados positivos, e isso realmente chega a ser surpreendente diante de um cenário muito desafiador”, disse.

“Mas quando a gente olha o resultado interanual, esse mês não é muito bom para essa análise, porque março de 2024 foi carnaval, então prejudicou um pouco a indústria. Em comparação interanual, esse mês em específico ficou positivo nos nossos indicadores, mas quando a gente costuma olhar o interanual de janeiro e fevereiro, a gente vê retrações”, completou.

Emprego sobe

O total de horas trabalhadas na produção industrial subiu 2,5% na comparação com fevereiro, movimento associado à ampliação do nível de emprego. Já a utilização da capacidade instalada teve leve avanço, saindo de 81,6% em fevereiro para 81,8% em março.

No campo do trabalho, o emprego na indústria cresceu 0,5% no período, reflexo de contratações nas empresas dos setores extrativo e de transformação. No entanto, a massa salarial real encolheu 0,3% no mês, pressionada pela concentração do pagamento de participação nos lucros e resultados ocorrido em fevereiro. Esse efeito também pesou sobre o rendimento médio real, que recuou 1,3% no mesmo intervalo.

No balanço geral, a indústria mineira teve um março positivo, com avanços no faturamento, nas horas produtivas, no emprego e no aproveitamento da capacidade instalada. Na comparação com março do ano passado, os indicadores também evoluíram favoravelmente, beneficiados em parte pelo calendário: março de 2024 foi encurtado pelo carnaval, o que reduziu o número de dias úteis disponíveis.

Horizonte pede cautela

Para o restante de 2026, as perspectivas exigem prudência. A continuidade do conflito no Oriente Médio passou a influenciar as decisões de política monetária, aumentando a possibilidade de que os juros permaneçam elevados por um período mais longo. O mesmo cenário externo pressiona as cotações do petróleo, encarecendo os custos industriais. Esses efeitos já aparecem nos preços do transporte e dos fertilizantes e tendem a se espalhar por outros itens que compõem a inflação.

“Quando pegamos o acumulado do ano, considerando janeiro, fevereiro e março, e comparamos com o mesmo período do ano passado, a gente vê uma queda de 0,5% no faturamento, horas trabalhadas na produção com crescimento de 1% e emprego de 1,1%. Esses números fazem mais sentido quando a gente pensa na conjuntura econômica, que é mais adversa: taxa de juros muito alta, a guerra no Oriente Médio que parece que não acaba, e o preço do petróleo que subiu e não volta. Aí faz mais sentido quando a gente olha a conjuntura”, comentou Dias.

“Pelo lado da demanda, o consumo interno deve contar com algum suporte vindo de um mercado de trabalho que segue aquecido e de iniciativas de estímulo ao consumo em vigor ou em discussão no governo, especialmente com o calendário eleitoral se aproximando. Dentro desse quadro, a expectativa é de expansão moderada da indústria ao longo de 2026, num equilíbrio entre o crédito ainda caro e a demanda doméstica que resiste”, finalizou o economista da Fiemg.

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