May descarta novo referendo sobre Brexit após saída de ministros

10 de julho de 2018 às 0h00

Londres – O Reino Unido não vai realizar um referendo sobre o acordo para deixar a União Europeia (UE) e também não pretende adiar a data de saída do bloco, afirmou ontem a primeira-ministra britânica, Theresa May, depois da saída de dois ministros de seu governo, o que colocou em risco o plano da premiê para o Brexit. May disse que o Reino Unido não vai postergar a aplicação do Artigo 50, cláusula que permite a retirada de um país-membro da UE, e que os britânicos querem que o Brexit seja implementado e não votar novamente o acordo. O Reino Unido deve deixar a UE no dia 29 de março de 2019, mas a proposta de May para finalizar a estratégia foi abalada ontem pela saída do ministro de Relações Exteriores, Boris Johnson, e do ministro do Brexit, David Davis, em protesto ao plano de saída do bloco da premiê. Ao ser perguntada sobre o risco de seu poder ser questionado devido à divisão em seu governo, May sorriu e afirmou: “Boa tentativa, mas eu vou adiante com o trabalho de entregar o que o povo britânico quer”. Membros do Partido Conservador, de May, podem ter conseguido apoio suficiente para levar adiante uma moção de confiança sobre May, informou a editora de política da BBC, Laura Kuenssberg, em sua conta no Twitter. Renúncias – O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, e o negociador do Brexit pelo lado do governo britânico, David Davis, renunciaram ontem em protesto contra os planos da primeira-ministra Theresa May de manter laços próximos com a União Europeia após o país deixar o bloco, gerando rebelião dentro do partido governista. Principal rosto do Brexit para muitos, dentro e fora do Reino Unido, Johnson renunciou poucas horas após o pedido de demissão do ministro do Brexit Davis, encorajando alguns dentro do Partido Conservador a organizarem um plano para afastar May a menos de nove meses da saída oficial do Reino Unido da UE, em março do ano que vem. May nomeou Jeremy Hunt, que era ministro da Saúde há bastante tempo, como ministro das Relações Exteriores após a saída de Johnson. As duas demissões aparentam despedaçar a proclamação de May, na sexta-feira (6), de unidade de seu gabinete, quando ela disse acreditar que havia conseguido, após dois anos de esforços, assegurar um acordo sobre a maior mudança de política externa e comercial do Reino Unido em quase meio século. No entanto, May foi aplaudida e elogiada por muitos parlamentares conservadores em encontro particular ontem, após ter passado mais de duas horas no Parlamento respondendo questões muitas vezes hostis. Tanto eurocéticos, quanto legalistas disseram que ela havia se mantido firme e aparenta ter conseguido manter o cargo, ao menos por ora. As renúncias não ajudam May a mostrar a unidade que desejava apresentar em Bruxelas, na próxima fase de negociações sobre os futuros laços do Reino Unido com o bloco. Ao invés disso, as demissões fomentaram uma profunda descrença entre muitos eurocéticos dentro do partido de May, prejudicando sua posição e levantando dúvidas sobre o processo do Brexit. “O Brexit deveria ser sobre oportunidade e esperança”, destacou Johnson, em sua carta de renúncia. “O sonho está morrendo, sufocado por insegurança desnecessária”. “Colônia” – Ele se queixou sobre como “decisões cruciais” haviam sido adiadas, levando ao que descreveu como um “semi-Brexit”, com o Reino Unido incapaz de desviar, ou se afastar, de regras e regulações estabelecidas em Bruxelas. “No que diz respeito a isso, nós estamos verdadeiramente seguindo para o status de colônia”. O agora ex-ministro do Brexit, Davis havia anteriormente chamado o plano de May de perigoso e disse que daria “muitas coisas, muito rápido” para negociadores da União Europeia. May o substituiu por outro defensor do Brexit, Dominic Raab, que afirmou estar pronto para “os desafios do Brexit”.

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