Economia

Imposto de Renda 2026: veja os cuidados que o MEI precisa ter para não cair na malha fina

Cruzamento de dados pela Receita Federal e erros comuns podem levar microempreendedores à fiscalização e multas
Imposto de Renda 2026: veja os cuidados que o MEI precisa ter para não cair na malha fina
Foto: Adobe Stock

O envio da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 exige atenção dos microempreendedores individuais (MEIs) para evitar inconsistências que possam levar à retenção na malha fina. Entre os principais pontos de risco estão erros na declaração de rendimentos, omissão de receitas e incompatibilidade entre movimentação financeira e patrimônio.

O avanço do cruzamento de dados pela Receita Federal tem ampliado a capacidade de fiscalização do Fisco. Informações do CNPJ, movimentações bancárias e rendimentos declarados por terceiros são conferidos automaticamente. “O sistema compara o que o MEI declara no CNPJ, o que aparece no CPF e informações de terceiros, como bancos e fontes pagadoras. Quando a conta não fecha, padrão de vida alto com renda declarada baixa, por exemplo, o risco de malha fina aumenta significativamente”, afirma o advogado especialista em Direito Societário e Contratual e sócio do GMP-G&C Advogados, Alberto Goldenstein.

Na prática, situações recorrentes têm levado contribuintes à fiscalização. “A malha fina costuma surgir quando há incompatibilidade entre faturamento, movimentação financeira e patrimônio”, completa. Entre os principais problemas apontados pelo especialista estão a mistura de contas pessoais com as da empresa, a declaração integral do faturamento como lucro isento e a omissão de outras fontes de renda, como aluguéis, aplicações financeiras ou atividades fora do MEI.

Apesar de operar sob um regime simplificado, o microempreendedor precisa observar regras distintas entre pessoas jurídica e física. “O MEI é um regime do CNPJ, mas o titular continua sendo pessoa física. A Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física avalia o CPF, enquanto a Declaração Anual do MEI serve para fechar o ano do CNPJ. São sujeitos e finalidades diferentes”, explica.

A forma como os valores são retirados do negócio também exige atenção. Goldenstein pontua que nem todo o montante recebido pelo MEI pode ser considerado isento: somente uma parcela do lucro, calculada com base em percentuais definidos conforme a atividade, pode ser informada dessa forma. Valores que ultrapassam esse limite ou que não têm comprovação mínima podem ser enquadrados como tributáveis.

Além da cobrança de imposto e multas, inconsistências podem gerar restrições cadastrais. Pendências no CPF ou no CNPJ dificultam o acesso ao crédito, a serviços bancários e até à manutenção das atividades empresariais.

Para reduzir o risco de autuação, a orientação do especialista é manter controle básico das finanças, com separação entre contas pessoais e empresariais, registro das receitas e despesas e definição clara dos valores retirados pelo titular. “Separar pessoa física e empresa, controlar quanto entrou, quanto saiu e quanto foi retirado pelo titular já reduz drasticamente o risco de autuações. Isso não é burocracia, é proteção jurídica e fiscal”, encerra Goldenstein.

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