Crédito: Leo Lara

Rio – São Paulo e Rio de Janeiro vêm diminuindo sua participação no PIB do Brasil em nível municipal, o que tem contribuído para que localidades em outras regiões do País ganhem destaque.

Em divulgação feita na sexta-feira (13), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que municípios do Norte e Nordeste registraram ganhos significativos em 2017, na contramão das duas cidades com maior representatividade no PIB brasileiro.

Tanto na comparação de 2016 a 2017 como na análise que vem sendo feita desde 2002, as capitais paulista e fluminense tiveram as maiores quedas de participação entre os municípios brasileiros, o que foi destacado pelo IBGE na sexta. “Isso aponta para a tendência de desconcentração do PIB no nível municipal”.

Em São Paulo, a queda de participação ocorreu em função de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, que apresentaram redução das operações de créditos e das taxas de juros em 2017.

Desde 2012, o município paulista – que sozinho ainda representa 10,6% do PIB nacional – perdeu 2,1 pontos percentuais de participação na atividade econômica nacional.

Rio de Janeiro, por sua vez, vem diminuindo o peso na indústria do País, o que ocasionou perda de 1,2 ponto percentual. De 2016 a 2017, a queda se concentrou principalmente no setor de construção. A capital fluminense representa 5,1% do PIB de 2017.

“O Rio de Janeiro vem de fragilidade econômica, recentemente foi um dos estados mais afetados pela crise e o que menos cresceu. Tudo isso ajudou na desconcentração”, apontou Juliana Trece, pesquisadora do FGV-Ibre.

“Quando a gente observa na série como um todo, vemos que é um movimento natural. De 2002 a 2017, o Sudeste perdeu 4,4% de participação, é bastante coisa. E assim outros locais vão ganhando espaço, como Centro-Oeste e Nordeste, apesar de ainda o Sudeste ser muito representativo”, acrescentou a pesquisadora.

Em 2017, Parauapebas (PA) e Goiana (PE) ficaram entre as cinco com maior ganho em valores absolutos na participação do PIB nacional, com crescimento de 0,1 ponto percentual cada.

Parauapebas teve o aumento justificado por indústrias extrativas; no caso, a extração de minério de ferro, com produção em 2017 alavancada pelo início de operações de uma nova mina. A Vale tem operações na cidade há mais de 30 anos e, no Pará, também produz minério em Canaã dos Carajás.

Já Goiana viu como determinante o aumento da produção da indústria automobilística. A cidade abriga a fábrica da Jeep e Fiat, inaugurada em 2014, onde são produzidos os SUVs Jeep Renegade e Jeep Compass e a picape Fiat Toro. No ano passado, a empresa anunciou investimentos de R$ 7,5 bilhões na região, que gerariam 9.000 empregos.

“Ao analisar a hierarquia urbana, fica mais clara a tendência de desconcentração do PIB. As metrópoles perderam participação, saindo de 44,5% no PIB nacional para 43,9% de 2016 para 2017. Assim, municípios de menor hierarquia experimentaram crescimento acentuado”, explicou o IBGE.

Outros três municípios do Nordeste ainda ficaram entre aqueles com maior avanço entre 2016 e 2017, segundo o IBGE. Curral Novo do Piauí (PI), Bodó (RN) e Simões (PI) tiveram ganhos de resultado atrelados ao desempenho da indústria de geração de energia eólica. As três cidades, juntas, possuem pouco mais de 20 mil habitantes. Simões é conhecida na região como “a cidade dos ventos”.

No ano passado, a Votorantim Energia inaugurou um complexo com investimentos de R$ 1,1 bilhão, com sete parques eólicos com 98 aerogeradores, na região da Serra do Inácio, a 466 km de Teresina, capital do estado. O empreendimento gerou cerca de mil empregos na região, segundo a empresa.

“Quando a cidade é muito pequena e recebe muito investimento, como é o caso das citadas, faz com que o PIB avance muito, pois traz mais pessoas, movimenta comércio, serviços e toda a economia local, toda infraestrutura para poder dar um suporte para receber esses novos investimentos”, explicou Juliana Trece, pesquisadora do FGV Ibre.

Maior aumento – Na análise de evolução de participação do PIB ao longo da série 2002-2017, o maior ganho foi em Osasco, vizinho a São Paulo, com aumento de 0,3 ponto percentual. A cidade se destacou pelas atividades no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, além de atividades financeiras, seguros e serviços relacionados.

Ainda se destacaram Itajaí (SC), que registrou ganho de 0,2 ponto percentual também em função do comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, e Alto Horizonte (GO), a 270 km de Brasília, com o maior ganho de posição no período devido a uma mineradora que extrai cobre e ouro no local desde 2007. (Folhapress)