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Laboratório de BH busca vacina contra coronavírus

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Crédito: Meyer & Meyer
Crédito: Meyer & Meyer

Dos 120 laboratórios listados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que estão trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus (Covid-19), dois estão no Brasil.

Um, mais precisamente, em Belo Horizonte: o CT-Vacinas, uma parceria entre a unidade mineira da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aposta na modificação do vírus da gripe para combater a pandemia.

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De acordo com o professor e pesquisador do CT-Vacinas, Flávio Fonseca, trata-se de um método disruptivo, ou seja, que está sendo empregado de maneira exclusiva. Assim, a estratégia do laboratório mineiro, que conta com tecnologia suficiente para o desenvolvimento do produto – incluindo pesquisadores e materiais essenciais à metodologia – possui elevado grau de risco, uma vez que nenhum outro laboratório está utilizando o método, mas, também, grande potencial de sucesso.

“Não estamos falando da demanda de um único país. Quem descobrir não vai ter condições de atender o mundo inteiro rapidamente. Haverá corrida na importação e filas enormes, como já está acontecendo, por exemplo, com os testes e equipamentos para o tratamento da doença. Por isso, é tão importante nacionalizarmos a vacina. Só assim vamos garantir um fluxo real de imunização para o Brasil”, defendeu.

Apesar da busca incessante pela vacina em todo o Planeta, com alguns métodos mais avançados em outros países, a vacina mineira ainda está na primeira fase: desenvolvimento. Segundo o professor, esta etapa deverá ser concluída entre quatro e cinco meses. Depois disso, conforme ele, será iniciada a fase pré-clínica, com testagem em animais, que deverá ocorrer daqui a seis meses a um ano.

“Por último, testaremos em humanos, na etapa clínica que, se tudo ocorrer dentro do planejado, será executada dentro de um ano e meio a dois anos. Ou seja, estamos falando de uma expectativa de o nosso produto estar pronto e concluído no prazo mínimo de dois anos a dois anos e meio”, explicou.

Já em relação às vacinas que vêm sendo desenvolvidas em outros países, o prazo seria menor. De acordo com Fonseca, havia expectativa de o produto estar disponível até o final deste ano. No entanto, infectologistas e virologistas do mundo inteiro já afirmam que isso não vai acontecer, pois são várias as limitações não apenas para a conclusão dos testes, mas também para registro e comercialização do produto.

“Mesmo que esteja pronta e aprovada, não será possível comercializar imediatamente para 7 bilhões de pessoas, e o mundo inteiro busca um caminho para a contenção da contaminação pelo vírus. Por isso, em um pensamento otimista, teremos alguma vacina disponível no prazo mínimo de um ano. Mas, sendo realista, acredito isso ocorrerá no prazo de um ano e meio a dois”, opinou.

No caso da vacina que está sendo desenvolvida pelo CT-Vacinas, o vírus da gripe está sendo modificado em laboratório e recebendo um gene do Sars-Cov-2 (o vírus do novo coronavírus). Assim, a nova vacina da gripe traria consigo não apenas a imunização contra a gripe, mas também ao Covid-19, se tornando bivalente.

“Nada do que estamos vivendo com essa pandemia tem precedentes na história recente, inclusive no campo das pesquisas. Com isso, as respostas também têm sido proporcionais. Nunca se gerou tanto conhecimento em tão pouco tempo. O novo coronavírus está mexendo com os alicerces sociais, financeiros, epidemiológico e científicos”, analisou.

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