Economia

Alta da inflação impacta no Índice de confiança do consumidor de BH, que recua 5,52% em junho

Alta de preços de itens essenciais como energia e alimentos faz consumidor mineiro "pisar no freio" em suas compras e planos
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Alta da inflação impacta no Índice de confiança do consumidor de BH, que recua 5,52% em junho
Em Belo Horizonte, consumidores estão menos confiantes e também houve queda no Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) | Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

A tendência de alta da inflação em junho, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou em seu estudo prévio (elevação de 0,33%), pode ser a principal causa da queda no Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH), que caiu 0,52% em junho na comparação com maio (alta de 0,97%), segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O índice atingiu 42,83 pontos, em uma escala que varia de 0 a 100.

Para o gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, a relação entre a alta da inflação de junho e a redução da confiança do consumidor mineiro está evidente.

“A inflação de itens difíceis de cortar, como energia e alimentos, funciona como um imposto imediato no bolso do consumidor. Os dados do ICC mostram quase que exatamente essa relação da alta da inflação com a queda na confiança do consumidor. O consumidor sente que o mercado de trabalho ainda está um pouco favorável, mas a subida de preços fez com que ele pisasse um pouco no freio por precaução. Não é à toa que a pretensão de compras na capital também recuou mais de 6% em junho. O consumidor está se protegendo da inflação”, analisa.

Otimismo e tendência de consumo

Já o Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) caiu 1,52% em junho. O principal destaque negativo foi a Situação Econômica do País (-8,54%). O Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) subiu 0,33%. Essa alta foi impulsionada pela Situação Financeira da Família Atual (2,07%).

Assim, o relatório do Ipead indica que, mesmo com a redução da confiança geral do consumidor na economia, ainda há expectativa de melhora com o incremento financeiro das famílias. Esse otimismo pode ser atrelado às situações de injeção financeira no segundo semestre, quando podem entrar novas receitas, como o 13º salário e a restituição do Imposto de Renda.

“O segundo semestre sempre traz um fôlego extra para as famílias com relação às restituições de Imposto de Renda e ao 13º salário, principalmente. Essas novas receitas do segundo semestre devem e tendem a ser usadas com um pouco mais de inteligência. Primeiro, para pagar as contas que porventura possam estar atrasadas, ou contas que ainda possam comprometer a renda das pessoas, e para proteger o orçamento contra a inflação. O que sobrar vai para gastos bem mais planejados, principalmente com vestuário e viagens”, explica Eduardo Antunes.

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Mesmo com potenciais incrementos financeiros no segundo semestre, há um dado específico no relatório do Ipead que mostra muitas pessoas dispostas a evitar compras de curto, médio ou até mesmo longo prazo.

Esse item do estudo do Ipead pode ser considerado uma grande fotografia, mais real, da economia e da realidade da população de Belo Horizonte hoje. “De um lado, a gente tem mais de 20% dos entrevistados dizendo claramente que não vão comprar nada nos próximos meses. É um reflexo direto do peso da inflação de alimentos e energia no orçamento das famílias mais vulneráveis, principalmente”, diz o gerente do Ipead.

“Por outro lado, quem ainda tem fôlego para consumir está sendo muito mais realista. Em vez de se endividar com um carro novo ou um eletrodoméstico caro, está preferindo o consumo de alguma oportunidade, um vestuário, um calçado, pois oneram menos o orçamento. A população está tentando se manter mais ‘pé no chão’ no momento”, finaliza Antunes.

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