Economia

Minas Gerais já soma 1,1 milhão de declarações do imposto de renda; 7,7% caem na malha fina

Percentual de retenção no Estado fica abaixo da média nacional; uso da declaração pré-preenchida já supera 63%
Minas Gerais já soma 1,1 milhão de declarações do imposto de renda; 7,7% caem na malha fina
Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dados da Receita Federal (RF), divulgados ao Diário do Comércio nesta quarta-feira (15), revelam que mais de 1,1 milhão de declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) já foram entregues por contribuintes mineiros ao Fisco. Desse total, 7,7% (84.700) foram retidas em malha fiscal. O percentual registrado no Estado é menor do que a média nacional de retenção (8,15%).

O órgão arrecadador também informou que 63,3% das declarações entregues até o momento em Minas Gerais foram feitas por meio do modelo de pré-preenchimento, disponível no site da Receita.

Quanto ao índice de documentações retidas em malha, a RF esclarece que existe um processo absolutamente normal com mais retenções no início da campanha, no qual informações continuam sendo ajustadas, confirmadas e, quando necessário, retificadas, tanto pelos contribuintes quanto por fontes pagadoras. “Malha não é punição, é etapa de conferência”, destaca o Fisco em nota.

O número de declarações entregues em Minas Gerais até o momento representa 10% do total transmitido em todo o País (mais de 11 milhões). O dado, de acordo com a RF, é um recorde de velocidade na transmissão em relação aos anos anteriores.

Erros que travam a restituição e como evitá-los

A advogada e especialista em gestão tributária, Maynara Fogaça, afirma que a maior parte dos problemas durante o processo de transmissão da DIRPF poderia ser evitada com organização prévia e atenção aos detalhes. “A malha fina não está ligada apenas a grandes omissões. Pequenos erros de digitação, divergências entre fontes pagadoras e deduções mal comprovadas já são suficientes para gerar retenção”, diz.

Segundo ela, o avanço do cruzamento de dados pela Receita tornou o processo mais rigoroso. Informações declaradas pelo contribuinte são automaticamente comparadas com dados de empresas, bancos, planos de saúde e instituições financeiras. “Hoje, a Receita trabalha com tecnologia e dados em tempo real. Isso reduz a margem de erro e aumenta a chance de inconsistências serem identificadas rapidamente”, afirma.

Para evitar erros e reduzir as chances de cair na malha fina, a especialista lista os principais cuidados que devem ser adotados antes e durante o preenchimento da declaração:

  • Organizar toda a documentação com antecedência

Reunir informes de rendimentos, comprovantes médicos, recibos de educação, contratos e documentos de bens evita omissões e preenchimentos incorretos. “O erro começa quando o contribuinte declara sem ter todas as informações em mãos”, afirma.

  • Conferir os dados com os informes das fontes pagadoras

Comparar os valores declarados com os informes enviados por empresas, bancos e instituições financeiras é essencial para evitar divergências.

  • Redobrar a atenção com despesas médicas

Verificar se os gastos são realmente dedutíveis e manter comprovantes válidos. Despesas sem documentação adequada são uma das principais causas de retenção.

  • Declarar corretamente dependentes e seus rendimentos

Incluir dependentes exige informar também todos os rendimentos vinculados a eles. Omissões nesse ponto costumam gerar inconsistências.

  • Evitar duplicidade de informações

Não declarar o mesmo dependente em mais de uma declaração e garantir que despesas não sejam lançadas em duplicidade.

  • Revisar todas as informações antes do envio

Uma checagem final pode identificar erros de digitação, valores inconsistentes ou campos incompletos.

  • Considerar apoio especializado em casos mais complexos

Situações que envolvem múltiplas fontes de renda, investimentos ou patrimônio exigem maior atenção técnica. “Declarar imposto não é apenas preencher um formulário. É um processo técnico que exige conhecimento das regras”, diz Maynara.

Por fim, a tributarista ressalta que cair na malha fina não significa necessariamente irregularidade grave, mas pode gerar transtornos, atrasos na restituição e necessidade de comprovação documental. “Evitar a malha fina é uma questão de organização e responsabilidade. Com cuidado, é possível declarar corretamente e evitar dores de cabeça”, conclui.

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