Setores que compõem a Coalizão Indústria planejam R$ 1,1 trilhão em investimentos até 2030
Os setores da indústria de transformação, da construção civil e do comércio exterior, representados por 13 entidades de âmbito nacional que compõem a Coalizão Indústria, planejam investir cerca de R$ 1,1 trilhão entre este ano e 2030.
A projeção foi apresentada nesta terça-feira (12) em coletiva de imprensa da Coalizão Indústria para avaliação do desempenho dos setores em 2025 e perspectivas para 2026. A divisão da estimativa de investimentos por segmento industrial ficou assim:
- Construção: R$ 300 bilhões
- Alimentos: R$ 250 bilhões
- Automotivo: R$ 148,5 bilhões
- Máquinas e Equipamentos: R$ 90 bilhões
- Transformados em Plástico: R$ 67,6 bilhões
- Aço: R$ 59,4 bilhões
- Eletroeletrônico: R$ 48,6 bilhões
- Têxtil: R$ 46,8 bilhões
- Cimento: R$ 30,2 bilhões
- Farmacêutico: R$ 17,5 bilhões
- Calçados: R$ 6,3 bilhões
- Brinquedos: R$ 2,6 bilhões
Apesar do volume expressivo, a Coalizão Indústria afirma que a maior parte se trata de aportes defensivos, ou seja, para a sobrevivência das operações, em vez de expansivos, que visam alavancar o crescimento das empresas. Também pontua que as inversões poderiam ser maiores caso as condições de mercado estivessem favoráveis. Ainda alerta que há possibilidade de redução dos valores se não houver mudanças no atual cenário brasileiro.
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Entre os entraves que os setores ressaltam enfrentar no País estão, por exemplo, os juros elevados, a alta carga tributária e a concorrência predatória de bens importados, considerada o fator mais preocupante. Somam-se a isso, outros desafios, como o encarecimento de custos logísticos e de energia, decorrentes da guerra no Oriente Médio.
De acordo com o presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roris Coelho, o ambiente de negócios no Brasil afasta e inibe investimentos. Ele salienta que falta previsibilidade para quem deseja investir e que os aportes são baixos por uma série de razões, incluindo as mencionadas acima.
Fraco desempenho em 2025 deve seguir em 2026
Diante de todas as dificuldades enfrentadas, cinco, dos 12 setores que compõem a Coalizão Indústria, registraram retração na produção física em 2025. Foram eles: brinquedos (-2,4%), eletroeletrônico (-2,1%), calçados (-1,9%), máquinas e equipamentos (-1,5%) e aço (-1,4%). Entre os demais segmentos, seis apresentaram expansão abaixo de 4%. A exceção foi a construção, que teve um crescimento relevante, de 10,6%.
Para 2026, dois setores preveem redução na produção, o de aço (-2,2%) e o têxtil (-0,3%). Outros oito projetam aumento menor que 4%. As exceções são os segmentos farmacêutico e de construção, que estimam, respectivamente, altas de 12% (neste caso, em valor) e 10%.
Ainda nas perspectivas para este ano, a maioria dos setores espera registrar apenas um pequeno avanço nas vendas, de até 3%. A maior parte também antevê uma queda nas exportações ou um incremento de até 3%. Por outro lado, quase todos os segmentos acreditam que a trajetória de alta nas importações seguirá, com avanços acima de 3%.
“À luz desses dados que foram apresentados, a constatação é de que 2025 não foi bom e 2026 também não será”, resumiu o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil e coordenador da Coalizão Indústria, Marco Polo de Mello Lopes, durante a coletiva.
Manifesto pela aceleração do crescimento sustentado do Brasil
Considerando o fraco desempenho no ano passado e as expectativas para 2026 dos setores que a integram, a Coalizão Indústria pleiteia a implementação de uma agenda nacional em favor da recuperação do mercado interno e da competitividade sistêmica.
Nesse contexto, elaborou um manifesto pela aceleração do crescimento sustentado do Brasil, no qual defende que o País alcance um patamar de avanço no Produto Interno Bruto (PIB) de, pelo menos, 3,5% ao ano nos próximos cinco anos. Para que esse objetivo seja atingido, destaca como essencial haver um forte aumento do investimento produtivo.
Como citado antes, a Coalizão Indústria acredita que o ambiente de negócios trava aportes no Brasil. Portanto, propõe, no documento, quatro mudanças prioritárias e interligadas para destravar inversões, além de ressaltar que é fundamental flexibilizar a legislação trabalhista para alinhá-la à nova realidade do mundo empresarial. As ações sugeridas são:
- equilibrar efetivamente as contas públicas
- reduzir o custo do capital para níveis próximos aos dos países concorrentes
- avançar na simplificação tributária e tornar a carga compatível com a dos principais concorrentes internacionais
- garantir equidade competitiva com os países que disputam o mercado com o Brasil
“Tem coisas que nós sabemos que não são factíveis no curto prazo, mas precisa ter decisão política para que elas ocorram e para isso alguém tem que falar”, disse Lopes, ao ser questionado sobre a capacidade de a Coalizão Indústria influenciar mudanças nos pontos elencados. Para o coordenador, uma coalizão que abrange 12 setores que representam, juntos, 44% do PIB da indústria brasileira, precisa ser ouvida.
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