Em agosto deste ano, na comparação com igual período de 2019, oito segmentos da indústria de Minas tiveram alta | CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/ARQUIVO DC

A indústria mineira retomou o patamar de produção pré-pandemia em agosto. Assim como Amazonas, Pará, Ceará, Goiás e Pernambuco, o Estado já atingiu nível de atividade industrial superior ao apresentado em fevereiro, antes da chegada da pandemia de Covid-19 no País e da paralisação da economia em função das medidas de distanciamento social. No oitavo mês deste exercício, a produção em Minas Gerais superou em 2,6% o apurado no segundo mês deste ano.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam ainda que, apesar disso, em agosto, a produção industrial do Estado reduziu 0,4% em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal, interrompendo o crescimento da produção registrado nos três meses anteriores.

De acordo com o gerente da pesquisa, Bernardo Almeida, basicamente, o resultado está ligado à reabertura e à flexibilização das atividades em todo o País. Segundo ele, a pesquisa reflete, em grande medida, a ampliação do movimento de retorno à produção de unidades produtivas, após as interrupções por conta da pandemia.

Questionado sobre os próximos meses, o gerente da pesquisa lembrou que o IBGE não trabalha com projeções, mas que a partir das análises dos meses até agosto, observa-se uma trajetória de recuperação. No entanto, segundo ele, é preciso aguardar os próximos resultados para estimar o fechamento do exercício.

“De toda maneira, é preciso lembrar que antes da pandemia afetar o Brasil, nossa economia já vinha em ritmo de cautela, com baixos níveis de produção industrial, em função da conjuntura de incertezas, tanto no campo político quanto nas tomadas de decisões de investimentos. Assim, embora os resultados já comecem a compensar as perdas causadas pela pela Covid-19, o cenário anterior era de cautela e expectativas retraídas”, alertou.

Sobre os números de Minas, no caso do recuo na série com ajuste sazonal, o especialista relacionou a retrações em setores que até então vinham puxando o desempenho, como é o caso dos grupos de alimentos e outros produtos químicos.

“São setores considerados essenciais e que no início da pandemia avançaram abruptamente. Agora, como as atividades estão retomando gradualmente e o movimento das plantas produtivas aumentando, os demais setores começaram a voltar ao desempenho normal, enquanto estes passaram a se acomodar”, explicou, alegando que este já era um movimento esperado.

Em relação ao mesmo mês de 2019, a indústria de Minas apresentou estabilidade, com leve redução da produção industrial (-0,1%), menor que a média nacional de -2,7%. O Estado registrou avanço na produção de oito das 13 atividades divulgadas em relação a agosto do ano passado. Destaque para fabricação de produtos do fumo (26,4%), fabricação de bebidas (11,9%) e fabricação de produtos alimentícios (10,1%).

Por outro lado, os principais recuos são observados na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-23,6%), fabricação de máquinas e equipamentos (-15,9%) e fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-14,2%).

Acumulado – Já no acumulado de janeiro a agosto, a produção industrial de Minas apresentou queda de 7,9%, também menor que a redução nacional de 8,6%. Entre os setores, apenas quatro atividades tiveram saldo positivo: outros produtos químicos (23,8%), produtos do fumo (12,2%), produtos alimentícios (11,2%) e fabricação de produtos têxteis (0,5%).

Dentre as atividades com queda na produção no acumulado de 2020, sete apresentaram redução maior que a média do Estado (-7,9%). Os destaques negativos, neste caso, foram veículos automotores, reboques e carrocerias (-35,8%), produtos de metal (-22,9%), máquinas e equipamentos (-22,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-18,1%).